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Feito em Casa: Painel em igreja de Esperantina(PI) gera polêmica

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O Feito em Casa, deste sábado(04/03), promoveu um debate que vem acontecendo em Esperantina(PI), sobre a retirada de um painel da igreja matriz da cidade, pintado em 1983 pelo artista João Batista, de Pedro II, e que retrata o calvário de Cristo usando figuras e situações da realidade da época, quando o Brasil vivia no regime militar.

O apresentador Cineas Santos foi ao município e ouviu a opinião do atual pároco da igreja, padre Evandro; do historiado Edmilson; do vigário da cidade, Bernardo Carvalho, e de João Barros, um cidadão que participou das lutas contra à ditadura. No estúdio do programa, conversou ainda com uma importante liderança religiosa e política de Esperantina, o padre Ladislau João da Silva.

O padre Evandro afirmou que não existe um apoio geral da comunidade à manutenção do painel, por isso, houve uma decisão episcopal, tomada após conversa com o bispo Dom Juarez, de Parnaíba(PI), para que a obra seja preservada por enquanto até que se monte uma comissão na cidade para avaliar se o povo de Esperantina quer que o painel saia ou permaneça na igreja.

Cineas lembrou ao pároco que o Ministério da Cultura e o Conselho Estadual de Cultura irão se manifestar oficialmente contra a destruição da obra, que para o apresentador, realmente mexeu com a vida da cidade porque algumas pessoas conhecidas se sentiram retratadas, o que gerou uma resistência.

O historiador Edmilson opinou contra a destruição do painel, pois tem um grande significado para a população de Esperantina e possui uma importância relevante no processo histórico da cidade. "É a memória daquela época que não pode ser apagada e esquecida", frisou. O. eletrotécnico  João Barros, que participou das lutas sociais na cidade, também defende a manutenção da obra e disse que mesmo tendo sido feita há 34 anos, infelizmente, representa uma realidade atual, pois ainda há violência no campo, contra à mulher, violência policial, assassinatos e o povo passando fome, O vigário Bernardo Carvalho é outra pessoa contrária a destruição do painel. Para ele, a pintura o remete a um tempo em que a igreja precisava se posicionar mediante a sociedade esperantinense, além da obra ser um registro histórico.

Já no estúdio do Feito em Casa, o padre Ladislau João da Silva, que morou em Esperantina por 23 anos, defendeu a manutenção do painel, Segundo ele, o mesmo foi criado com a intenção de trazer o calvário de Cristo para a realidade de hoje e para contemplar um Jesus crucificado na vida dos pobres. "Não era para insultar ninguém era para inquietar", explicou, acrescentando que a cruz de Cristo nos inquieta, pois mostra o corpo de um jovem[Jesus] humilhado e desrespeitado, que também está presente nas dores dos pobres e dos pequenos e se não quisermos enxergar isso era bom tirar as cruzes das igrejas e colocar um Cristo diferente e totalmente fora da realidade, o que não seria o papel da igreja.

O sacerdote disse acreditar que assim como Jesus, que sofreu mas depois foi glorificado, o sofrimento em nosso País chegará ao fim.  "O povo de Deus, tão sofrido nesses vários anos de Brasil,vai ser vitorioso um dia. Essa estrutura diabólica, que produz a corrupção, fome e miséria, vai acabar um dia', concluiu. 

Na entrevista com padre Ladislau, Cineas lembrou que o mesmo teve vários embates quando morou em Esperantina, os quais, segundo o sacerdote, ocorreram em consequência de sua opção pelos pobres. Ladislau disse que tomou algumas posições em defesa dos menos favorecidos que eram explorados e humilhados pelos "grandes". "A gente estava iniciando o trabalho pastoral e a caminhada da igreja  naquela região e isso me deu muito fogo para anunciar um Cristo que inquietava,não era aquele doce, mas comprometido com a libertação dos povos", falou.

Ao final da entrevista, Cineas posiciomou-se e disse que destruir o painel no mínimo seria um crime, pois é uma obra com valor artístico e não foi feita por acaso.

Confira nos vídeos as entrevistas e conheça o painel:


Marcelo Lopes
marcelolopes@cidadeverde.com

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