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Suzane Jales

Refletindo sobre mudanças e transformações interiores

Quando sentei em frente ao computador para escrever e compartilhar minhas reflexões com você, lembrei-me de quando, anos atrás, estava escrevendo a biografia de Dom Miguel Fenelon Câmara, que foi arcebispo de minha cidade, e fiz algumas entrevistas com ele.

Em uma dessas entrevistas, eu perguntei sobre suas impressões a cerca de outros grandes líderes religiosos, de modo especial, o Dalai Lama. Ele, então, falou do respeito que tinha por todos aqueles que trabalham para que as pessoas vivam em paz, façam o bem e sejam generosas, independente da religião que possuem.

Achei perfeito, pois é assim que eu também sinto. Mas, confesso, foi uma surpresa ouvir isso de um arcebispo da igreja católica. Acho que imaginei outro tipo de resposta que nem ouso dizer…

Essa história veio à minha memória por um motivo especial: não é que eu estava estudando um pouco sobre essa minha ânsia de trabalhar na construção de um mundo melhor (e, muitas vezes, acho que estou fazendo pouco), quando me deparei exatamente com dois pensamentos de Dalai Lama?

No primeiro, ele disse: “Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Essas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto”.

No segundo, falou o seguinte: “É muito melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar… Antes de sair apontando o dedo para os defeitos alheios, saiba reconhecer as suas falhas e tente corrigi-las. É muito fácil criticar os outros, mas assumir os seus próprios defeitos pode ser um dos principais desafios da sua vida! E nunca esqueça, os defeitos dos outros não dependem de você, os seus, sim!”

Com isso, minha reflexão ampliou-se: a busca do autoconhecimento é contínua. Precisamos estar atentos ao que mudou no nosso interior e checar como podemos nos aperfeiçoar dentro da nova realidade que se descortina a cada dia…

Muitas perguntas passaram a ecoar dentro de mim… e lhe convido a também fazer essa reflexão comigo.

Será que estou tão preocupada com o exterior e esquecendo-me do que vem se passando no meu interior? Mais: o que estou fazendo para melhorar as coisas dentro da minha própria família?

Essa última pergunta teve muito a ver com o fato de termos reunidos nossos parentes na última semana para comemorar os 94 anos de minha mãe, Miriam. E quando se junta todo mundo é uma ótima oportunidade para se observar como, mesmo sendo da mesma família, as pessoas são tão diferentes…

A essas alturas, meu pensamento voou e percorri algumas cenas que vivi. De modo especial lembrei-me de um fato que aconteceu com meu pai, Cleanto Jales, e meu irmão mais velho, Carlos Roberto, ambos falecidos e que deixaram uma enorme saudade. Carlos, sempre muito correto, era candidato a prefeito de uma pequena cidade do interior do meu estado. Ele havia ficado muito chateado com a atitude de uma adversária e foi contar para o papai. O patriarca da nossa família pensou um pouco e deu um veredito que não era exatamente o que nós esperávamos: “É… fico aqui imaginando que, se eu estivesse no lugar dela, será que não faria do mesmo jeito?”.

Pois é… Quantas vezes nós criticamos a ação de uma pessoa, sem ter feito um esforço para entender seu “Mapa de Mundo”? Quantas vezes, estando em seu lugar – e com a carga das experiências que ela teve/viveu – não faria da mesma forma ou talvez até pior?

Quantas vezes nos lamentamos de algo que está acontecendo e que não podemos controlar e esquecemos de agir nas coisas que estão ao nosso alcance?

Não é brinquedo, não! O mundo muda, as pessoas mudam… E nós? Estamos abertos a essas mudanças, sobretudo em nosso interior? O que estamos fazendo a respeito?

Beijos mil e até o próximo!

Suzane Jales
sua coach