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Jovem em tratamento contra o Oxi faz desabafo no Jornal do Piauí

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Quem conhece o jovem Adédio Machado hoje não imagina o que ele já enfrentou para se livrar do Oxi, a nova droga que tem feito vítimas em vários Estados brasileiros, inclusive no Piauí. “Eu cheguei a roubar. Fui até preso. Cheguei ao fundo do poço, trocava até as roupas que eu vestia pelo óleo (Oxi)”, declarou o ex-usuário no Jornal do Piauí. O debate foi comandado por Amadeu Campos na tarde desta quinta-feira (12) e contou com a participação do coordenador da Fazenda da Paz, Célio Barbosa e do jornalista Wellington Raulino.

Fotos: Cidadeverde.com


Adédio tem 24 anos e começou a usar drogas aos 17. Conheceu primeiro a maconha, passou para o crack e encontrou o Oxi, também chamado de crack falso ou óleo. “Uma pessoa que eu conhecia, uma má influência, me mostrou o óleo. Eu me viciei rápido porque o efeito era mais forte. Eu sentia prazer naquilo. A sensação é mil e quinhentas vezes maior, coração dispara, dá uma sensação de medo, de perseguição. Se cair uma folha, você escuta”, contou.


 
Por causa do vício, o jovem começou a roubar e a vender seus objetos pessoais para conseguir as chamadas “cabeças”, nome dado à porção de Oxi. “Atinge tudo, você fica tremendo. Todo o dinheiro que eu pegava eu usava para comprar o óleo, se eu tinha R$ 300, ele ia todo nas cabeças. E o efeito passava muito rápido, era questão de cinco minutos. Daí o corpo já pede a droga de novo”.



 
Sem outra opção, a irmã de Adédio pediu que ele fizesse um tratamento. Vendo tudo que tinha perdido, o jovem resolveu pedir ajuda na Fazenda da Paz. “Eu percebi que estava na pior. Estava fazendo minha família sofrer. Então eu decidir ir à Fazenda da Paz e começar um tratamento. Estou lá há 8 meses. Não tem coisa melhor que a vida sem as drogas. O caminho realmente é procurar ajuda”, aconselha.


Tratamento e reintegração
Segundo o coordenador da Fazenda da Paz, Célio Barbosa, atualmente há 158 internos na casa de tratamento, destes 85 eram usuários de Oxi. “Essa droga veio da Amazônia, passou por vários Estados brasileiros e chegou ao Piauí. É feita à base de cocaína, cal virgem, água de bateria e combustível. E mata, tem matado muitos por aí”, alertou.


 
Célio disse que o tratamento oferecido pela Fazenda da Paz parte do reconhecimento dos valores pessoais. “Fazemos terapias, reuniões sobre os valores, os sentimentos. Trabalhamos a parte espiritual. Depois ensinamos alguma profissão para o ex-usuário, para que eles possam se reintegrar à sociedade”, explicou.
 
Durante o tratamento, o interno passa a morar na instituição e recebe orientação 24 horas por dia. Depois desse período, é devolvido para a família, mas permanece no acompanhamento por até dois anos. Falta pouco para Adédio sair da Fazenda da Paz. Nesses últimos meses, ele começará a aprender a profissão de marceneiro.
 
“Eu estou firme. A vida é bem melhor sem a droga”, finalizou Adédio.
 
Jordana Cury (Especial para o Cidadeverde.com)
redacao@cidadeverde.com
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