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Suzane Jales

Onde estão as cartas do seu jogo?

Meu pai era um apreciador de um bom jogo de buraco. Na época que morávamos na rua da Estrela (nome lindo que a Prefeitura decidiu mudar para o sem sal Desembargador Freitas), fazíamos noitadas desse jogo de cartas em nossa casa.

Eu era pequena, mas via que os amigos de meus irmãos enchiam o nosso lar, que exalava diversão e alegria quase todos os dias. Há pouco tempo, um deles mandou um presente para minha mãe com uma carta que dizia: Vocês foram a minha referência de família!

Isso, realmente, nos enche de orgulho!

Lembrei muito dessa parte da minha vida, quando li a história de um rabino judeu que esteve preso no Gulag – um terrível conjunto de campos de trabalho forçado que Stalin construiu na Sibéria.

Esse rabino contou que, no Gulag, o regulamento era muito rigoroso e, entre muitas coisas, proibia o jogo de cartas. A pena para quem não cumprisse essa regra era uma solitária numa cela subterrânea, o que, com o inverno rigoroso da Sibéria, era quase uma sentença de morte.

Mas os presos preferiam assumir o risco de perder a vida a deixar de jogar: única alegria que tinham nas madrugadas da prisão.

Só que, conta o rabino em suas memórias, eles foram dedurados e os soldados se armaram para pegar os infratores: revistaram todos os presos e seus pertences, mas não encontraram o baralho.

De madrugada, tentaram novo flagrante: todos os presos ficaram nus e foi feita uma revista ainda mais rigorosa… e nada! Não deu outra: os guardas descontaram toda a raiva no preso que havia denunciado a infração.

Depois que foram deixados sozinhos, o rabino perguntou aos colegas de cela como haviam conseguido esconder a “arma do crime” tão bem. Sorrindo, eles disseram que eram “batedores de carteira” e faziam isso como ninguém. Quando a turma da vigilância entrou, o preso que estava com o baralho “escondeu-o” no bolso de um dos guardas. No final da revista, de maneira discreta, outro preso pegou-o de volta. “Eles jamais pensariam em procurar o baralho em si mesmos”, explicou o detento.

Simples assim!

Agora, cá entre nós, isso também não acontece conosco? Quantas vezes a gente não procura a fonte dos nossos problemas nos outros? Quanta vezes também não procuramos a solução fora de nós?

É assim que culpamos o nosso chefe, os clientes, a economia, o mercado, os políticos… Enfim!

É claro que não está em nossas mãos uma porção de coisas. Mas como se sentir com algo que nos aconteça e o que fazer a respeito depende somente de nós.

Fica aqui a sugestão: em nenhum momento, devemos esquecer que temos, internamente, as ferramentas necessárias para dar a volta por cima… apesar do que nos aconteça.

Beijos mil e até o próximo!

Suzane Jales - sua coach
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