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Padrasto de soldado morto grava vídeo e manda recado aos pais

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O mecânico Antônio Marcos Oliveira Santos, padrasto do soldado que morreu em um acidente com a tropa do Exército, fez um desabafo por meio de um vídeo postado na rede social do Facebook. Emocionado, ele relembra que servir às Força Armadas era um sonho de Pedro Henrique Pimentel e que se sente muito orgulhoso pelo enteado. Ele também aconselha os pais a demonstrarem mais amor aos filhos.

"Era o sonho dele. Acho que eu alimentei esse sonho porque eu criei um homem para ser homem, para ser respeitador, para ser gentil e sempre ajudar o próximo. Quem o conheceu sabe do que estou falando. Eu disse a ele que um homem pra viver tem que ter um propósito, porque viver por nada é o mesmo que estar morto", desabafa.

O vídeo foi gravado em uma oficina mecânica. O padrasto revela que, anteriomente, ainda não havia conseguido falar sobre a perda do enteado.

"Estou gravando esse vídeo porque não consegui falar nada com ninguém, quem me conhece sabe que não sou de demonstrar emoções, não sou de sentir uma coisa que dilacera por muito tempo. Procuro, bloquear...Ele foi criado e ensinado da melhor maneira possível. Se eu falhei, não posso afirmar...porque por mais que você faça nunca é o suficiente", disse o padrasto. 

Antônio Marcos demonstra certo arrependimento por ter demonstrado pouco amor ao enteado e aconselha: "Quem tem seus filhos, dê carinho, dê amor, abrace, diga que o ama porque eu fiz isso muito pouco com ele porque sempre achei que isso seria um lado de fraqueza pois treinei ele para ser homem, ser duro, ser valente e não se dobrar diante das intempéries da vida. Estou muito orgulhoso da pessoa que ele se formou, da pessoa que ele se tornou, da pessoa que ele era: amado, respeitador e honesto acima de tudo", desabafa. 

O acidente que matou o soldado Pimentel deixou 25 militares feridos. Até o momento, as causas do capotamente ainda não foram confirmadas. No vídeo, o padrastro agradece ainda o apoio do Exército Brasileiro.

"Quando ele resolveu ingressar nas Forças Armadas, eu disse que era uma escola, uma instituição séria que sempre iria apoiá-lo, mas uma instituição que- se eu um dia briguei com ele, corrigi ou disciplinei-  no Exército isso seria multiplicado por mil, um milhão, pois lá é onde os homens são forjados, lá é onde os homens são ensinados, levados à exaustão para que possam defender a nossa nação...Portanto, agradeço ao Exército Brasileiro por tê-lo acolhido. Infelizmente, ele foi uma baixa, estava em missão, cumpriu e na volta aconteceu essa fatalidade. Não vou discutir as condições, não vou discutir nada, porque isso não vem ao caso. Respeito muito a instituição..ela deu todo o apoio, se prontificou a tudo. Se ele não tivesse falecido, que sabe até onde chegaria", disse. 


Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

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