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Suzane Jales

A busca do podium

A poucos dias do início das Olimpíadas de Londres, fiquei pensando no trabalho de preparação dos atletas participantes, como a piauiense Sarah Menezes. Estar lá já é uma grande vitória, mas eles sonham mais alto: querem subir ao pódio.



(Sarah Menezes é a segunda à esquerda - Foto da Confederação Brasileira de Judô) 


Para isso tiveram um foco absoluto, dedicaram-se bastante, levaram uma vida de sacrifício e não desistiram acreditando que um dia chegariam lá. Eles demonstram que realmente sabem o que querem e o que são capazes de fazer para conquistar esse objetivo.

 

A gente sabe, entretanto, que não existe garantia de que eles vão conseguir. Nem para quem mais se sacrificou... Ainda assim, eles acreditam que vale à pena.

 

Embora para quem tanto batalha não haja certezas, podemos quase garantir que para aqueles que não se dedicaram, não tiveram foco e não fizeram esforço, o resultado é uma eliminação até bem antes da disputa final...

 

Hoje eu trago um vídeo para vocês que fala da diferença entre desconforto e exaustão. Para os atletas, trabalhar até a exaustão é uma rotina. E nós? O que estamos dispostos a sacrificar em prol dos nossos sonhos? Estamos indo até a exaustão? Qual é o tamanho do nosso apetite por esse objetivo?

 

Como disse o romancista José de Alencar: O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo, fará coisas admiráveis.


http://www.youtube.com/watch?v=0MTlohPLIL4&feature=player_embedded



Não, não. Sim, sim!

Já contei pra vocês que gosto de escolher uma música como trilha sonora do meu dia. Pois nesse final de semana a escolhida foi “Três Letrinhas”, de Marisa Monte:

“Sim, são três letrinhas
Todas bonitinhas
Fáceis de dizer
Ditas por você
Nesse seu sim, assim

Outras três também
Representam não
Que não fica bem no seu coração”

 

Essa música me lembrou uma conversa que tive com o Dr. João Marcello Claudino, diretor da Construtora Sucesso, logo que ele chegou da Inglaterra, onde morou por muitos anos. Ele observou que costumamos começar frases de modo negativo. Era o final de uma reunião de trabalho, que foi encerrada perguntando-se a cada um dos presentes se tinha alguma coisa a acrescentar. Quase todos os que responderam – inclusive eu – começaram com um: – “Não, eu só queria dizer que...”. Teve até um que fez questão de frisar: “Não vamos esquecer de...!

 

Passei também a reparar e confirmei que esse é um hábito enraizado e já vem de muito tempo. Meu pai, por exemplo, costumava dizer para minha mãe: “Você não vai querer nada da rua não, né? Então eu já vou...!” Ele já perguntava com uma negativa... e por isso mesmo já respondia.

 

Estudando o assunto mais a fundo aprendi que o uso de uma linguagem negativa costuma exatamente provocar o comportamento que se quer evitar. Por exemplo: quantas vezes já ouvimos (e até dissemos) a famosa frase: “Não pense mais nisso.” Ora, para saber em que não pensar, precisamos primeiro pensar! E lá se foi a tentativa de suavizar o problema...

 

Mas o hábito é mesmo generalizado. Nos banheiros de uso público, vemos “Não coloque o papel no vaso”.  Bem melhor seria: “Coloque o papel no cesto ao lado”. Nos prédios, existe uma placa: “Em caso de incêndio não use o elevador”. Só que, numa situação dessas, todo mundo entra em pânico e aí é muito mais difícil pensar primeiro que não podemos usar o elevador para, em seguida, pensar no que podemos usar. Temos um resultado melhor com uma linguagem afirmativa: “Em caso de incêndio use a escada.

 

Do mesmo naipe que o NÃO, são as palavras EVITE, NUNCA e outras afins: “Evite fechar o cruzamento”; “Nunca atravesse com o sinal vermelho”; “Jamais ultrapasse a cerca”; “Proibida a entrada de menores de 18 anos”.

 

Desde então, tenho procurado, ao invés de dizer o que eu não quero, dizer exatamente o que quero. Sei que é uma questão de hábito... eu chego lá.

 

Hoje, vi a frase do Anatólio Pinheiro Guimarães Filho, no portal da Academia Novak: O não, para mim, é letra morta. Eu sou daqueles que acredita em milagres.” Assino embaixo!



Mudando o astral

Gosto de escolher uma música para ser a trilha sonora de meu dia e ouço-a várias vezes. Num dia que estou "de boa", serve qualquer estilo: vai da delicadeza de uma Carol Costa até um brega legal, para desespero dos amigos que saem comigo, como a Miriam Lobão... que odeia brega. Confesso: só não "rola" música sertaneja, que ainda não consigo engolir bem.

 

Agora, nos dias que não estou na minha melhor veia, nada de dor de cotovelo. Aí a música escolhida é sempre uma bem pra cima e eu até danço dentro do carro. Tenho que reconhecer: minha filha, adolescente, fica doidinha e, envergonhada, até pede pra eu parar. Mas eu nem ligo. Isso muda meu astral na hora.

 

Sempre que faço isso, sinto na pele que corpo e mente são mesmo partes de um mesmo sistema. Aprendi que nossos pensamentos, de forma imediata, afetam respiração, sensações e até a tensão muscular. Sabe quando a gente está esperando “aquele” telefonema e o fone toca? Mas o legal foi descobrir que o inverso também é verdadeiro e, melhor, quando aprendemos a mudar um deles, aprendemos a mudar o outro.

 

Então, da mesma forma como faço com a música, comecei a usar o meu corpo para mandar mensagens para os meus pensamentos. Assim, quando estou de baixo astral, por exemplo, tenho a tendência de ficar meio “murcha”, como se carregasse todo o peso do mundo... Afinal, meu corpo fala! Aí eu trato de assumir uma postura corporal tipo de alguém que está caminhando para receber um prêmio... e uso minha imaginação para isso. Sabe como é? Fácil: ombros para trás, peito para frente, queixo levantado, umas longas e profundas respiradas e até um sorriso no rosto. Basta eu assumir essa postura por alguns minutos e a coisa muda.

 

Como diz Walter Franco em “Serra do luar”: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

 

Experimente! Você vai ver como é incrível!



Melhorando relacionamentos com a PNL

Na semana em que se comemora o Dia dos Namorados, eu sugiro que pensemos um pouco sobre como estamos cultivando nossos relacionamentos como um todo. Sabemos que é na hora das dificuldades que somos mais exigidos, então, devemos estar preparados e ter um bom “repertório” para quando elas surgirem. Quanto mais opções tivermos nessa hora, melhor.

 

Não existe uma fórmula mágica, mas, usando a Programação Neurolinguística (PNL), podemos listar algumas dicas valiosas. Vamos a 5 delas, que já foram citadas aqui:

 

1. Seja um bom ouvinte

Você já observou que tem gente que, como ouvinte, fica a espera da hora que a outra pessoa respira, para cortar o que ela está dizendo e falar de si e de seus problemas? Se existe interesse genuíno na outra pessoa, é preciso, sobretudo, aprender a ouvir com sinceridade e ter sua atenção voltada exclusivamente para isso.

 

2. Coloque-se no lugar da outra pessoa

Não precisamos nos envolver nas questões da outra pessoa, mas podemos – e devemos – procurar entendê-la segundo o mapa de mundo dela. Mas nada de sentir pena e tentar encontrar soluções. Isso é extremamente desrespeitoso e indica que não acreditamos que ela, por iniciativa própria, tenha recursos para lidar com suas próprias dificuldades.

 

3. Foque nos pontos positivos

Nós comandamos a nossa percepção. Assim, podemos focar mais nos pontos positivos da outra pessoa e do relacionamento, ao invés de escolher prestar mais atenção nos defeitos. Não precisamos ficar cegos... É bom conhecer os defeitos, mas apenas não focar neles.

 

4. Aceite os defeitos e fraquezas do outro

Defeitos e fraquezas são avaliações subjetivas baseadas na nossa visão de mundo. O que é defeito para um pode ser considerado talento para outro. Não existe uma pessoa perfeita. A maioria de nós está fazendo e dando de si o melhor que pode, naquele momento.

 

5. Mantenha contato, mesmo quando distante

Lembra como fazemos para o fogo não apagar (desde que ainda exista carvão)? É soprando a brasa. Podemos fazer muitas coisas para manter “acesas” nossas relações, mesmo quando fisicamente distantes: ligar, passar torpedo, enviar e-mail... Nessa intenção positiva, tudo vale, até mesmos surpreender com cartas e cartões via Correios... É antigo, sim, mas ainda funciona, porque surpreende: quem ainda recebe uma carta carinhosa?

 

E isso não serve apenas para datas comemorativas. Lembrando o escritor Stephen Covey: Plante um pensamento, colha uma ação; plante uma ação, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino.


Conduta de um coach

Como muita gente tem me enviado e-mails (suzanejales@gmail.com) perguntando sobre a conduta profissional durante o processo de coach, optei por repassar para vocês os compromissos que nós assumimos como coach:

 

Código de conduta na prática do coaching
Sociedade Brasileira de Coaching


Coletivo:


1. Eu irei buscar o bem comum e contribuir para o fortalecimento da sociedade com serviços e produtos de qualidade e que garantam o bem-estar e o sucesso de meus semelhantes.
2. Meus trabalhos serão realizados para atender as necessidades de meus clientes e quando os resultados estabelecidos confrontarem com a necessidade da sociedade ou do grupo de pessoas em que meu cliente atua, deverei esclarecer para meu cliente as conseqüências negativas e não poderei contribuir com meus conhecimentos para a realização de tal objetivo.


Honestidade:


3. Eu irei apenas utilizar procedimentos que despertem as realizações pessoais, que promovam a qualidade de vida humana e a felicidade. Entendo que estarei sendo desonesto quando utilizar procedimentos restritos a outras classes profissionais como médicos, psicólogos e outros.
4. Eu irei identificar casos em que meu cliente não esteja obtendo ganhos com os trabalhos de Coaching e irei interromper minhas atividades.
5. Quando eu identificar que meu cliente pode obter maiores resultados com outros profissionais ou treinamentos eu irei imediatamente sugerir novas abordagens.


Sigilo:


6. Eu irei respeitar os segredos das pessoas, dos negócios, das empresas e de qualquer cliente que possa utilizar meus serviços. Entendo que toda informação é sigilosa e que para ser utilizada deve antes ter o consentimento do cliente.
7. Eu nunca irei utilizar as informações concedidas pelo meu cliente para obter qualquer tipo de ganho ou benefício próprio.
8. Eu irei guardar e registrar meus trabalhos, buscando sempre preservar e garantir a individualidade de meus clientes.


Competência:


"A função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem." (ARISTÓTELES).
9. Eu sempre estarei avaliando a qualidade e os resultados de meus produtos e serviços. Entendo que o aperfeiçoamento contínuo é a excelência desta profissão. Sempre que necessário buscarei apoio de outros profissionais para evoluir como pessoa e profissional.


Prudência:


10. Eu irei exercer minhas atividades com a maior prudência possível. Analisarei as situações de forma profunda e minuciosa e sempre ponderando as decisões a serem tomadas e os resultados finais.
11. Eu irei fazer com que meu cliente entenda logo na primeira reunião a natureza do Coaching, o sigilo com as informações, o investimento financeiro e outros termos que garantam o sucesso de meu trabalho.


Verdade e Humildade:


12. Eu sei que não sou perfeito e que não possuo todas as respostas para atender às necessidades de meus clientes. Sempre atuarei com a verdade e humildade.


Respeito:


13. Eu irei respeitar outras abordagens que buscam promover a excelência, a felicidade e a qualidade de vida humana.
14. Eu sempre respeito o momento de meu cliente e atuo com a máxima excelência em todas as minhas abordagens.


Ao contrário do Calvin na tirinha abaixo, o coach atua com a verdade e a humildade. Ele sabe que seu trabalho é apoiar o coachee, sendo deste o mérito de alcançar objetivos.



Nós encontramos o que procuramos

            Há tempos eu tinha o desejo de ter um automóvel automático e, este ano, eu me dei de presente de aniversário um carro novo. De repente, passei a ver a quantidade de carros iguais ao meu pela cidade. Era impressionante!

Esse fato me lembrou da última vez que eu dei uma carona para minha grande amiga, a médica Alessandra Castelo Branco, que mora em Recife, e nos visitava. Ela observou a quantidade de clínicas perto do meu apartamento. Foi uma surpresa para mim: morava há anos naquele local e não tinha notado tal fato!

Nos dois casos, a nossa percepção nos levou a isso...

Segundo estudos científicos, a percepção é composta em 80% pela nossa mente e pelo nosso estado interno. Em outras palavras, nós não enxergamos com os nossos olhos, mas com o nosso cérebro e a nossa mente!

Você já passou por uma experiência como essas que citei? Se não lembra, experimente fazer um teste bem tradicional: após ler esse parágrafo, feche os olhos e diga quais objetos no cômodo que você está têm a cor vermelha.

Agora, olhe à sua volta e confira se você lembrou de todos os objetos vermelhos existentes.

Depois, feche novamente os olhos e diga quais os objetos do mesmo local têm a cor azul.

É provável que você não tenha conseguido lembrar-se de todos os objetos vermelhos. E mais: mesmo tendo dado mais uma olhada no local, também não deve ter lembrado de todos os de cor azul.

Na verdade, nós temos a tendência de encontrar o que estamos procurando, mesmo que não tenhamos consciência disso. Exercícios como esses revelam como colocamos “filtros” perceptivos na nossa vida, dentre os quais: crenças, entendimentos, intenções, perspectivas, preconceitos e valores.

Lembra da antiga pergunta: o seu copo está meio cheio ou meio vazio? A resposta depende da sua percepção. E é aí que agimos! Num processo de coaching, podemos preparar a nossa mente para encontrar o que queremos com perguntas como: Com que eu me preocupo? O que eu quero? O que eu estou procurando? Em que acredito?

Fazer perguntas sobre o que nós estamos procurando é como focar no nosso interior... e começar a explorar nossos filtros perceptivos.

Lembro agora da história de uma mulher que via, através de sua janela de vidro, os lençóis da casa ao lado no varal, sempre amarelados. Ela reclamava muito da negligência daquela dona de casa que deixava seus lençóis assim. Um dia, seu marido resolveu limpar o vidro da janela, que estava coberto com uma fina camada de poeira... e ela pôde ver melhor a brancura das roupas de cama de sua vizinha!

Então, é sempre bom dar uma checada no que estamos procurando e na forma como estamos vendo o mundo. Será que nossas “lentes” estão realmente limpas?



A intenção positiva

Cresci ouvindo o provérbio: “De bem intencionados, o inferno está cheio”. Qual não foi a minha surpresa ao ouvir de um professor de PNL que todo comportamento, em algum nível, tem ou teve uma “intenção positiva” e que ele serve para alguma coisa, já serviu ou servirá em algum contexto... Pelo menos do ponto de vista de quem o pratica.

Achei que eram coisas completamente antagônicas... e fiquei dias e dias encasquetada com isso. Pesquisei, li, analisei e cheguei a uma conclusão que divido com vocês: Ter boa intenção não é garantia de um bom comportamento.

            Fiquei pensando onde encontrar intenção positiva em pessoas que se escondem, têm medo de tudo, gritam com os outros – aí eu já parti para extremos –, roubam, agridem e até matam. Descobri que era difícil imaginar porque sempre eu pensava na ação, no comportamento, e não na intenção. A intenção de quem se esconde pode ser proteção – e esta é uma intenção positiva; quem tem medo pode estar atrás de segurança; quem grita com o outro pode querer ser reconhecido; quem rouba pode ter a intenção de possuir algo que não tem; quem agride e mata pode ter a intenção de se defender.

            Pensando assim, chegamos à conclusão de que até grandes carrascos da humanidade, por trás de seus gestos hediondos, tinham intenção positiva para a parte do sistema com a qual eles se identificavam. Porém, não tinha nenhuma identificação era com as vítimas.

Para a PNL, eles tinham uma intenção positiva, mas suas escolhas eram limitadas: acreditavam que só tinham aquela forma ou que aquele era o melhor jeito de fazer para obter o que queriam o mais rapidamente possível

            E em que isso nos poderá ser útil? Num primeiro momento, saber disso pode ser a solução para grande parte dos problemas de relacionamento entre casais, filhos, alunos, funcionários... É possível, por exemplo, desaprovar o comportamento de uma pessoa, mas compreendê-la. Para isso, separamos a pessoa, seu valor, de seu comportamento, que pode continuar inaceitável.

            Mas a grande importância está em descobrir alternativas que possam manter a tal intenção positiva (que gerou o comportamento) e a pessoa decidir-se por agir de uma forma diferente. Aqui está o X da questão. Ao encontrá-lo, a equação está resolvida!

            Esse procedimento tem um ponto muito importante: é preciso encontrar novas escolhas que consigam satisfazer as intenções positivas ou propósitos que a pessoa tem (consciente ou inconscientemente), mas que não possuam as consequências negativas ou patológicas do comportamento ou sintoma com o problema.

            Vamos descomplicar usando o exemplo clássico de quem quer parar de fumar. Vamos supor que, para ela, o cigarro a relaxe. Essa é uma intenção positiva: relaxar. Que outras alternativas ela poderia desenvolver, garantindo o mesmo benefício – relaxar –, mas que não fossem nocivas à saúde e ao equilíbrio do sistema? Só ela poderá dizer, pois uma alternativa pode ser ecológica para uma pessoa e não o ser para outra.

Num processo de coaching, criamos um ambiente para ajudar o coachee a descobrir essas intenções positivas nas suas ações e as alternativas que pode ter. E aqui é bom lembrar um ditado interessante na PNL: Quem tem uma opção, na realidade não tem opção. Quem tem duas opções, tem um dilema. Até a pessoa ter pelo menos três opções, ela não é realmente capaz de escolher de verdade.

Você pode, também, tentar fazer esse processo sozinho: Tire uns minutos do seu dia para se concentrar nos comportamentos que tem e que quer mudar. Escolha um deles por vez. Procure, então, a intenção positiva que está por trás desse comportamento. Agora, encontre outras formas de agir satisfazendo essa intenção e que sejam ecológicas. Aí é só escolher uma ou mais delas e colocar em prática!

Lembre-se: “Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado”. (Albert Einstein)


Em que temos colocado nossa atenção?

Você já viveu a experiência de ter uma música pregada na sua cabeça feito chiclete? Várias vezes, já me peguei cantarolando, por horas a fio, um pedacinho de uma canção. É um grude só!

Tenho que reconhecer: a nossa música brasileira é bem pródiga em criar re­frões pegajosos... E, nesse quesito, o rádio e a TV são potenciais “agentes propagadores da peste”, pois é o que mais “rola” por lá: é só ouvir e não sai mais da cabeça!

Quando a canção é de qualidade, ainda vai... Mas quando me vejo assim com uma dessas pérolas irritantes ecoando na minha cabeça, fico tentada a pensar que é alguma maldição. Porém, os cientistas dizem que isso é um fenômeno re­corrente chamado por eles de earworms, que significa larvas de ouvido. Tudo a ver!

Se nós ficarmos tentando parar de pensar nela, o estrago é maior, pois quanto mais tentamos, mais ela se fixa... E é exatamente aí que está grande parte do problema: é esse não querer parar de pensar que alimenta a memória para “infectar” o nosso pensamen­to.

Quer experimentar se é verdade? Faça o teste: NÃO PENSE NA SUA MÃO DIREITA... Em que você pensou? Note que a inten­ção de negar o pensamento na sua mão direita já fez com que o seu cérebro produzisse a imagem dela. Repita a experiência: TENTE NÃO PENSAR NA COR VERMELHA... Concorda agora?

            Quando comecei a fazer meditação – ainda sou uma aprendiz –, eu brigava com a minha mente: não pense em nada, não pense em nada... Claro que não dava certo! Quando assisti ao filme “Comer, rezar e amar”, me diverti ao ver a atuação da atriz Julia Roberts, que interpreta a escritora Elizabeth Gilbert: comigo também foi daquele jeito...

Tudo aquilo em que colocamos a nossa atenção aumenta de proporção. É como se fosse criando uma forma, materializando-se e crescendo... Isso vale para a música grudenta e também para outras dificuldades que enfrentamos.

Temos a tendência de nos concentrar nos problemas ou aspectos negativos das situações, questões, coisas e pessoas. Isso é algo tão natural que muitas vezes nem percebemos. Já vi até disputa de pessoas para enumerar quem tinha mais perrengue na vida...

No meu escritório, no primeiro dia de um processo de coaching, costumo entregar uma lupa para a pessoa e pedir que ela foque com a lente em algum texto. Aí eu pergunto o que aconteceu... É o primeiro e único dia que ela fala de seu problema. A partir daí, centramos todo o nosso trabalho na busca de soluções.

Como num barco, quando mudamos o foco para a resolução, acertamos a direção da vela para encontrá-la. Eu ainda estou aprendendo a assumir o controle do meu pensamento que, vez por outra, ainda me dá umas rasteiras. Mas sei que é só uma questão de prática diária.



O Mapa do Mundo de cada um

Um dos meus hobbys prediletos é viajar. Adoro conhecer novos lugares, ver a arquitetura das cidades, conferir as culturas diferentes e a diversidade da fauna e flora. Para viajar, não dispenso um mapa da cidade, que serve de orientação para minhas incursões nesses lugares desconhecidos ou pouco conhecidos.

 

Entretanto, sempre tenho a certeza de que aquilo que tenho nas mãos é um mapa e que ele é apenas uma representação, sem grandes profundidades. Muitas coisas, inclusive algumas delas muito interessantes, não constam no mapa. É preciso percorrer as ruas a pé para ver um pouco mais... e ainda assim, sei que muito vai passar despercebido.

 

Outro detalhe importante é que as pessoas têm percepções diferentes ao olhar para a mesma coisa. Imagine levar para uma floresta um lenhador, um ecologista, um artista plástico que faz escultura de madeira e uma dona de casa que cozinha num forno à lenha. Cada um deles vai “ver” a floresta de uma forma distinta. São experiências muito diferentes e é exatamente a mesma floresta!

 

Lembra da frase: O significado de um pedaço de pão vai depender de quanta fome você está? Pois é... e isso acontece na nossa vida como um todo.

 

Independente de como seja o mundo que nos rodeia, nós só somos capazes de perceber uma pequena porção desse universo, que nos chega através dos cinco órgãos dos sentidos – visão, audição, sensação, olfato e gustação.  E essa parte que podemos perceber é logo filtrada de modo que prestamos atenção nos aspectos do mundo que nos interessam, e o resto deixamos de lado. Expectativas, vivências, interesses, cultura, linguagem, crenças, sensações e valores pessoais são filtros que inconscientemente ligamos e desligamos ao longo de nosso dia.

 

Isso faz com que cada um de nós perceba o mundo de um modo diferente do outro. E assim, vamos armazenando em nossa mente imagens, sons e sensações pessoais e únicas, formando uma “representação interna” de cada situação. Nós criamos uma espécie de cópia personalizada do mundo e estes usamos para orientar as nossas ações.

 

Em larga escala, essa representação determina o que pensamos e sentimos a respeito das experiências que vivenciamos e os comportamentos e atitudes que tomamos como resposta a essas experiências: os filtros da nossa percepção determinam o tipo de mundo em que vivemos.

 

Podemos fazer nosso mundo pobre e limitado, mas ele pode ser rico e excitante: a diferença não está no mundo, mas sim nos filtros através dos quais o percebemos.


Então, nós nunca conhecemos a realidade: na verdade, o que nós conhecemos é apenas a nossa percepção da realidade. A Programação Neurolinguística (PNL) se refere a esses processos mentais como o Mapa do Mundo da pessoa.

 

E assim como os mapas das cidades, eles estão longe de corresponder a 100% do mundo externo. Entretanto, nós temos a sensação de que essas representações são 100% verdadeiras. Em outras palavras: acreditamos que aquele nosso mapa do mundo é o próprio mundo e passamos a reagir a ele e não ao mundo.

 

Na PNL, essa é uma das importantes pressuposições: o mapa não é território. Quando compreendemos isso, passamos a ter uma nova compreensão da nossa vida e da vida das outras pessoas. Lembra daquela famosa frase que vez por outra falamos ou nos dizem: “se eu fosse você...”. Pois é: só que não é! O outro também tem as suas próprias representações internas... tem seu próprio mapa de mundo.

 

E é aí que mora o perigo: para cada um de nós, de forma individual, a percepção é verdadeira. Mas somente para nós. E pode ter um significado bem diverso para a outra pessoa. É por isso que tem tanta gente que “só queria fazer o bem” e acaba criando uma situação difícil para o outro. Surgem daí os mal-entendidos, as discussões, as inimizades.

 

Lembre-se, por exemplo, de que todas as generalizações sobre as pessoas são falsas com relação a alguma delas, porque cada pessoa é única. Por isso, é importante que a gente procure ser mais flexível e busque enxergar o mundo procurando entender o mapa do mundo das outras pessoas.


É importante ressaltar que, geralmente, não é a realidade que nos limita ou nos fortalece, mas o nosso mapa do mundo. A PNL estuda como representamos a realidade em nossas mentes e nos ajuda a alterar esta representação para conseguir os resultados que desejamos. Aprendemos técnicas e habilidades para melhorar e desenvolver nossa capacidade de comunicação, tanto a nível pessoal quanto profissional.

 

No entanto, para usar a PNL, não é necessário mudar crenças ou valores, basta ser apenas curioso e estar pronto a experimentar. Lembra do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”? Se você não assistiu a ele, fica a dica. Ele nos mostra algo básico da PNL: você muda o seu mapa de mundo ao mudar a sua percepção dele. É preciso expandir nosso mapa para termos mais escolhas e quanto mais opções tivermos, mais estaremos livres e menos influências negativas iremos sofrer.

 

Robert Dilts, autor, trainer, consultor e um dos papas da PNL diz: “Todo mundo possui seu próprio mapa ou modelo de mundo e nenhum é mais verdadeiro ou real do que qualquer outro. Ao contrário, as pessoas mais eficientes são aquelas que possuem um mapa de mundo que lhes permite perceber o maior número de opções e perspectivas possíveis.”



A Roda da Vida

O coaching é um processo através do qual o coach (profissional que realiza o trabalho) estimula, apoia e ajuda o coachee (cliente) a alcançar seus objetivos e realizar seus sonhos. Mas, lembram da máxima: “Se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve”?

 

É muito difícil falarmos de sonhos, objetivos e metas se não temos uma noção da situação atual da nossa vida. Como decidir que direção escolher se não se sabe nem de onde partir?

 

No coaching nós trabalhamos com dois pontos bem definidos: o Estado Atual (EA), que é como o coachee encontra-se no momento presente, e o Estado Desejado (ED), que é aonde ele quer chegar. Conhecendo esses dois pontos, o coachee pode definir objetivos e traçar metas para conquistá-los.

 

Para nos auxiliar na análise do EA, existe uma ferramenta simples, mas fantástica, que permite medir o nosso grau de satisfação em relação a cada uma das várias áreas que compõem a nossa vida e, através dela, podemos identificar problemas, propor mudanças e elaborar metas e um plano de ação para encontrar soluções para problemas existentes: a Roda da Vida.

 

A Roda da Vida é um gráfico dividido em áreas gerais que englobam a vida de uma pessoa, seja pessoal, profissional, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

 

Se você quiser fazer esse “retrato” de sua vida, copie e imprima a figura abaixo (para salvar a imagem no seu computador, clique com o botão direito do mouse sobre a imagem e selecione “Salvar imagem como…”). Vale a pena fazer! Talvez, como eu, você se surpreenda com o resultado final.



Depois de impressa a figura, analise cuidadosamente o seu grau de satisfação neste momento em relação a cada uma das fatias, onde o centro tem o “0″ (0%) e a extremidade “10″ (100%). Agora pinte a área que representa esse seu grau de satisfação em cada uma dessas fatias. Mas, atenção: você não vai pintar o que tem e sim o quão satisfeito(a) está em relação ao que tem.

 

Quando tiverem marcadas todas as áreas da Roda da Vida, você pode observar áreas carentes, bem como desequilíbrios como um todo. Dá pra ver facilmente o que você precisa mexer para que sua vida flua... e a roda gire livremente.

 

Questione-se: Qual área precisa de ajustes e atenção especial agora? Como esta área esta afetando as outras áreas? Qual delas pode ser uma alavanca que, se aumentada, ajude a potencializar outras áreas? Qual área gostaria de investir o seu tempo e esforço? 

 

Quando definir a área que quer trabalhar inicialmente, aprofunde-se na sua análise: O que existe nos 100% que não tem agora? O que precisa acontecer agora pra chegar nos 100%?

 

É com perguntas como essas, e outras que vão surgindo durante o processo, que o coaching trabalha.

 

É importante frisar que você não deve comparar a sua Roda da Vida com a de outra pessoa. O resultado do desenho final depende do nível de exigência e do ponto de referência de cada pessoa... e que muda de um para outra.

 

E, o mais importante: olhe sempre para a sua Roda da Vida focando em possibilidades. Veja no que falta preencher um espaço potencial de crescimento...!

 

Espero, sinceramente, que esse pequeno exercício – que lhe ajudou a ter uma visão geral da sua vida neste momento – possa ser o início de uma grande viagem em direção aos seus sonhos. E aí, quando você vai dar o primeiro passo?

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