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Infidelidade entre casais já atinge 70% dos brasileiros

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Cada vez mais comuns escândalos nos meios de comunicação envolvendo traições entre os casais, uma recente pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) pode levar alguns casais a perder o sono. Entre os homens, o percentual daqueles que dizem já ter traído pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é de 56,4%.

O levantamento mostra que apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um parceiro. Entre as principais formas de traição, a pesquisa revela que os brasileiros são os que mais fazem sexo pela internet (53,1% dizem ter tido a experiência), contra 45,8% no restante do continente. Outro problema apresentado pelos entrevistados está na falta de diálogo entre os casais, metade (49,8%) diz que só às vezes conversam com o parceiro e 6,4% afirmam que isso nunca acontece. No Brasil, 42% dizem conversar sempre.

Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora da pesquisa, é mais fácil trair no Brasil e na América Latina, onde se lida com a questão de um jeito diferente, de forma não tão condenável, especialmente no caso dos homens. “É um traço cultural do latino em geral, presente também nos franceses, espanhóis e italianos. Se incorpora ao casamento a ideia de que é complicado viver anos com uma pessoa sem ter ao menos uma experiência extraconjugal”, explica.

O especialista em Direito de Família, Josino Ribeiro Neto, recebe constantemente em seu escritório casais em busca do divórcio após descobrirem uma traição. “Atualmente o processo de divórcio, sobretudo, após a edição da EMENDA CONSTITUCIONAL n. 66, de 13 de julho de 2010, restou desburocratizado, isto é, bastante facilitado. Após descobrirem a relação extra conjugal, principalmente, as mulheres buscam saber seus direitos e a guarda dos filhos”, conta.

Josino alerta que a infidelidade pode causar a perda de pensão alimentícia ou um processo de danos morais. Tudo irá depender das provas reunidas e se for comprovado o ato de indignidade perde esses direitos. “A partir do momento que for provada a indignidade, isso pode acarretar consequências graves, como a perda da pensão alimentícia. Judicialmente a traição não resulta na perda da guarda dos filhos. Por mais que a mulher seja uma péssima esposa, pode ser uma ótima pessoa e mãe. Isso não interfere na educação dos filhos”, explica.

Porém, os parceiros devem ficar atentos pois dependo da traição pode sair caro para o bolso. “As consequências psicológicas do adultério não podem ser ignoradas pelo Judiciário, a quem compete atribuir um valor pecuniário para amenizar o sofrimento experimentado pela vítima”, alerta Josino Ribeiro Neto.

Pesquisa sobre a sexualidade na América Latina foi realizada em 11 países.

 

redacao@cidadeverde.com

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