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"O cinema precisa da diversidade do olhar feminino", defende Leandra Leal ao lançar Divinas Divas

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Pela primeira vez comandando as câmeras, a atriz Leandra Leal ganhou agora o título de cineasta após o lançamento do seu primeiro filme como diretora, Divinas Divas. A película eterniza a história de oito artistas transsexuais que encararam de frente a repressão da ditadura militar e até hoje fazem da sua história um verdadeiro legado para o público LGBT de todo o país. 

Leandra encarou os próprios medos ao embarcar nesse desafio e como ela nos conta a ideia de dirigir um filme demorou a ser bancada por ela. "Eu acho que demorei muito a bancar essa ideia de ser diretora, mas muito por falta de exemplos, não havia espelhos. De 25 filmes que eu fiz, apenas um foi dirigido por mulher. O cinema precisa da diversidade do olhar feminino", defende a diretora que já foi consagrada com cinco prêmios, entre eles por votação popular. 

O documentário traz para a cena a intimidade, o talento e as histórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época.

"Não é um filme militante. Ele não nasceu com esse propósito, mas ele acabou se tornando um ato político como quase tudo que fazemos em nossa vida. O filme fala da história das nossas divas e mostra pra essa juventude que só conhece RuPaul que aqui nós também temos tradição nessa arte", pontua Leandra.

Nos bastidores do Teatro Rival, do avô de Leandra, foi onde despertou seu interesse pela arte e foi lá também onde o espetáculo Divinas Divas, homônimo do filme surgiu e passou 10 anos em cartaz. 

Jane di Castro, uma das primeiras artistas transexuais brasileiras, integra o elenco do filme, que se mistura com a vida de Leandra. No auge da ditadura, quando era proibido que um homem se vestisse de mulher Jane, inclusive, chegou a ser presa enquanto se apresentava no Beco das Garrafas, reduto da boêmia carioca. 

Para ela o passado não é motivo de tristeza e sim de orgulho, hoje aos 69anos, Jane se considera uma artista renovada e com a carreira alavancada novamente pelo filme. "Te confesso que foi difícil conseguir reunir todas as divinas para esse filme, mas hoje estamos eternizadas nele. Eu conheço a Leandra de dentro da barriga dela, e ela conseguiu com muita competência mostrar o que nós somos. Não uma versão de nós. Esse filme nos retrata", pontua a artista.

Novata no comando das câmeras, Leandra se diz transformada e depois do acesso da primeira iniciativa já tem novos projetos em mente. "O importante agora é que tenho gás e estou desperta para projetos futuros. Eu amo meu trabalho como atriz e não deixarei ele de lado, mas dirigir e ainda dirigir ficção, que é muito mais difícil faz parte destes meus projetos", finaliza.

O filme Divinas Divas está em cartaz nos cinemas do Teresina Shopping em duas sessões às 19h30 e as 21h50.