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Motoristas de ônibus revelam o estresse da profissão

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  • motoristas.jpg Calor e trânsito são reclamações
  • motoristas-_(2).jpg Motoristas enfrentam longas jornadas pelas ruas da cidade
  • motoristas-_(1).jpg Motoristas enfrentam o trânsito de Teresina

A situação do transporte público em Teresina não é desagradável apenas para os usuários. O Cidadeverde.com conversou com alguns motoristas de ônibus da capital que relataram a pressão e o estresse da profissão. Em alguns casos, os trabalhadores desenvolveram problemas de saúde como a depressão.

“O trânsito por si só já é estressante. Além disso, o calor e o contato direto com o público tornam o trabalho mais difícil. Porque as pessoas costumam reclamar com a gente sobre o que está de errado, ouvimos reclamações dos usuários e da empresa, mas ninguém nos ouve”, revelou um motorista que preferiu não se identificar.

Funcionário do sistema de transporte público de Teresina há cerca de seis anos, ele revela que a família já se reuniu para exigir que ele pedisse demissão. “Eles disseram que eu vivia estressado e que estavam preocupados comigo. Falaram que eu deveria ver um médico, porque eu estava diferente”, contou o motorista.

Após a consulta, o médico revelou que ele poderia estar com depressão, isso fez com que a família aumentasse a pressão para que o motorista saísse da profissão. “Eu pensei muito sobre isso, mas só de pensar em procurar outro emprego, de deixar amigos para trás, me deixou na dúvida. Então comecei a tomar remédio controlado e ter acompanhamento psicológico. Depois disso foi que consegui voltar ao normal e parei de me estressar tanto com o trabalho. Comecei a entender que minha saúde é o que importa”, disse.

Francisco das Chagas Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Rodoviárias do Estado do Piauí (Sintetro), ressalta a dificuldade da categoria. “A profissão de motorista é muito estressante. Por mais que a prefeitura fiscalize os horários, (o trabalho) não deixa de ser corrido. Além disso, o tempo da jornada causa divergências entre os usuários e o motorista e o cobrador porque eles não entendem que, quando há atrasos, não é uma culpa nossa. Os carros que dão problema, o sol, o calor do motor, as altas temperaturas, o engarrafamento”, cita. 

 

Wilson Filho/Cidadeverde.com


Francisco das Chagas, presidente do Sintetro

 

O resultado disso tudo, segundo Chagas, o estresse e várias doenças como enfermidades na coluna, depressão e hemorroidas, são os problemas de saúde mais comuns. “Quando o motorista chega aos dez anos de profissão, ele já apresenta muitas doenças e sai do trabalho por várias causas, pedindo licença pelo INSS”, informa.

O presidente acrescenta que mudanças como a colocação de uma proteção de borracha nos consoles dos motores, a climatização dos coletivos seriam essenciais para a melhoria das condições de saúde dos motoristas. “No edital de licitação, estavam previstos que 10% da frota teria que ser climatizada, mas até agora, nada foi implantado. Isso ajudaria muito”, descreve.

 

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Lucas Marreiros (Especial para o CidadeVerde.com)
Carlos Lustosa Filho

redacao@cidadeverde.cm

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