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Suzane Jales

"A base de um cérebro saudável é a bondade"

Quantas vezes você não se pegou tendo um desânimo quanto ao futuro por conta dos últimos acontecimentos, não só no Brasil, mas em todo o mundo? Muita gente acredita até que é difícil manter uma vida saudável com tantas notícias ruins que povoam nosso cotidiano… e terminam nos atormentando.

Por isso, resolvi pesquisar um pouco e cheguei até o trabalho do PhD em neuropsicologia, pesquisador na área de neurociência afetiva e membro do conselho do Foro Econômico Mundial de Davos Richard Davidson que afirma: “uma mente calma pode produzir bem-estar em qualquer tipo de situação”. É sobre o trabalho dele o foco do nosso artigo.

Em uma entrevista publicada no site do La Vanguardia, ele é categórico ao dizer só poderemos reduzir o sofrimento no mundo se a política se basear naquilo que nos une: “Acredito na gentileza, na ternura e na bondade, mas temos que nos treinar nisso”, afirma.

Então dá pra treinar isso? Essa é uma boa notícia!

Até 1992, Davidson se dedicava a investigar os mecanismos cerebrais ligados à depressão e à ansiedade: “Quando me dediquei a investigar, por meio da neurociência, quais são as bases para as emoções, fiquei surpreso de ver como as estruturas do cérebro podem mudar em tão somente duas horas”, diz Richard Davidson.

Ele e sua equipe levaram meditadores ao laboratório; e antes e depois da meditação, tiraram uma amostra de sangue deles para analisar a expressão dos genes. Com isso, ele viu, por exemplo, como as zonas com inflamação ou com tendência à inflamação tinham uma abrupta redução. Essas foram descobertas muito úteis para tratar a depressão.

Mas, em 1992, ele conheceu o Dalai Lama que fez o que muito falo nos artigos que escrevo: mudou o foco do pesquisador do problema para a solução…

“Admiro seu trabalho, mas acho que você está muito centrado no estresse, na ansiedade e na depressão. Nunca pensou em focar suas pesquisas neurocientíficas na gentileza, na ternura e na compaixão?”, disse-lhe Dalai Lama. A partir daí, isso passou a ser o centro da pesquisa de Richard Davidson.

E ele fez grandes descobertas nesse campo, jamais citado em um estudo científico. Descobriu, por exemplo, que há uma diferença substancial entre empatia e compaixão e os circuitos neurológicos que levam à cada uma delas sãos diferentes.

É bom lembrar que a empatia é a capacidade de sentir o que sentem os demais. Já a compaixão é ter o compromisso e as ferramentas para aliviar o sofrimento dos outros. “Umas das coisas mais interessantes que tenho visto nos circuitos neurais da compaixão é que a área motora do cérebro é ativada: a compaixão te capacita para agir, para aliviar o sofrimento”, revela Davidson.

Mas ele mesmo diz que umas das coisas mais importantes que descobriu é que gentileza e ternura é algo que se pode treinar em qualquer idade: “Os estudos nos dizem que estimular a ternura em crianças e adolescentes, melhora os resultados acadêmicos, o bem-estar emocional e a saúde deles”, revela.

E Richard Davidson ensina como fazer esse treinamento passo a passo: “Primeiro, levando a mente deles até uma pessoa próxima, que eles amam. Depois, pedimos que revivam um momento em que essa pessoa estava sofrendo e que cultivem o desejo de livrar essa pessoa do sofrimento. Logo, ampliamos o foco para pessoas não tão importantes e, por fim, para aquelas que os irritam. Estes exercícios reduzem substancialmente o bullying nas escolas”.

Ele nos lembra que fechar-se nos próprios sentimentos e pensamentos é uma das causas da depressão, por isso, está empenhado em implementar no mundo o programa Healthy Minds (mentes saudáveis) que tem como pilares a atenção; o cuidado e a conexão com os outros; o contentamento de ser uma pessoa saudável; e ter um propósito na vida.

Richard Davidson diz que é preciso levar às pessoas o que a ciência sabe sobre o bem-estar: "A base de um cérebro saudável é a bondade". E treinamos a bondade em um ambiente científico, algo que nunca tinha sido feito antes… Tenho mostrado a eles, por exemplo, o resultado de uma pesquisa que temos realizado em diversas culturas diferentes: se interagirmos com um bebê de seis meses usando fantoches, sendo que um deles se comporta de forma egoísta e o outro de forma amável e generosa, 99% dos bebês prefere o boneco que coopera”, relata.

Ele vai além e diz que cooperação e amabilidade são inerentes às pessoas, mas que isso é algo frágil e se não são cultivadas, se perdem. “Por isso, eu, que viajo muitíssimo (o que é uma fonte de estresse), aproveito os aeroportos para enviar mentalmente bons desejos a todos com quem cruzo no caminho, e isso muda a qualidade da experiência. O cérebro do outro percebe isso. A vida é só uma sequência de momentos. Se encadearmos essas sequências, a vida muda”.

Reflita sobre isso e, se concordar, que tal colocar em prática?

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Beijos mil e até o próximo!

Suzane Jales,
sua coach