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“Quem está mandando na UTI é juiz” , desabafa médico ameaçado de prisão

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Era 22h do último sábado quando o médico Leonardo Ferreira Amorim, 37 anos, foi surpreendido dentro da sala da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com uma intimação de que poderia ser preso. Ele conta ao Cidadeverde.com que estava fazendo atendimento aos pacientes quando foi comunicado da liminar. O primeiro impacto foi de surpresa e depois de revolta.

“É como se você ficasse sem chão. Me neguei a assinar a ordem judicial, pois achei absurda, como podemos ser punidos por falta de leitos, se não gerenciamos leitos de UTI. Ficamos todos assustados”, disse Leonardo que desde 2012 trabalha no Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

De janeiro até hoje, o HUT recebeu mais de 260 liminares obrigando a internações na UTI. Com a mais recente decisão da justiça, o clima ficou tenso, já que a liminar diz que se o paciente morrer o médico será responsável cível e criminalmente. 

Leonardo conta que virou rotina a chegada de liminares da UTI do hospital. “Pior do que cuidar dos pacientes, às vezes em situação precária, é sentir ameaçado e responsabilizado por competências que não são suas. Se tivéssemos leitos disponíveis não teríamos essa pressão. Os juízes estão desviando o foco dos principais responsáveis”.

O médico reclamou da falta de proteção, já que teve que acionar um advogado pessoal para que não fosse preso. 

Leonardo adverte que a imposição da justiça provoca uma série de problemas, já que a internação na UTI passar por protocolos. De acordo com ele, se as normas não forem seguidos o hospital coloca em risco de mortes pacientes.

“Quem está mandando na UTI é juiz. Há pacientes que estão na fila em situação mais grave e a liminar é que decide”. 

“É uma profissão desgastante ser médico intensivista  já que o profissional passa noites insones é o nosso costume agora ter que enfrentar problemas de infraestrutura básica do hospital que não oferece segurança jurídica nenhuma a seus empregados. Somos obrigados a fazer aparecer leitos de UTI do nada. Se há leitos nos outros hospitais não somos donos deles. Sou responsável pelos oito leitos que atendo nos meus plantões. Não agimos de má fe, não negamos vaga. Parte o coração não oferecer vaga a quem tem um mínimo de chance de sobreviver, mas a saúde é quem não oferece vaga, não nos”, desabafa o médico.

Ontem, o CRM (Conselho Regional de Medicina) conseguiu habeas corpus proibindo a prisão de médicos que se negarem a internação de pacientes no hospital.

 

Flash Yala Sena
yalasena@cidadeverde.com

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