Cidadeverde.com

Piauí 1x1 River - uma tragédia em três atos

Primeiro Ato - o árbitro

A imagem da equipe de arbitragem cercada pelo batalhão de choque da Polícia Militar dá o tom de como foi polêmica, no mínimo polêmica a atuação de Antônio Lopes. 

Fotos: Fábio Lima/Cidade Verde

O Piauí reclamou do pênalti marcado contra o clube, sofrido e convertido por Viola. 

Depois se revolvou com a falta que resultou na expulsão de Alisson - que seria apenas o primeiro a levar cartão vermelho na partida. As imagens mostram até que Negueba parece cavar a falta, mas o zagueiro do Piauí fez o gesto para puxar o riverino pelo ombro. Deu razão ao juiz. 

Os lances foram o suficiente para deixar jogadores e comissão técnica com os nervos a flor da pele. Mas faltou firmeza na atuação do árbitro, que em alguns momentos parecia perdido. Antonio Lopes demorou para dar o cartão para Alisson - se foi falta no último homem, teria de ter aplicado a punição de imediato. 

Houve um princípio de confusão entre jogadores dos dois times no primeiro tempo e o árbitro olhava para outro lado do campo. Na etapa final, a confusão foi no banco de reservas e foram os próprios clubes que contornaram a situação, sem arbitragem e sem polícia. 

Era o cenário para que o futebol deixasse o protagonismo do jogo.

Segundo Ato - o cai-cai

O Piauí teve mais dois jogadores expulsos: Dudu por supostamente atrasar sua saída na substituição, e Testinha, por falta.

Nos minutos finais, falta para o River perto da grande área. Na cobrança... não teve cobrança. 

Nil e Cinelton caíram em campo. Alegaram não ter mais condições físicas de continuarem na partida. Com cinco a menos no Piauí, o árbitro não poderia seguir o jogo e deu o assunto por encerrado. 

O presidente do Piauí, Jacob Júnior, disse que os jogadores estavam desgastados por terem corrido em campo por um time com três a menos. 

Mas quem estava no estádio viu, sim, gestos com os braços de encerrar, de parar... Eu mesmo vi. 

Difícil vai ser o River conseguir provar o cai-cai, mas é muita coincidência que o time que pode sofrer um gol no último lance do jogo perca dois jogadores de uma vez por desgaste físico ou lesão. 

Terceiro Ato - a revolta da torcida

Após o jogo, enquanto o Piauí reclamava do árbitro e o River se queixava do suposto "cai-cai", torcedores riverinos ignoravam as duas situações. A revolta era pelo fato de o Galo não conseguir vencer, com três jogadores a mais, o time rubroanil. 

Tudo bem, teve o Humberto expulso. Mas ainda assim eram dois a mais. 

E teve uma bola do Viola na trave no segundo tempo, é verdade. Mas o River pouco produziu. 

Eduardo Hungaro disse que o jogo do Piauí foi não jogar, fazer muitas faltas e evitar que o River jogasse também. Pode não ser o melhor do espírito esportivo, mas deu certo para o rubroanil.

Enquanto o treinador concedia entrevista coletiva, torcedores se aglomeraram no portão que leva ao vestiário tricolor. Gritavam contra o treinador, que soma dois empates seguidos contra equipes que, em tese, brigam mais para não cair do que pelo título. Foram muitos xingamentos e outras palavras que seus filhos pequenos não podem ouvir ou ler. 

A tropa de choque foi acionada para proteger o ônibus, que recebeu os jogadores aos gritos de "vergonha, time sem vergonha". 

A revolta aumentou depois de um jogador supostamente xingar um dos membros da torcida organizada River Chopp - sim, não eram torcedores da Esporão do Galo, é bom frisar.   

O carro do técnico foi cercado por riverinos e foi necessário que a polícia intervisse para que o veículo deixasse o estádio. 

Tudo isso e ninguém vai falar do gol de falta de Dudu, no começo do jogo. Nem de Viola isolado na artilharia, após o gol de pênalti. Só a tropa de choque se destaca nas fotos. Porque quanto mais se tenta fazer o futebol dar certo dentro de campo, mais parece se querer tirar o protagonismo do espetáculo. É a várzea que não quer deixar de ser várzea.