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Suzane Jales

Onde está a minha felicidade?

Começo este artigo fazendo uma confissão: usei no texto anterior o termo “felicidade plena” com a intenção de provocar mesmo. Eu imaginei (e torci para) que pudesse dar bochicho e, claro, um bom tema para um novo artigo. Por isso, parafraseando o talentoso jornalista Francisco Magalhães, quero agradecer aos meus 3 ou 4 leitores que o repercutiram, seja por e-mail, seja no facebook.

 

Diferente do filme de Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi (que tem cenas gravadas no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí), no título, eu não perguntei “Onde está a felicidade?”, mas “Onde está a minha felicidade?”, porque este é um conceito abstrato, subjetivo e absolutamente pessoal.

 

Cada um de nós criou – ou idealizou – a felicidade segundo o nosso mapa de mundo e, por isso mesmo, ela é diferente, dependendo de cada pessoa. Em termos gerais, nossos padrões ocidentais nos levam a procurar a felicidade fora de nós, enquanto os orientais a veem no nosso interior. Vamos divagar mais sobre isso...

 

Há pessoas que se consideram felizes sem ter praticamente coisa nenhuma, enquanto outras são infelizes, mesmo possuindo quase tudo. E, mesmo sabendo que é delicado falar sobre momentos difíceis que enfrentamos, já que a dor só é entendida por quem a sente, conheço pessoas que acreditam que doenças, sofrimento e tristeza não signifiquem infelicidade. Elas encaram de forma positiva as experiências pelas quais passam e dizem que tudo serve de estrutura para seu espírito... E isso é uma verdade para elas!

 

Onde está, então, o “X” da questão? Charles Chaplin dá uma pista: "Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade".

 

A grande resposta é que a felicidade está onde nós a colocamos... e que pode ser num local inacessível! Por exemplo: quem achar que só será feliz quando não tiver problemas nem passar por dores e tristezas está fadado a ser infeliz, a condicionar a felicidade a meros momentos ou dizer que ela não existe.

 

Eu prefiro acreditar (e essa minha crença, ao contrário de ser limitadora, é potencializadora) que dores, problemas, sofrimentos, tristezas e alegrias são como as ondas: vêm e vão. Mas o mar continua lá!

 

Isso posto, vamos à questão da “felicidade plena”.

 

Durante um curso que fiz, o professor propôs uma dinâmica: ele dava um comando e todos nós tínhamos que nos movimentar e formar o número solicitado por ele, cada vez num menor tempo possível. E assim ele foi chamando: 2, 9, 8, 5, 7. Íamos diminuindo nosso tempo cada vez mais e melhorando nossa performance até que ele pediu um “8 perfeito”... Foi um desastre: nós simplesmente levamos mais do triplo do tempo que havíamos gasto no primeiro número. Nossa cabeça deu um nó: tivemos primeiro que ficar imaginando o que era um 8 perfeito antes de começar a agir e ficamos “corrigindo”, achando que ainda não tínhamos conseguido, que não estava perfeito...

 

Fazendo um paralelo, eu pergunto: qual a diferença de felicidade para “felicidade plena”? Felicidade pode ser “medida”, como fazemos com a alegria e tristeza (essas, sim, têm grandes, pequenas, passageiras, etc.)? Ou ela é um “estado” como a gravidez, que você tem ou não tem (nunca ouvi alguém dizer que está ligeiramente grávida)?

 

Como cada um de nós é um ser único, não existe uma fórmula que sirva para todos e isso tem som de música para meus ouvidos... Que bom que somos diferentes: é essa diversidade que torna a vida empolgante. É por isso que cada um precisa escolher o seu próprio caminho e o seu jeito de caminhar...

 

E você? Já pensou sobre onde está colocando a sua felicidade e no que tem feito para conquistá-la?

 

P.S.: Se você pensa em perguntar, eu respondo: sim, eu sou uma pessoa feliz!



Em que acreditamos?

Na minha infância, íamos a todos os circos que vinham à cidade e, como costumávamos chegar cedo – meu pai era extremamente pontual –, às vezes dava tempo de ver os animais antes da apresentação. A grande maioria deles era colocada em jaulas, mas os elefantes ficavam ao ar livre com uma corrente prendendo uma de suas patas a uma estaca de ferro ou madeira fincada no chão. Era impressionante ver que aqueles animais imensos, pesados e de força descomunal – com sua tromba podiam arrancar uma grande árvore pelo caule –, não faziam nenhum esforço para se soltar.

 

Anos depois, soube que, se eles usassem a sua força, com certeza arrebentariam a corrente ou, mais fácil, arrancariam a estaca do chão. Mas não o faziam porque, quando filhotes, foram aprisionados daquela forma o que, na época, era mesmo muito forte para eles. É provável que tenham tentado de tudo para se libertar até que, ainda pequenos, cansaram de se esforçar e aceitaram o fato de que não conseguiriam. A partir de então, ficaram com esse registro da sua impotência e nunca mais tentaram colocar a sua força outra vez à prova, mesmo depois de adultos. A prisão não estava mais na pata, mas na cabeça...

 

Pensando sobre isso, vemos que, muitas vezes, nos comportamos como os elefantes de circo e vivemos amarrados a muitas estacas que nos impedem de conseguir o que queremos. Isso acontece porque, quando criança ou no somatório de experiências ao longo da vida, vivemos ou vimos outras pessoas passarem por determinadas situações que possam ter “traumatizado” nossa mente. E esta pode, então, criar uma falsa generalização que, na maioria das vezes, tenta nos “proteger”.

 

Igualzinho aos elefantes, gravamos em nossa memória coisas como “não podemos ter isso”, “não podemos ser aquilo”, “não temos direito a tal coisa”, “não temos capacidade de fazer aquilo”, “não vamos conseguir isso”... Tudo o que vem depois de qualquer uma dessas frases, justificando-a, são crenças limitantes: “porque sou velho para isso”, “porque não sou inteligente o suficiente”, “porque não mereço”... E por aí vai. Como diz Joseph O’Connor, um expert em PNL, as crenças “atuam como regras que nos impedem de conseguir o que é possível, do que nós somos capazes e do que nós merecemos”.

 

Essas crenças funcionam como uma espécie de “filtro da realidade” e têm um peso enorme podendo, realmente, ser extremamente nocivas à nossa vida. E quanto mais carregadas de emoção, mais força elas têm. Invisíveis, nós nem nos damos conta de que elas existem e que nos controlam, fazendo-nos atribuir um significado diferente aos acontecimentos. Vamos nos comportando de acordo com o que acreditamos e fazendo escolhas baseadas numa realidade distorcida, mas que para nós é absolutamente verdadeira.

 

Um exemplo de crença limitante é o da pessoa que acredita que o ato de cometer erro e falhar é muito ruim. É provável que ela evite qualquer experiência de aprendizagem ou crescimento, pois, para isso, precisaria estar disposta a errar. Da mesma forma, quem acha que foi rejeitado(a), provavelmente evitará conhecer ou ter um relacionamento com novas pessoas e quem, quando criança, ao chorar e espernear, conseguia tudo dos pais, poderá se tornar um adulto que quer ganhar tudo “no grito”.

 

Como os elefantes, nos resignamos, nunca mais voltamos a tentar mudar e, muito pior, passamos a buscar notícias, experiências e comentários de outras pessoas que reforcem e confirmem nossas crenças. Assim nós as alimentamos e criamos um círculo vicioso.

 

No filme “Água para Elefantes”, com sede, a elefanta Rosie arranca a estaca que a prende e vai até onde está o balde de água. Depois de beber, volta para o lugar onde era confinada... e prende novamente a estaca no solo. Também é assim mesmo que costumamos fazer: às vezes, por breves momentos, parece que estamos conseguindo sair dessa enrascada que criamos, mas, logo que possível, prendemos a estaca de volta...

 

É que, quando as crenças são muito enraizadas, mesmo que estejam fazendo mal, elas passam a fazer parte de nós e da nossa vida: podemos nos sentir completamente “perdidos” sem elas. Por isso, muita gente opta pela “cegueira”: prefere viver com suas crenças, a questiona-las e, quem sabe, descobrir que elas são falsas... Ah, daria muito trabalho!

 

Se esse não é o seu caso, saiba que, para ficar livre desses grilhões invisíveis, precisamos ter coragem e disponibilidade para decifrar nosso inconsciente e sair dessa nossa aparente zona de conforto. E é exatamente por este ponto que começamos a mudar nosso padrão mental: questionando o nosso confortável modo de pensar.

 

Só por um teste, prestemos atenção nos nossos diálogos internos ou externos, no que escrevemos sobre nós mesmo e a vida, como construímos as frases, que palavras mais usamos... Um sinal de alerta sempre acende quando nos encontramos, por exemplo, numa situação de achar que as coisas são assim mesmo, que a felicidade completa não existe, que nós devemos apenas seguir o fluxo da vida, que não devemos ter grandes expectativas...

 

Destruir crenças que, na maioria das vezes, nem conseguimos ver não é uma tarefa muito fácil. Em alguns casos, precisamos mesmo da ajuda de um profissional (coach, terapeuta, psicólogo, etc) que tem o ouvido treinado para detectá-las e que possua ferramentas e técnicas próprias para cada caso.

 

Finalizo lembrando as palavras de Henry Ford: “Se você acredita que pode, você tem razão. Se você acredita que não pode, também tem razão”.



Nossas escolhas

Lembrei-me hoje de uma história que marcou a minha infância: Na saída do prédio onde fizeram o vestibular, meu irmão Cleanto Filho encontrou-se com um amigo que, por motivos que vão ficar claros, prefiro não citar o nome. Os dois comentavam sobre a prova de português e esse amigo falou que havia gostado de tudo, exceto da redação. Meu irmão surpreendeu-se, pois o tema era o melhor possível – À escolha – e cada um decidia sobre o que queria escrever. O amigo, que não captara muito bem o tema, completou: “Pois eu achei muito difícil falar sobre uma escolha...” Na verdade, ele só tinha conseguido escrever poucas linhas sobre a casca (ou palha) do arroz que, especialmente no interior do Piauí, é popularmente chamada de “escolha”.

 

Mesmo parecendo piada, essa história foi verdadeira e esse amigo virou alvo de gozação da turma por muito tempo. E eu fico imaginando o sufoco que ele passou... Agora, pensando bem, sei que fazer uma escolha – do ato de optar, preferir, eleger – também não é uma tarefa fácil, pois quando escolhemos alguma coisa, quase sempre temos que abrir mão de outras. Sabiamente, o escritor Caio Fernando de Abreu diz: A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

 

Desde o momento do nosso nascimento, já dependemos da escolha de nossos pais sobre qual nome teremos. E quando os dois querem nomes diferente e não conseguem decidir-se por um? Aí muitas vezes resulta naquelas junções esquisitas: Adalgamir, Bronsibel, Creosméria, Francimillyan, Loprefâncio, Soraiadite e Tospericagerja, este em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho (todos são nomes verdadeiros!).

 

São muitas as escolhas ao longo da nossa vida e em todas as áreas. Algumas são mais simples, outras mais complexas: que time vamos torcer, que profissão pretendemos seguir, onde vamos morar depois de casar, que tipo de alimentação queremos, em que vamos investir nosso dinheiro... e por aí vai.

 

Sabendo que nossas escolhas de hoje terão reflexo amanhã, quando podemos, o melhor é fazê-lo com sabedoria, com um objetivo estipulado, tendo foco e estudando bem cada opção e suas implicações: O que ganho escolhendo isso? O que perco? Quem ou o que será afetado por essa escolha?

 

Nessa questão, chama-me muita atenção algumas pessoas que, querendo passar num concurso, ficam “atirando para todos os lados” e se inscrevem em vários deles. Mas, se cada edital tem matérias específicas e muitas vezes diferentes dos demais, seria essa a melhor solução? Em que oportunidades também estamos agindo assim?

 

Outra coisa importante a ser frisada: é importante ter coragem de assumir os riscos e conseqências de nossas escolhas, uma vez que não podemos determinar, com absoluta exatidão, os seus resultados. Isso é certo: mesmo quem estuda, investiga e analisa a questão e toma todas as precauções, está isento de um resultado que não esperava. Mas, sem dúvida, tem muito mais probabilidade de acertar do que aquele que age apenas por impulso.

 

Finalizo realçando as palavras de Nietzsche (que na internet erroneamente também atribuem a Fernanda Young): Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.



A busca do podium

A poucos dias do início das Olimpíadas de Londres, fiquei pensando no trabalho de preparação dos atletas participantes, como a piauiense Sarah Menezes. Estar lá já é uma grande vitória, mas eles sonham mais alto: querem subir ao pódio.



(Sarah Menezes é a segunda à esquerda - Foto da Confederação Brasileira de Judô) 


Para isso tiveram um foco absoluto, dedicaram-se bastante, levaram uma vida de sacrifício e não desistiram acreditando que um dia chegariam lá. Eles demonstram que realmente sabem o que querem e o que são capazes de fazer para conquistar esse objetivo.

 

A gente sabe, entretanto, que não existe garantia de que eles vão conseguir. Nem para quem mais se sacrificou... Ainda assim, eles acreditam que vale à pena.

 

Embora para quem tanto batalha não haja certezas, podemos quase garantir que para aqueles que não se dedicaram, não tiveram foco e não fizeram esforço, o resultado é uma eliminação até bem antes da disputa final...

 

Hoje eu trago um vídeo para vocês que fala da diferença entre desconforto e exaustão. Para os atletas, trabalhar até a exaustão é uma rotina. E nós? O que estamos dispostos a sacrificar em prol dos nossos sonhos? Estamos indo até a exaustão? Qual é o tamanho do nosso apetite por esse objetivo?

 

Como disse o romancista José de Alencar: O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo, fará coisas admiráveis.


http://www.youtube.com/watch?v=0MTlohPLIL4&feature=player_embedded



Não, não. Sim, sim!

Já contei pra vocês que gosto de escolher uma música como trilha sonora do meu dia. Pois nesse final de semana a escolhida foi “Três Letrinhas”, de Marisa Monte:

“Sim, são três letrinhas
Todas bonitinhas
Fáceis de dizer
Ditas por você
Nesse seu sim, assim

Outras três também
Representam não
Que não fica bem no seu coração”

 

Essa música me lembrou uma conversa que tive com o Dr. João Marcello Claudino, diretor da Construtora Sucesso, logo que ele chegou da Inglaterra, onde morou por muitos anos. Ele observou que costumamos começar frases de modo negativo. Era o final de uma reunião de trabalho, que foi encerrada perguntando-se a cada um dos presentes se tinha alguma coisa a acrescentar. Quase todos os que responderam – inclusive eu – começaram com um: – “Não, eu só queria dizer que...”. Teve até um que fez questão de frisar: “Não vamos esquecer de...!

 

Passei também a reparar e confirmei que esse é um hábito enraizado e já vem de muito tempo. Meu pai, por exemplo, costumava dizer para minha mãe: “Você não vai querer nada da rua não, né? Então eu já vou...!” Ele já perguntava com uma negativa... e por isso mesmo já respondia.

 

Estudando o assunto mais a fundo aprendi que o uso de uma linguagem negativa costuma exatamente provocar o comportamento que se quer evitar. Por exemplo: quantas vezes já ouvimos (e até dissemos) a famosa frase: “Não pense mais nisso.” Ora, para saber em que não pensar, precisamos primeiro pensar! E lá se foi a tentativa de suavizar o problema...

 

Mas o hábito é mesmo generalizado. Nos banheiros de uso público, vemos “Não coloque o papel no vaso”.  Bem melhor seria: “Coloque o papel no cesto ao lado”. Nos prédios, existe uma placa: “Em caso de incêndio não use o elevador”. Só que, numa situação dessas, todo mundo entra em pânico e aí é muito mais difícil pensar primeiro que não podemos usar o elevador para, em seguida, pensar no que podemos usar. Temos um resultado melhor com uma linguagem afirmativa: “Em caso de incêndio use a escada.

 

Do mesmo naipe que o NÃO, são as palavras EVITE, NUNCA e outras afins: “Evite fechar o cruzamento”; “Nunca atravesse com o sinal vermelho”; “Jamais ultrapasse a cerca”; “Proibida a entrada de menores de 18 anos”.

 

Desde então, tenho procurado, ao invés de dizer o que eu não quero, dizer exatamente o que quero. Sei que é uma questão de hábito... eu chego lá.

 

Hoje, vi a frase do Anatólio Pinheiro Guimarães Filho, no portal da Academia Novak: O não, para mim, é letra morta. Eu sou daqueles que acredita em milagres.” Assino embaixo!



Mudando o astral

Gosto de escolher uma música para ser a trilha sonora de meu dia e ouço-a várias vezes. Num dia que estou "de boa", serve qualquer estilo: vai da delicadeza de uma Carol Costa até um brega legal, para desespero dos amigos que saem comigo, como a Miriam Lobão... que odeia brega. Confesso: só não "rola" música sertaneja, que ainda não consigo engolir bem.

 

Agora, nos dias que não estou na minha melhor veia, nada de dor de cotovelo. Aí a música escolhida é sempre uma bem pra cima e eu até danço dentro do carro. Tenho que reconhecer: minha filha, adolescente, fica doidinha e, envergonhada, até pede pra eu parar. Mas eu nem ligo. Isso muda meu astral na hora.

 

Sempre que faço isso, sinto na pele que corpo e mente são mesmo partes de um mesmo sistema. Aprendi que nossos pensamentos, de forma imediata, afetam respiração, sensações e até a tensão muscular. Sabe quando a gente está esperando “aquele” telefonema e o fone toca? Mas o legal foi descobrir que o inverso também é verdadeiro e, melhor, quando aprendemos a mudar um deles, aprendemos a mudar o outro.

 

Então, da mesma forma como faço com a música, comecei a usar o meu corpo para mandar mensagens para os meus pensamentos. Assim, quando estou de baixo astral, por exemplo, tenho a tendência de ficar meio “murcha”, como se carregasse todo o peso do mundo... Afinal, meu corpo fala! Aí eu trato de assumir uma postura corporal tipo de alguém que está caminhando para receber um prêmio... e uso minha imaginação para isso. Sabe como é? Fácil: ombros para trás, peito para frente, queixo levantado, umas longas e profundas respiradas e até um sorriso no rosto. Basta eu assumir essa postura por alguns minutos e a coisa muda.

 

Como diz Walter Franco em “Serra do luar”: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

 

Experimente! Você vai ver como é incrível!



Melhorando relacionamentos com a PNL

Na semana em que se comemora o Dia dos Namorados, eu sugiro que pensemos um pouco sobre como estamos cultivando nossos relacionamentos como um todo. Sabemos que é na hora das dificuldades que somos mais exigidos, então, devemos estar preparados e ter um bom “repertório” para quando elas surgirem. Quanto mais opções tivermos nessa hora, melhor.

 

Não existe uma fórmula mágica, mas, usando a Programação Neurolinguística (PNL), podemos listar algumas dicas valiosas. Vamos a 5 delas, que já foram citadas aqui:

 

1. Seja um bom ouvinte

Você já observou que tem gente que, como ouvinte, fica a espera da hora que a outra pessoa respira, para cortar o que ela está dizendo e falar de si e de seus problemas? Se existe interesse genuíno na outra pessoa, é preciso, sobretudo, aprender a ouvir com sinceridade e ter sua atenção voltada exclusivamente para isso.

 

2. Coloque-se no lugar da outra pessoa

Não precisamos nos envolver nas questões da outra pessoa, mas podemos – e devemos – procurar entendê-la segundo o mapa de mundo dela. Mas nada de sentir pena e tentar encontrar soluções. Isso é extremamente desrespeitoso e indica que não acreditamos que ela, por iniciativa própria, tenha recursos para lidar com suas próprias dificuldades.

 

3. Foque nos pontos positivos

Nós comandamos a nossa percepção. Assim, podemos focar mais nos pontos positivos da outra pessoa e do relacionamento, ao invés de escolher prestar mais atenção nos defeitos. Não precisamos ficar cegos... É bom conhecer os defeitos, mas apenas não focar neles.

 

4. Aceite os defeitos e fraquezas do outro

Defeitos e fraquezas são avaliações subjetivas baseadas na nossa visão de mundo. O que é defeito para um pode ser considerado talento para outro. Não existe uma pessoa perfeita. A maioria de nós está fazendo e dando de si o melhor que pode, naquele momento.

 

5. Mantenha contato, mesmo quando distante

Lembra como fazemos para o fogo não apagar (desde que ainda exista carvão)? É soprando a brasa. Podemos fazer muitas coisas para manter “acesas” nossas relações, mesmo quando fisicamente distantes: ligar, passar torpedo, enviar e-mail... Nessa intenção positiva, tudo vale, até mesmos surpreender com cartas e cartões via Correios... É antigo, sim, mas ainda funciona, porque surpreende: quem ainda recebe uma carta carinhosa?

 

E isso não serve apenas para datas comemorativas. Lembrando o escritor Stephen Covey: Plante um pensamento, colha uma ação; plante uma ação, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino.


Conduta de um coach

Como muita gente tem me enviado e-mails (suzanejales@gmail.com) perguntando sobre a conduta profissional durante o processo de coach, optei por repassar para vocês os compromissos que nós assumimos como coach:

 

Código de conduta na prática do coaching
Sociedade Brasileira de Coaching


Coletivo:


1. Eu irei buscar o bem comum e contribuir para o fortalecimento da sociedade com serviços e produtos de qualidade e que garantam o bem-estar e o sucesso de meus semelhantes.
2. Meus trabalhos serão realizados para atender as necessidades de meus clientes e quando os resultados estabelecidos confrontarem com a necessidade da sociedade ou do grupo de pessoas em que meu cliente atua, deverei esclarecer para meu cliente as conseqüências negativas e não poderei contribuir com meus conhecimentos para a realização de tal objetivo.


Honestidade:


3. Eu irei apenas utilizar procedimentos que despertem as realizações pessoais, que promovam a qualidade de vida humana e a felicidade. Entendo que estarei sendo desonesto quando utilizar procedimentos restritos a outras classes profissionais como médicos, psicólogos e outros.
4. Eu irei identificar casos em que meu cliente não esteja obtendo ganhos com os trabalhos de Coaching e irei interromper minhas atividades.
5. Quando eu identificar que meu cliente pode obter maiores resultados com outros profissionais ou treinamentos eu irei imediatamente sugerir novas abordagens.


Sigilo:


6. Eu irei respeitar os segredos das pessoas, dos negócios, das empresas e de qualquer cliente que possa utilizar meus serviços. Entendo que toda informação é sigilosa e que para ser utilizada deve antes ter o consentimento do cliente.
7. Eu nunca irei utilizar as informações concedidas pelo meu cliente para obter qualquer tipo de ganho ou benefício próprio.
8. Eu irei guardar e registrar meus trabalhos, buscando sempre preservar e garantir a individualidade de meus clientes.


Competência:


"A função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem." (ARISTÓTELES).
9. Eu sempre estarei avaliando a qualidade e os resultados de meus produtos e serviços. Entendo que o aperfeiçoamento contínuo é a excelência desta profissão. Sempre que necessário buscarei apoio de outros profissionais para evoluir como pessoa e profissional.


Prudência:


10. Eu irei exercer minhas atividades com a maior prudência possível. Analisarei as situações de forma profunda e minuciosa e sempre ponderando as decisões a serem tomadas e os resultados finais.
11. Eu irei fazer com que meu cliente entenda logo na primeira reunião a natureza do Coaching, o sigilo com as informações, o investimento financeiro e outros termos que garantam o sucesso de meu trabalho.


Verdade e Humildade:


12. Eu sei que não sou perfeito e que não possuo todas as respostas para atender às necessidades de meus clientes. Sempre atuarei com a verdade e humildade.


Respeito:


13. Eu irei respeitar outras abordagens que buscam promover a excelência, a felicidade e a qualidade de vida humana.
14. Eu sempre respeito o momento de meu cliente e atuo com a máxima excelência em todas as minhas abordagens.


Ao contrário do Calvin na tirinha abaixo, o coach atua com a verdade e a humildade. Ele sabe que seu trabalho é apoiar o coachee, sendo deste o mérito de alcançar objetivos.



Nós encontramos o que procuramos

            Há tempos eu tinha o desejo de ter um automóvel automático e, este ano, eu me dei de presente de aniversário um carro novo. De repente, passei a ver a quantidade de carros iguais ao meu pela cidade. Era impressionante!

Esse fato me lembrou da última vez que eu dei uma carona para minha grande amiga, a médica Alessandra Castelo Branco, que mora em Recife, e nos visitava. Ela observou a quantidade de clínicas perto do meu apartamento. Foi uma surpresa para mim: morava há anos naquele local e não tinha notado tal fato!

Nos dois casos, a nossa percepção nos levou a isso...

Segundo estudos científicos, a percepção é composta em 80% pela nossa mente e pelo nosso estado interno. Em outras palavras, nós não enxergamos com os nossos olhos, mas com o nosso cérebro e a nossa mente!

Você já passou por uma experiência como essas que citei? Se não lembra, experimente fazer um teste bem tradicional: após ler esse parágrafo, feche os olhos e diga quais objetos no cômodo que você está têm a cor vermelha.

Agora, olhe à sua volta e confira se você lembrou de todos os objetos vermelhos existentes.

Depois, feche novamente os olhos e diga quais os objetos do mesmo local têm a cor azul.

É provável que você não tenha conseguido lembrar-se de todos os objetos vermelhos. E mais: mesmo tendo dado mais uma olhada no local, também não deve ter lembrado de todos os de cor azul.

Na verdade, nós temos a tendência de encontrar o que estamos procurando, mesmo que não tenhamos consciência disso. Exercícios como esses revelam como colocamos “filtros” perceptivos na nossa vida, dentre os quais: crenças, entendimentos, intenções, perspectivas, preconceitos e valores.

Lembra da antiga pergunta: o seu copo está meio cheio ou meio vazio? A resposta depende da sua percepção. E é aí que agimos! Num processo de coaching, podemos preparar a nossa mente para encontrar o que queremos com perguntas como: Com que eu me preocupo? O que eu quero? O que eu estou procurando? Em que acredito?

Fazer perguntas sobre o que nós estamos procurando é como focar no nosso interior... e começar a explorar nossos filtros perceptivos.

Lembro agora da história de uma mulher que via, através de sua janela de vidro, os lençóis da casa ao lado no varal, sempre amarelados. Ela reclamava muito da negligência daquela dona de casa que deixava seus lençóis assim. Um dia, seu marido resolveu limpar o vidro da janela, que estava coberto com uma fina camada de poeira... e ela pôde ver melhor a brancura das roupas de cama de sua vizinha!

Então, é sempre bom dar uma checada no que estamos procurando e na forma como estamos vendo o mundo. Será que nossas “lentes” estão realmente limpas?



A intenção positiva

Cresci ouvindo o provérbio: “De bem intencionados, o inferno está cheio”. Qual não foi a minha surpresa ao ouvir de um professor de PNL que todo comportamento, em algum nível, tem ou teve uma “intenção positiva” e que ele serve para alguma coisa, já serviu ou servirá em algum contexto... Pelo menos do ponto de vista de quem o pratica.

Achei que eram coisas completamente antagônicas... e fiquei dias e dias encasquetada com isso. Pesquisei, li, analisei e cheguei a uma conclusão que divido com vocês: Ter boa intenção não é garantia de um bom comportamento.

            Fiquei pensando onde encontrar intenção positiva em pessoas que se escondem, têm medo de tudo, gritam com os outros – aí eu já parti para extremos –, roubam, agridem e até matam. Descobri que era difícil imaginar porque sempre eu pensava na ação, no comportamento, e não na intenção. A intenção de quem se esconde pode ser proteção – e esta é uma intenção positiva; quem tem medo pode estar atrás de segurança; quem grita com o outro pode querer ser reconhecido; quem rouba pode ter a intenção de possuir algo que não tem; quem agride e mata pode ter a intenção de se defender.

            Pensando assim, chegamos à conclusão de que até grandes carrascos da humanidade, por trás de seus gestos hediondos, tinham intenção positiva para a parte do sistema com a qual eles se identificavam. Porém, não tinha nenhuma identificação era com as vítimas.

Para a PNL, eles tinham uma intenção positiva, mas suas escolhas eram limitadas: acreditavam que só tinham aquela forma ou que aquele era o melhor jeito de fazer para obter o que queriam o mais rapidamente possível

            E em que isso nos poderá ser útil? Num primeiro momento, saber disso pode ser a solução para grande parte dos problemas de relacionamento entre casais, filhos, alunos, funcionários... É possível, por exemplo, desaprovar o comportamento de uma pessoa, mas compreendê-la. Para isso, separamos a pessoa, seu valor, de seu comportamento, que pode continuar inaceitável.

            Mas a grande importância está em descobrir alternativas que possam manter a tal intenção positiva (que gerou o comportamento) e a pessoa decidir-se por agir de uma forma diferente. Aqui está o X da questão. Ao encontrá-lo, a equação está resolvida!

            Esse procedimento tem um ponto muito importante: é preciso encontrar novas escolhas que consigam satisfazer as intenções positivas ou propósitos que a pessoa tem (consciente ou inconscientemente), mas que não possuam as consequências negativas ou patológicas do comportamento ou sintoma com o problema.

            Vamos descomplicar usando o exemplo clássico de quem quer parar de fumar. Vamos supor que, para ela, o cigarro a relaxe. Essa é uma intenção positiva: relaxar. Que outras alternativas ela poderia desenvolver, garantindo o mesmo benefício – relaxar –, mas que não fossem nocivas à saúde e ao equilíbrio do sistema? Só ela poderá dizer, pois uma alternativa pode ser ecológica para uma pessoa e não o ser para outra.

Num processo de coaching, criamos um ambiente para ajudar o coachee a descobrir essas intenções positivas nas suas ações e as alternativas que pode ter. E aqui é bom lembrar um ditado interessante na PNL: Quem tem uma opção, na realidade não tem opção. Quem tem duas opções, tem um dilema. Até a pessoa ter pelo menos três opções, ela não é realmente capaz de escolher de verdade.

Você pode, também, tentar fazer esse processo sozinho: Tire uns minutos do seu dia para se concentrar nos comportamentos que tem e que quer mudar. Escolha um deles por vez. Procure, então, a intenção positiva que está por trás desse comportamento. Agora, encontre outras formas de agir satisfazendo essa intenção e que sejam ecológicas. Aí é só escolher uma ou mais delas e colocar em prática!

Lembre-se: “Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado”. (Albert Einstein)


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