Cidadeverde.com
Suzane Jales

Dá pra ter paz assim?

Uma amiga desabafou comigo que sua vida estava um caos: o trabalho estava levando-a à exaustão, seu carro estava quebrado, ela tinha problemas com o filho e seu relacionamento não estava lá um céu de brigadeiro. “Assim não dá pra se ter paz!”, disse-me.

 

Eu lembrei, então, uma história que ouvi há algum tempo atrás: Um rei de uma terra muito, muito distante estava enfrentando sérias dificuldades com guerras explodindo por toda a região. Algumas eram lutas pequenas, dentro do próprio reino; outras eram maiores e envolviam nômades e grupos rivais, que atacavam sem dó.

 

O rei estava desolado... Ele sabia que precisava se concentrar para poder tomar as decisões certas, mas ele não conseguia ter um momento de sossego, num local que pudesse buscar o equilíbrio que precisava.

 

O rei foi aconselhado a criar um ambiente propício que lhe remetesse à serenidade que tanto necessitava, e ordenou que o arquiteto real ambientasse esse local, o que foi feito imediatamente. O rei foi conferir e achou que ainda faltava algo. “Um quadro que me remeta à paz.. É isso o que eu preciso aqui!”, disse o rei.

 

Rapidamente, foram convocados os melhores artistas do reino para que pintassem um quadro representativo da paz perfeita. O rei, pessoalmente, escolheria um deles. O alvoroço foi total. Cada um queria a honra de ter uma obra exposta no palácio real.

 

Na hora marcada, o rei entrou no grande salão e começou a ver os trabalhos feitos: um retratava um campo florido; um outro trazia borboletas que bailavam no ar; tinha um com uma belíssima praia com palmeiras ao vento; outro, ainda, mostrava pássaros voando num céu azul de tirar o fôlego; havia um com um lago de águas cristalinas refletindo as montanhas; e o quadro bem do final mostrava um grande rochedo sendo chicoteado com violência pelas ondas do mar em meio a uma tempestade estrondosa, com muitos relâmpagos.

 

O rei parou totalmente abismado na frente desse último e exclamou: “É este o quadro que quero!”.

 

Todos ficaram pasmos. Um dos pintores não se conteve e perguntou: “Desculpe nossa ignorância, mas com tantos quadros belíssimos, por que vossa majestade escolheu exatamente esse, que demonstra tanta brutalidade?

 

Com uma grande sabedoria no olhar, o rei disse-lhes: “Vocês notaram que, apesar das agressões das ondas e da grande tempestade, numa das fendas dessa montanha de rocha existe um arbusto crescendo e que, neste arbusto, encontra-se um ninho onde podemos ver um passarinho com seus filhotes dormindo calmamente?

 

Alguns artistas se aproximaram mais do quadro e viram os pássaros, mas, ainda assim, ficaram com uma cara de quem não estava entendendo nada...

 

Com um sorriso compreensivo, o rei falou: “Senhores, a paz, a verdadeira paz, é um estado de espírito. Paz não é estar num lugar sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor. Paz é, apesar de estar no meio da tormenta, ainda permanecer calmo no nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz: se a nossa consciência está tranquila, tudo à nossa volta pode estar em revolução que conseguiremos manter a nossa serenidade”.



Prazeres simples para mentes simples

Betty caminhava apressada pelo saguão do aeroporto. Faltavam poucos minutos para o encerramento do check in, mas, ainda assim, ela observou o belíssimo colar que uma senhora usava. Parou em frente a ela, virou-se e comentou: “Que belo colar!”. Já ia voltando a caminhar, quando a mulher respondeu, segurando, orgulhosa, o colar: “É mesmo lindo, não é?”. As duas deram, então, uma boa risada. Betty continuou rumo ao balcão da companhia e a mulher ficou ali, feliz. Ambas viveram um momento único e que, provavelmente, jamais ocorrerá entre as duas... mas que elas não deixaram passar em branco!

 

A história acima é verdadeira e a protagonista é Betty Alice Erickson, filha do brilhante Milton Erickson (aquele que desenvolveu uma forma revolucionária de hipnose que ficou conhecida com o seu nome: Hipnose Ericksoniana). Ela é psicoterapeuta com mais de 20 anos de prática e possui décadas de experiência em hipnose – começou servindo de sujeito de demonstração para seu pai, nos anos de 1950.

 

Em sua última estada no Brasil, durante um curso promovido pelo ACT Institute, Betty Erickson contou para um pequeno grupo de pessoas – do qual eu tive a honra de participar – histórias e estratégias criadas por seu pai e que nos levam a uma vida mais eficaz.

 

Uma delas foi demonstrada no fato ocorrido no aeroporto: lembrar à nossa mente inconsciente o que de bom acontece no nosso cotidiano. Para isso, informa, é importante notar, vibrar e/ou comemorar cada pequena alegria que desfrutamos. “Prazeres simples para mentes simples”, diz ela.

 

Assim, ela festejou quando degustou tapioca com queijo no apartamento do Eduardo Trigo (diretor do ACT Institute), vibrou quando passou por 3 sinais verdes seguidos e alegrou-se com um hambúrguer que comeu no jantar em São Paulo: “É um dos melhores que já provei!”.

 

Mesmo sabendo que Betty Erickson é americana (lá, praticamente todos amam hambúrguer), eu fiquei surpresa com a sua simplicidade e pude conferir de perto como essa tática faz mesmo uma grande diferença.

 

Mas, segundo ela, é importante se conectar na hora, quando o sentimento de prazer se instala. Depois, ele já não terá a mesma força ou, pior, podemos perder a oportunidade de nos alegrar. E nos lembrou que “uma avalanche é feita de pequenos flocos de neve”.

 

Além disso, deixou claro que, quando tiver outra pessoa envolvida, essa interação é um risco que corremos. No caso da história do colar, por exemplo, a senhora podia ter falado algo desagradável ou simplesmente ignorado o elogio. Ainda assim, ela (e eu também) acredita que vale a pena nos dar essa chance, já que correr riscos faz parte de nossa evolução.

 

E aí eu lembro de um texto de Sêneca, orador romano:

Rir é correr o risco de parecer tolo.

Chorar é correr o risco de parecer sentimental.

Estender a mão é correr o risco de se envolver.

Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.

Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas

Amar é correr o risco de não ser correspondido.

Viver é correr o risco de morrer.

Confiar é correr o risco de se decepcionar.

Tentar é correr o risco de fracassar.

Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.

Há pessoas que não correm nenhum risco, não faz nada, não têm nada e não são nada.

Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem .

Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.”

Somente a pessoa que corre riscos é livre.”



Stephen Paul Adler, Suzane Jales e Betty Erickson

Uma nova moldura

Uma das lembranças de quando eu era criança e morava na antiga Rua da Estrela, em Teresina, é a imagem de meu pai lendo um livro do FBI e minha mãe, um romance da Barbara Cartland. E como eles nos incentivavam à leitura!

 

Remexendo na memória, lembro que dois dos primeiros livros que eu li marcaram minha vida: O Pequeno Príncipe (de Saint-Exupéry) e Pollyanna (de Eleanor Porter).

 

O primeiro é um clássico sobre amor e amizade. Frases como “Só se vê com o coração. O Essencial é invisível aos olhos”, Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas” e Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante passaram a nortear meus relacionamentos.

 

Mas foi com a pequena Pollyanna Whittier que eu me identifiquei de imediato. O livro conta a história da simpática órfã, de personalidade radiante e alma sincera, que vai viver com sua tia, Paulina. Ela aprendeu com seu pai, um missionário pobre, uma filosofia de vida que procura em tudo que acontece algum motivo para ficar alegre, e que ela chamou de “jogo do contente”.

 

Achei aquilo fantástico. Eu queria ser como a Pollyanna! Procurei, então, incorporar o jogo do contente na minha vida. Algumas vezes dava certo, outras tantas não. Eu não sabia o que estava fazendo de “errado”, já que com a personagem era tão fácil... Como sou persistente, continuei tentando.

 

Tempos depois, ouvi de um amigo a história de um sábio que foi visitar um lugarejo. A comunidade preparou-se para recebê-lo e tudo estava impecável nos locais por onde ele passaria. Só que o convidado decidiu percorrer as vielas da cidadezinha. Isso preocupou os moradores e eles enviaram um homem à frente para ir arrumando o que fosse preciso. Porém, ele retornou logo, apreensivo, informando que, um pouco adiante, havia um cachorro morto, já em estado de putrefação, e era impossível removê-lo e acabar com o mau cheiro a tempo. Os anfitriões, então, resolveram persuadir o visitante para que ele não seguisse pelo caminho escolhido, porém não conseguiram. Ao chegar onde estava o animal morto, o sábio parou e ficou observando-o. Os moradores já se preparavam para ouvir um péssimo comentário, quando o mesmo falou: “Como este cachorro tinha os dentes lindos!”.

 

Fiquei pensando sobre isso e... bingo! Não era preciso necessariamente “ficar contente”, mas apenas se per­mitir ver ou­tros pontos além da­quele que foi escancarado pela si­tu­ação ad­versa. Já que não é possível mudar o que nos afetou, podemos alterar o sentimento vindo daí e que desequilibra nossa energia. Não como Jó Joaquim, personagem de Guimarães Rosa em Desenredo, que toma o passado como plástico e o molda. Não há mudança no passado, apenas passamos a ter novas percepções dele. É como pegar um quadro com uma cercadura que você não gosta e colocar uma nova moldura. O quadro é o mesmo, mas você passa a ter uma visão diferente dele.

 

Através dos cursos de Programação Neurolinguística (PNL) e Hipnose Ericksoniana, aprendi que isso tem nome – ressignificação ou reenquadramento – e técnicas para facilitar o processo, que, de uma forma bem simplificada, é observar a questão “do lado de fora”, como se fôssemos ex­pec­tadores. Assim, longe do “olho do furacão”, é possível que apareça alguma nuance ou um novo ponto que não havíamos visto.

 

Agir dessa forma ajuda a po­ten­ci­a­lizar nossa ca­pa­ci­dade de su­pe­ração em mo­mentos desfavoráveis e a escolher como vamos nos sentir em relação a eles. E isso faz toda a diferença! Até aquela situação sem saída co­meça a mostrar que tem al­gumas frestas que podem se transformar em portas e janelas.

 

Infelizmente, não é sempre fácil agir dessa forma, especialmente no começo. Algumas questões eu levei anos para reenquadrar, mas é um caminho viável, com êxito comprovado.  E lembro o que nos disse o escritor Orison Swett Marden: “O início de um hábito é como um fio invisível, mas a cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende, de forma irremediável, no pensamento e ação”.



Onde está a minha felicidade?

Começo este artigo fazendo uma confissão: usei no texto anterior o termo “felicidade plena” com a intenção de provocar mesmo. Eu imaginei (e torci para) que pudesse dar bochicho e, claro, um bom tema para um novo artigo. Por isso, parafraseando o talentoso jornalista Francisco Magalhães, quero agradecer aos meus 3 ou 4 leitores que o repercutiram, seja por e-mail, seja no facebook.

 

Diferente do filme de Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi (que tem cenas gravadas no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí), no título, eu não perguntei “Onde está a felicidade?”, mas “Onde está a minha felicidade?”, porque este é um conceito abstrato, subjetivo e absolutamente pessoal.

 

Cada um de nós criou – ou idealizou – a felicidade segundo o nosso mapa de mundo e, por isso mesmo, ela é diferente, dependendo de cada pessoa. Em termos gerais, nossos padrões ocidentais nos levam a procurar a felicidade fora de nós, enquanto os orientais a veem no nosso interior. Vamos divagar mais sobre isso...

 

Há pessoas que se consideram felizes sem ter praticamente coisa nenhuma, enquanto outras são infelizes, mesmo possuindo quase tudo. E, mesmo sabendo que é delicado falar sobre momentos difíceis que enfrentamos, já que a dor só é entendida por quem a sente, conheço pessoas que acreditam que doenças, sofrimento e tristeza não signifiquem infelicidade. Elas encaram de forma positiva as experiências pelas quais passam e dizem que tudo serve de estrutura para seu espírito... E isso é uma verdade para elas!

 

Onde está, então, o “X” da questão? Charles Chaplin dá uma pista: "Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade".

 

A grande resposta é que a felicidade está onde nós a colocamos... e que pode ser num local inacessível! Por exemplo: quem achar que só será feliz quando não tiver problemas nem passar por dores e tristezas está fadado a ser infeliz, a condicionar a felicidade a meros momentos ou dizer que ela não existe.

 

Eu prefiro acreditar (e essa minha crença, ao contrário de ser limitadora, é potencializadora) que dores, problemas, sofrimentos, tristezas e alegrias são como as ondas: vêm e vão. Mas o mar continua lá!

 

Isso posto, vamos à questão da “felicidade plena”.

 

Durante um curso que fiz, o professor propôs uma dinâmica: ele dava um comando e todos nós tínhamos que nos movimentar e formar o número solicitado por ele, cada vez num menor tempo possível. E assim ele foi chamando: 2, 9, 8, 5, 7. Íamos diminuindo nosso tempo cada vez mais e melhorando nossa performance até que ele pediu um “8 perfeito”... Foi um desastre: nós simplesmente levamos mais do triplo do tempo que havíamos gasto no primeiro número. Nossa cabeça deu um nó: tivemos primeiro que ficar imaginando o que era um 8 perfeito antes de começar a agir e ficamos “corrigindo”, achando que ainda não tínhamos conseguido, que não estava perfeito...

 

Fazendo um paralelo, eu pergunto: qual a diferença de felicidade para “felicidade plena”? Felicidade pode ser “medida”, como fazemos com a alegria e tristeza (essas, sim, têm grandes, pequenas, passageiras, etc.)? Ou ela é um “estado” como a gravidez, que você tem ou não tem (nunca ouvi alguém dizer que está ligeiramente grávida)?

 

Como cada um de nós é um ser único, não existe uma fórmula que sirva para todos e isso tem som de música para meus ouvidos... Que bom que somos diferentes: é essa diversidade que torna a vida empolgante. É por isso que cada um precisa escolher o seu próprio caminho e o seu jeito de caminhar...

 

E você? Já pensou sobre onde está colocando a sua felicidade e no que tem feito para conquistá-la?

 

P.S.: Se você pensa em perguntar, eu respondo: sim, eu sou uma pessoa feliz!



Em que acreditamos?

Na minha infância, íamos a todos os circos que vinham à cidade e, como costumávamos chegar cedo – meu pai era extremamente pontual –, às vezes dava tempo de ver os animais antes da apresentação. A grande maioria deles era colocada em jaulas, mas os elefantes ficavam ao ar livre com uma corrente prendendo uma de suas patas a uma estaca de ferro ou madeira fincada no chão. Era impressionante ver que aqueles animais imensos, pesados e de força descomunal – com sua tromba podiam arrancar uma grande árvore pelo caule –, não faziam nenhum esforço para se soltar.

 

Anos depois, soube que, se eles usassem a sua força, com certeza arrebentariam a corrente ou, mais fácil, arrancariam a estaca do chão. Mas não o faziam porque, quando filhotes, foram aprisionados daquela forma o que, na época, era mesmo muito forte para eles. É provável que tenham tentado de tudo para se libertar até que, ainda pequenos, cansaram de se esforçar e aceitaram o fato de que não conseguiriam. A partir de então, ficaram com esse registro da sua impotência e nunca mais tentaram colocar a sua força outra vez à prova, mesmo depois de adultos. A prisão não estava mais na pata, mas na cabeça...

 

Pensando sobre isso, vemos que, muitas vezes, nos comportamos como os elefantes de circo e vivemos amarrados a muitas estacas que nos impedem de conseguir o que queremos. Isso acontece porque, quando criança ou no somatório de experiências ao longo da vida, vivemos ou vimos outras pessoas passarem por determinadas situações que possam ter “traumatizado” nossa mente. E esta pode, então, criar uma falsa generalização que, na maioria das vezes, tenta nos “proteger”.

 

Igualzinho aos elefantes, gravamos em nossa memória coisas como “não podemos ter isso”, “não podemos ser aquilo”, “não temos direito a tal coisa”, “não temos capacidade de fazer aquilo”, “não vamos conseguir isso”... Tudo o que vem depois de qualquer uma dessas frases, justificando-a, são crenças limitantes: “porque sou velho para isso”, “porque não sou inteligente o suficiente”, “porque não mereço”... E por aí vai. Como diz Joseph O’Connor, um expert em PNL, as crenças “atuam como regras que nos impedem de conseguir o que é possível, do que nós somos capazes e do que nós merecemos”.

 

Essas crenças funcionam como uma espécie de “filtro da realidade” e têm um peso enorme podendo, realmente, ser extremamente nocivas à nossa vida. E quanto mais carregadas de emoção, mais força elas têm. Invisíveis, nós nem nos damos conta de que elas existem e que nos controlam, fazendo-nos atribuir um significado diferente aos acontecimentos. Vamos nos comportando de acordo com o que acreditamos e fazendo escolhas baseadas numa realidade distorcida, mas que para nós é absolutamente verdadeira.

 

Um exemplo de crença limitante é o da pessoa que acredita que o ato de cometer erro e falhar é muito ruim. É provável que ela evite qualquer experiência de aprendizagem ou crescimento, pois, para isso, precisaria estar disposta a errar. Da mesma forma, quem acha que foi rejeitado(a), provavelmente evitará conhecer ou ter um relacionamento com novas pessoas e quem, quando criança, ao chorar e espernear, conseguia tudo dos pais, poderá se tornar um adulto que quer ganhar tudo “no grito”.

 

Como os elefantes, nos resignamos, nunca mais voltamos a tentar mudar e, muito pior, passamos a buscar notícias, experiências e comentários de outras pessoas que reforcem e confirmem nossas crenças. Assim nós as alimentamos e criamos um círculo vicioso.

 

No filme “Água para Elefantes”, com sede, a elefanta Rosie arranca a estaca que a prende e vai até onde está o balde de água. Depois de beber, volta para o lugar onde era confinada... e prende novamente a estaca no solo. Também é assim mesmo que costumamos fazer: às vezes, por breves momentos, parece que estamos conseguindo sair dessa enrascada que criamos, mas, logo que possível, prendemos a estaca de volta...

 

É que, quando as crenças são muito enraizadas, mesmo que estejam fazendo mal, elas passam a fazer parte de nós e da nossa vida: podemos nos sentir completamente “perdidos” sem elas. Por isso, muita gente opta pela “cegueira”: prefere viver com suas crenças, a questiona-las e, quem sabe, descobrir que elas são falsas... Ah, daria muito trabalho!

 

Se esse não é o seu caso, saiba que, para ficar livre desses grilhões invisíveis, precisamos ter coragem e disponibilidade para decifrar nosso inconsciente e sair dessa nossa aparente zona de conforto. E é exatamente por este ponto que começamos a mudar nosso padrão mental: questionando o nosso confortável modo de pensar.

 

Só por um teste, prestemos atenção nos nossos diálogos internos ou externos, no que escrevemos sobre nós mesmo e a vida, como construímos as frases, que palavras mais usamos... Um sinal de alerta sempre acende quando nos encontramos, por exemplo, numa situação de achar que as coisas são assim mesmo, que a felicidade completa não existe, que nós devemos apenas seguir o fluxo da vida, que não devemos ter grandes expectativas...

 

Destruir crenças que, na maioria das vezes, nem conseguimos ver não é uma tarefa muito fácil. Em alguns casos, precisamos mesmo da ajuda de um profissional (coach, terapeuta, psicólogo, etc) que tem o ouvido treinado para detectá-las e que possua ferramentas e técnicas próprias para cada caso.

 

Finalizo lembrando as palavras de Henry Ford: “Se você acredita que pode, você tem razão. Se você acredita que não pode, também tem razão”.



Nossas escolhas

Lembrei-me hoje de uma história que marcou a minha infância: Na saída do prédio onde fizeram o vestibular, meu irmão Cleanto Filho encontrou-se com um amigo que, por motivos que vão ficar claros, prefiro não citar o nome. Os dois comentavam sobre a prova de português e esse amigo falou que havia gostado de tudo, exceto da redação. Meu irmão surpreendeu-se, pois o tema era o melhor possível – À escolha – e cada um decidia sobre o que queria escrever. O amigo, que não captara muito bem o tema, completou: “Pois eu achei muito difícil falar sobre uma escolha...” Na verdade, ele só tinha conseguido escrever poucas linhas sobre a casca (ou palha) do arroz que, especialmente no interior do Piauí, é popularmente chamada de “escolha”.

 

Mesmo parecendo piada, essa história foi verdadeira e esse amigo virou alvo de gozação da turma por muito tempo. E eu fico imaginando o sufoco que ele passou... Agora, pensando bem, sei que fazer uma escolha – do ato de optar, preferir, eleger – também não é uma tarefa fácil, pois quando escolhemos alguma coisa, quase sempre temos que abrir mão de outras. Sabiamente, o escritor Caio Fernando de Abreu diz: A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

 

Desde o momento do nosso nascimento, já dependemos da escolha de nossos pais sobre qual nome teremos. E quando os dois querem nomes diferente e não conseguem decidir-se por um? Aí muitas vezes resulta naquelas junções esquisitas: Adalgamir, Bronsibel, Creosméria, Francimillyan, Loprefâncio, Soraiadite e Tospericagerja, este em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho (todos são nomes verdadeiros!).

 

São muitas as escolhas ao longo da nossa vida e em todas as áreas. Algumas são mais simples, outras mais complexas: que time vamos torcer, que profissão pretendemos seguir, onde vamos morar depois de casar, que tipo de alimentação queremos, em que vamos investir nosso dinheiro... e por aí vai.

 

Sabendo que nossas escolhas de hoje terão reflexo amanhã, quando podemos, o melhor é fazê-lo com sabedoria, com um objetivo estipulado, tendo foco e estudando bem cada opção e suas implicações: O que ganho escolhendo isso? O que perco? Quem ou o que será afetado por essa escolha?

 

Nessa questão, chama-me muita atenção algumas pessoas que, querendo passar num concurso, ficam “atirando para todos os lados” e se inscrevem em vários deles. Mas, se cada edital tem matérias específicas e muitas vezes diferentes dos demais, seria essa a melhor solução? Em que oportunidades também estamos agindo assim?

 

Outra coisa importante a ser frisada: é importante ter coragem de assumir os riscos e conseqências de nossas escolhas, uma vez que não podemos determinar, com absoluta exatidão, os seus resultados. Isso é certo: mesmo quem estuda, investiga e analisa a questão e toma todas as precauções, está isento de um resultado que não esperava. Mas, sem dúvida, tem muito mais probabilidade de acertar do que aquele que age apenas por impulso.

 

Finalizo realçando as palavras de Nietzsche (que na internet erroneamente também atribuem a Fernanda Young): Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.



A busca do podium

A poucos dias do início das Olimpíadas de Londres, fiquei pensando no trabalho de preparação dos atletas participantes, como a piauiense Sarah Menezes. Estar lá já é uma grande vitória, mas eles sonham mais alto: querem subir ao pódio.



(Sarah Menezes é a segunda à esquerda - Foto da Confederação Brasileira de Judô) 


Para isso tiveram um foco absoluto, dedicaram-se bastante, levaram uma vida de sacrifício e não desistiram acreditando que um dia chegariam lá. Eles demonstram que realmente sabem o que querem e o que são capazes de fazer para conquistar esse objetivo.

 

A gente sabe, entretanto, que não existe garantia de que eles vão conseguir. Nem para quem mais se sacrificou... Ainda assim, eles acreditam que vale à pena.

 

Embora para quem tanto batalha não haja certezas, podemos quase garantir que para aqueles que não se dedicaram, não tiveram foco e não fizeram esforço, o resultado é uma eliminação até bem antes da disputa final...

 

Hoje eu trago um vídeo para vocês que fala da diferença entre desconforto e exaustão. Para os atletas, trabalhar até a exaustão é uma rotina. E nós? O que estamos dispostos a sacrificar em prol dos nossos sonhos? Estamos indo até a exaustão? Qual é o tamanho do nosso apetite por esse objetivo?

 

Como disse o romancista José de Alencar: O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo, fará coisas admiráveis.


http://www.youtube.com/watch?v=0MTlohPLIL4&feature=player_embedded



Não, não. Sim, sim!

Já contei pra vocês que gosto de escolher uma música como trilha sonora do meu dia. Pois nesse final de semana a escolhida foi “Três Letrinhas”, de Marisa Monte:

“Sim, são três letrinhas
Todas bonitinhas
Fáceis de dizer
Ditas por você
Nesse seu sim, assim

Outras três também
Representam não
Que não fica bem no seu coração”

 

Essa música me lembrou uma conversa que tive com o Dr. João Marcello Claudino, diretor da Construtora Sucesso, logo que ele chegou da Inglaterra, onde morou por muitos anos. Ele observou que costumamos começar frases de modo negativo. Era o final de uma reunião de trabalho, que foi encerrada perguntando-se a cada um dos presentes se tinha alguma coisa a acrescentar. Quase todos os que responderam – inclusive eu – começaram com um: – “Não, eu só queria dizer que...”. Teve até um que fez questão de frisar: “Não vamos esquecer de...!

 

Passei também a reparar e confirmei que esse é um hábito enraizado e já vem de muito tempo. Meu pai, por exemplo, costumava dizer para minha mãe: “Você não vai querer nada da rua não, né? Então eu já vou...!” Ele já perguntava com uma negativa... e por isso mesmo já respondia.

 

Estudando o assunto mais a fundo aprendi que o uso de uma linguagem negativa costuma exatamente provocar o comportamento que se quer evitar. Por exemplo: quantas vezes já ouvimos (e até dissemos) a famosa frase: “Não pense mais nisso.” Ora, para saber em que não pensar, precisamos primeiro pensar! E lá se foi a tentativa de suavizar o problema...

 

Mas o hábito é mesmo generalizado. Nos banheiros de uso público, vemos “Não coloque o papel no vaso”.  Bem melhor seria: “Coloque o papel no cesto ao lado”. Nos prédios, existe uma placa: “Em caso de incêndio não use o elevador”. Só que, numa situação dessas, todo mundo entra em pânico e aí é muito mais difícil pensar primeiro que não podemos usar o elevador para, em seguida, pensar no que podemos usar. Temos um resultado melhor com uma linguagem afirmativa: “Em caso de incêndio use a escada.

 

Do mesmo naipe que o NÃO, são as palavras EVITE, NUNCA e outras afins: “Evite fechar o cruzamento”; “Nunca atravesse com o sinal vermelho”; “Jamais ultrapasse a cerca”; “Proibida a entrada de menores de 18 anos”.

 

Desde então, tenho procurado, ao invés de dizer o que eu não quero, dizer exatamente o que quero. Sei que é uma questão de hábito... eu chego lá.

 

Hoje, vi a frase do Anatólio Pinheiro Guimarães Filho, no portal da Academia Novak: O não, para mim, é letra morta. Eu sou daqueles que acredita em milagres.” Assino embaixo!



Mudando o astral

Gosto de escolher uma música para ser a trilha sonora de meu dia e ouço-a várias vezes. Num dia que estou "de boa", serve qualquer estilo: vai da delicadeza de uma Carol Costa até um brega legal, para desespero dos amigos que saem comigo, como a Miriam Lobão... que odeia brega. Confesso: só não "rola" música sertaneja, que ainda não consigo engolir bem.

 

Agora, nos dias que não estou na minha melhor veia, nada de dor de cotovelo. Aí a música escolhida é sempre uma bem pra cima e eu até danço dentro do carro. Tenho que reconhecer: minha filha, adolescente, fica doidinha e, envergonhada, até pede pra eu parar. Mas eu nem ligo. Isso muda meu astral na hora.

 

Sempre que faço isso, sinto na pele que corpo e mente são mesmo partes de um mesmo sistema. Aprendi que nossos pensamentos, de forma imediata, afetam respiração, sensações e até a tensão muscular. Sabe quando a gente está esperando “aquele” telefonema e o fone toca? Mas o legal foi descobrir que o inverso também é verdadeiro e, melhor, quando aprendemos a mudar um deles, aprendemos a mudar o outro.

 

Então, da mesma forma como faço com a música, comecei a usar o meu corpo para mandar mensagens para os meus pensamentos. Assim, quando estou de baixo astral, por exemplo, tenho a tendência de ficar meio “murcha”, como se carregasse todo o peso do mundo... Afinal, meu corpo fala! Aí eu trato de assumir uma postura corporal tipo de alguém que está caminhando para receber um prêmio... e uso minha imaginação para isso. Sabe como é? Fácil: ombros para trás, peito para frente, queixo levantado, umas longas e profundas respiradas e até um sorriso no rosto. Basta eu assumir essa postura por alguns minutos e a coisa muda.

 

Como diz Walter Franco em “Serra do luar”: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

 

Experimente! Você vai ver como é incrível!



Melhorando relacionamentos com a PNL

Na semana em que se comemora o Dia dos Namorados, eu sugiro que pensemos um pouco sobre como estamos cultivando nossos relacionamentos como um todo. Sabemos que é na hora das dificuldades que somos mais exigidos, então, devemos estar preparados e ter um bom “repertório” para quando elas surgirem. Quanto mais opções tivermos nessa hora, melhor.

 

Não existe uma fórmula mágica, mas, usando a Programação Neurolinguística (PNL), podemos listar algumas dicas valiosas. Vamos a 5 delas, que já foram citadas aqui:

 

1. Seja um bom ouvinte

Você já observou que tem gente que, como ouvinte, fica a espera da hora que a outra pessoa respira, para cortar o que ela está dizendo e falar de si e de seus problemas? Se existe interesse genuíno na outra pessoa, é preciso, sobretudo, aprender a ouvir com sinceridade e ter sua atenção voltada exclusivamente para isso.

 

2. Coloque-se no lugar da outra pessoa

Não precisamos nos envolver nas questões da outra pessoa, mas podemos – e devemos – procurar entendê-la segundo o mapa de mundo dela. Mas nada de sentir pena e tentar encontrar soluções. Isso é extremamente desrespeitoso e indica que não acreditamos que ela, por iniciativa própria, tenha recursos para lidar com suas próprias dificuldades.

 

3. Foque nos pontos positivos

Nós comandamos a nossa percepção. Assim, podemos focar mais nos pontos positivos da outra pessoa e do relacionamento, ao invés de escolher prestar mais atenção nos defeitos. Não precisamos ficar cegos... É bom conhecer os defeitos, mas apenas não focar neles.

 

4. Aceite os defeitos e fraquezas do outro

Defeitos e fraquezas são avaliações subjetivas baseadas na nossa visão de mundo. O que é defeito para um pode ser considerado talento para outro. Não existe uma pessoa perfeita. A maioria de nós está fazendo e dando de si o melhor que pode, naquele momento.

 

5. Mantenha contato, mesmo quando distante

Lembra como fazemos para o fogo não apagar (desde que ainda exista carvão)? É soprando a brasa. Podemos fazer muitas coisas para manter “acesas” nossas relações, mesmo quando fisicamente distantes: ligar, passar torpedo, enviar e-mail... Nessa intenção positiva, tudo vale, até mesmos surpreender com cartas e cartões via Correios... É antigo, sim, mas ainda funciona, porque surpreende: quem ainda recebe uma carta carinhosa?

 

E isso não serve apenas para datas comemorativas. Lembrando o escritor Stephen Covey: Plante um pensamento, colha uma ação; plante uma ação, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino.


Posts anteriores