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A trajetória de Martins Scorsese é tema de exposição em Nova York

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O Museum of Moving Image, no Queens, fica ao lado do legendário Kaufman estúdios e abriga peças e imagens que atraem não apenas cinéfilos, mas também visitantes interessados na história da televisão e do entretenimento. O acervo permanente, um dos maiores do mundo sobre o tema, reúne desde figurinos originais, máscaras, fotografias, mobília, maquetes, até vídeos raros com cenas de filmes que marcaram a época do cinema mudo, equipamentos de produção e as primeiras televisões que hoje são, literalmente, “peças de museu”, mas que já estiveram na vanguarda da tecnologia e do consumo.

Apesar de estar fora do Museum Mile (eixo tradicional em Manhattan), o espaço é um grande atrativo pelo caráter interativo da visita, que permite ao público fazer pequenas edições de áudio e imagem, dublagens alternativas de filmes conhecidos, e experimentar, assim, a complexidade do processo de produção.

E é justamente nesse espaço que Martin Scorsese, um dos maiores cineastas do cinema norte-americano, reconhecido pela extensa filmografia e por seu trabalho em prol da preservação do cinema e sua história, é tema de exposição até 23 de abril.

Na entrada, um aviso adverte aos incautos que violência e profanação estão presentes e dá pistas sobre o acervo que traz elementos biográficos e amplo material, incluindo móveis da residência da família em Nova York e materiais de produção — notas de edição, roteiros de filmes, fotos, desenhos, além de cartazes originais de filmes que inspiraram o  diretor como Le Vitelloni e 8 ½, de Federico Fellini, e Disque M para matar, de Alfred Hitchcock.

Coleção pessoal

Robert de Niro, parceiro frequente de Scorcese, está presente em imagens e objetos e contribui com peças de sua coleção pessoal como, por exemplo, as fotos de Stalin, Nietzsche e Patton mantidas na cela de Max Cady (personagem interpretado pelo ator em Cabo do medo).

Ainda estão presentes as luvas usadas por De Niro na interpretação de Jake la Motta, em Touro Indomável, e a curiosa carteira de motorista de táxi obtida por ele, em 1975, como parte da preparação para seu papel em Taxi driver. Obviamente, outra longa parceria — com Leonardo de Caprio também está representada em vários itens da mostra.

É possível ver, ao longo da exposição, como a associação entre o uso redentor da violência e a autodestruição é um dos tantos temas recorrentes nos filmes de Scorsese. Por mais que o uso do ambiente como expressão do universo interior dos personagens nao seja uma exclusividade, a forma como o diretor utiliza ambientes urbanos, sobretudo de Nova York, explorando a intensidade de espaços fechados, para tratar dramas individuais, corrobora seu estilo.

Materiais exclusivos

Não casualmente, a mostra traz um mapa de Nova York marcando passagens de filmes que vão desde Gangues de Nova York (1993), Idade da inocência (1993), Caminhos perigosos (1973) e, obviamente, Taxi driver (1976). Além disso, há materiais exclusivos do último filme do diretor, Silêncio (2016).

A paixão do cineasta pelo cinema pode ser vista nos esforços de restauração empreendidos por ele quando percebeu, em 1990, a deterioração progressiva dos negativos coloridos e se empenhou em sensibilizar a Kodak para investir em novas tecnologias e materiais. Nesse mesmo período, criou a Film Foundation em parceria com Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick, justamente para preservar o legado do cinema.

Em mais uma homenagem ao cinema, Scorsese fez a Invenção de Hugo Cabret, provavelmente um dos mais acertados usos do 3D, usando a técnica como recurso narrativo, permitindo ao expectador compartilhar momentos de encantamento dos personagens. Não deixa de ser curioso, portanto, ver os famosos óculos do diretor acoplados a uma armação 3D, empregada em testes de edição desse filme.

A foto de uma confraria de gênios do cinema e amigos — Coppola, Spielberg e George Lucas entregando o primeiro (e muito tardio) Oscar para Scorsese por Os infiltrados (2006) —, confere o peso devido ao diretor, que é parte viva da história do cinema e continua contribuindo para seu futuro.

Fonte: Correio Braziliense

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