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No TJD, Parnahyba 5x0 Flamengo. No agregado, 7 a 1. E todos perdemos: perdemos tempo

Foto: Fábio Lima/Cidade Verde

É o fim da novela - pelo menos é o que parece. 

A polêmica envolvendo a falta de plural em um trecho do regulamento do Campeonato Piauiense não foi resolvida com ou sem a letra S. A solução foi um cifrão. 

A taxa que o Flamengo deveria pagar para abrir o processo contra o Parnahyba custa R$ 1.500. O clube alega que não deveria arcar com essa despesa, mas o Tribunal de Justiça Desportiva do Piauí (TJD-PI) entendeu que sim: 5 a 0 e o caso foi arquivado sem ser debatido. 

Foi 2 a 1 em campo. Com 5 a 0 fora dele, dá até pra dizer que o Parnahyba venceu por 7 a 1. Vai ter torcedor chamando o time de Tubaremanha depois dessa. 

A novela acaba sem sequer sabermos o resultado dela. O que deve ocorrer, como já antecipou o presidente do Flamengo, Tiago Vasconcelos, é a mudança no regulamento para o próximo ano, com o intuito de se evitar nova polêmica. 

Felizmente, essa situação durou pouco mais de duas semanas. É pouco tempo, mas parece mais se olharmos para a tabela do Campeonato Piauiense. Foram oito jogos disputados nesse período. Teve jogador que deixou de ser escalado por conta da dúvida levantada pelo Flamengo. Dúvida e insegurança que mexeu com os times e levou o torneio para fora de campo. 

Mais que isso. A imprensa, que tem de se ater aos fatos, acaba se voltando para a celeuma ao invés de priorizar o futebol dentro de campo. Vamos ter clássico Rivengo nesta quarta-feira (19) e ainda estamos falando da sessão de ontem do TJD. Perdemos tempo falando de problemas, porque não podemos ignorá-los, mas o ideal é que essas notícias não existissem.  

Nessa história, ninguém está certo e todo mundo está errado. A federação redigiu o regulamento, que deveria não dar espaço para nenhuma dúvida. Mas todos os clubes assinaram embaixo. 

Até o argumento de que o processo valeu para criticar o regulamento, para mostrar que ele precisa ser redigido de forma mais clara, merece questionamento. Não seria melhor uma revisão prévia, alertar antes que o erro existe, do que passarmos por toda essa celeuma? 

Antes da disputa de pontos no tapetão, os clubes precisam pensar o que é melhor para o campeonato como um todo. Em uma situação como essa, todos perdem, inclusive quem não se envolveu com a ação. O torneio denota amadorismo e perde credibilidade. 

Ao invés da disputa clubística, é preciso pensar primeiro na sobrevivência da competição. Do contrário, em 2018 vamos discutir se um jogador pode tomar um terceiro cartão amarelo na partida.