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Suzane Jales

Os perfumes que você carrega

Um amigo enviou-me um texto de Paramahansa Yogananda que ele traduziu. É a história do almiscareiro do Himalaia. Uma coisa linda que compartilho com você no final deste artigo.

Após ler, eu tive a curiosidade de checar no Google a figura desse animal, um grande desconhecido para mim… e dei de cara com o site de um biólogo onde ele nos dá uma grande aula sobre o almíscar – nome dado a um perfume obtido a partir de uma substância de forte odor, secretada por uma glândula do veado-almiscareiro (o da história que meu amigo traduziu e que é a comercializada), de outros animais, chamados de almiscadaros, como uma espécie de boi (Ovibos moschatus), de pato (Biziura lobata) e até rato (Ondatra zibethicus), dentre outros animais. Tem até em algumas plantas.

Na história do almiscareiro do Himalaia, Paramahansa Yogananda conta que ele fica saltitando por toda parte, farejando em busca da origem daquele perfume maravilhoso. Só esquece de procurar dentro de si!

No final, ele nos compara com o almiscareiro… Boa!

Pois eu lhe convido a fazer isso também, mas sob uma outra percepção. Use a sua imaginação e visualize a cena: você exalando aquele cheiro maravilhoso… e sem sentir! Assim, nem sequer ia procurar por ele.

Aqui vale uma pausa. Aprendemos lá nos bancos escolares que o sentido do olfato ajuda-nos a detectar sinal de alerta assim que entramos em contato com um cheiro diferente. É quando o sentimos mais forte, pois é um sinal do cérebro para verificarmos se este cheiro vem de algo de nosso interesse, como um possível alimento ou algum tipo de ameaça, por exemplo.

Acontece que, quando permanecemos no mesmo ambiente, sujeitos ao mesmo cheiro por um certo tempo, o cérebro entende que este cheiro não é interessante, que não iremos reagir a ele, então a sensação começa a diminuir, até mesmo para que possamos prestar atenção a novos cheiros que venham a surgir.

Você lembra de ter chegado a algum ambiente com cheiro ruim ou bom e que as pessoas que já estavam lá nem percebiam mais esse odor? É exatamente assim que acontece…

Dito isso, voltemos a sua imaginação: você exalando um perfume maravilhoso, mas, por este fazer parte do seu dia a dia, nem o sente mais.

Você deve estar se perguntando: onde ela quer chegar com essa história?

Estamos quase lá!

No curso Líder Coach – Liderança com a Filosofia do Coaching, que ministro nas empresas, tem uma hora que considero fundamental: o resgate da motivação que cada um tem dentro de si. É impressionante a surpresa que muitos têm ao descobrir dentro de si uma força fantástica, capaz de mudar a  própria vida (e ajudar a mudar o mundo, por que não?), que está lá: guardadinha, escondida em seu interior e nem se dava conta.

Isso acontece com a motivação e outras tantas coisas que você tem dentro de si e talvez já nem perceba mais… Como alguns talentos, por exemplo. É que talento é algo que se faz de maneira tão natural que, às vezes, nem percebemos que os temos.

Será que isso também não está acontecendo com você?

Você sabe os perfumes que carrega e nem percebe?

É por isso que  reforço sempre a importância do autoconhecimento. Quando você se conhecer melhor, vai descobrir tanta coisa boa dentro de si…

Tá bom: da mesma forma, vai descobrir coisas ruins. Mas isso também é bom. Afinal, nós só podemos modificar algo que sabemos existir, não é verdade? Então, de qualquer forma, conhecer-se é sempre muito bom!

E, por falar nisso, como você anda contribuindo para o seu autoconhecimento?

Ah, você pode ir além com sua reflexão: pense nas pessoas com quem se relaciona e nas coisas que tem ao seu redor… Quantas vezes você já parou para “senti-las”? Muitas vezes, só damos valor ao que temos depois que perdemos…

Essa é a nossa reflexão de hoje. Espero que você tenha gostado… Se sim, compartilha com os amigos!

Beijos mil e até o próximo!

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O almiscareiro do Himalaia

O almíscar é uma substância de extremada fragrância, muito valiosa,  encontrada apenas numa pequena bolsa sob a pele do abdômen do almiscareiro macho, que habita as mais altas montanhas do Himalaia na Índia. De odor inebriante, brota do seu umbigo após determinada idade.  Esse perfume o excita e atrai de tal forma que passa a saltitar por toda parte, farejando em busca da sua origem embaixo das árvores e qualquer outro lugar por dias e até semanas.  Algumas vezes, por não conseguir localizá-la, acaba ficando extremamente nervoso e muito inquieto, e chega a saltar dos altos precipícios para a morte, num último e extremado esforço de encontrar a fonte daquela rara fragrância. No vale, os caçadores recolhem seu corpo e extraem a bolsa de almíscar.

Um Iluminado disse certa vez:  “Oh, tolo almiscareiro, buscastes a fragrância em todos os lugares, exceto em teu próprio corpo. Por isso não a encontrastes. Se ao menos tivesses tocado teu próprio umbigo com tuas narinas, terias encontrado o que tanto buscavas e, assim, escapado do suicídio nas rochas do vale.”

E parecem ser muitos os que se comportam como o almiscareiro. À medida que crescem, buscam pelo perfume da felicidade permanente fora de si mesmos – no jogo, nas tentações, no amor humano, e no escorregadio caminho da riqueza material – até que, finalmente, quando não conseguem mais encontrar a verdadeira felicidade, que reside escondida dentro de si mesmos, nos secretos recantos das suas próprias almas, pulam da colina da mais alta esperança ao encontro das rochas da desilusão.

Se simplesmente voltarmos nossas mentes diariamente para dentro de nós mesmos, em profunda meditação, encontraremos a fonte de toda a verdade e  felicidade eterna que existe precisamente dentro do mais profundo silêncio da nossa própria alma.

Amados buscadores!, não sejam como o almiscareiro que perece buscando a falsa felicidade, buscando no lugar errado!   Despertem! e encontrem o que buscam mergulhando na caverna da profunda contemplação.