Cidadeverde.com
Suzane Jales

Nós encontramos o que procuramos

            Há tempos eu tinha o desejo de ter um automóvel automático e, este ano, eu me dei de presente de aniversário um carro novo. De repente, passei a ver a quantidade de carros iguais ao meu pela cidade. Era impressionante!

Esse fato me lembrou da última vez que eu dei uma carona para minha grande amiga, a médica Alessandra Castelo Branco, que mora em Recife, e nos visitava. Ela observou a quantidade de clínicas perto do meu apartamento. Foi uma surpresa para mim: morava há anos naquele local e não tinha notado tal fato!

Nos dois casos, a nossa percepção nos levou a isso...

Segundo estudos científicos, a percepção é composta em 80% pela nossa mente e pelo nosso estado interno. Em outras palavras, nós não enxergamos com os nossos olhos, mas com o nosso cérebro e a nossa mente!

Você já passou por uma experiência como essas que citei? Se não lembra, experimente fazer um teste bem tradicional: após ler esse parágrafo, feche os olhos e diga quais objetos no cômodo que você está têm a cor vermelha.

Agora, olhe à sua volta e confira se você lembrou de todos os objetos vermelhos existentes.

Depois, feche novamente os olhos e diga quais os objetos do mesmo local têm a cor azul.

É provável que você não tenha conseguido lembrar-se de todos os objetos vermelhos. E mais: mesmo tendo dado mais uma olhada no local, também não deve ter lembrado de todos os de cor azul.

Na verdade, nós temos a tendência de encontrar o que estamos procurando, mesmo que não tenhamos consciência disso. Exercícios como esses revelam como colocamos “filtros” perceptivos na nossa vida, dentre os quais: crenças, entendimentos, intenções, perspectivas, preconceitos e valores.

Lembra da antiga pergunta: o seu copo está meio cheio ou meio vazio? A resposta depende da sua percepção. E é aí que agimos! Num processo de coaching, podemos preparar a nossa mente para encontrar o que queremos com perguntas como: Com que eu me preocupo? O que eu quero? O que eu estou procurando? Em que acredito?

Fazer perguntas sobre o que nós estamos procurando é como focar no nosso interior... e começar a explorar nossos filtros perceptivos.

Lembro agora da história de uma mulher que via, através de sua janela de vidro, os lençóis da casa ao lado no varal, sempre amarelados. Ela reclamava muito da negligência daquela dona de casa que deixava seus lençóis assim. Um dia, seu marido resolveu limpar o vidro da janela, que estava coberto com uma fina camada de poeira... e ela pôde ver melhor a brancura das roupas de cama de sua vizinha!

Então, é sempre bom dar uma checada no que estamos procurando e na forma como estamos vendo o mundo. Será que nossas “lentes” estão realmente limpas?



A intenção positiva

Cresci ouvindo o provérbio: “De bem intencionados, o inferno está cheio”. Qual não foi a minha surpresa ao ouvir de um professor de PNL que todo comportamento, em algum nível, tem ou teve uma “intenção positiva” e que ele serve para alguma coisa, já serviu ou servirá em algum contexto... Pelo menos do ponto de vista de quem o pratica.

Achei que eram coisas completamente antagônicas... e fiquei dias e dias encasquetada com isso. Pesquisei, li, analisei e cheguei a uma conclusão que divido com vocês: Ter boa intenção não é garantia de um bom comportamento.

            Fiquei pensando onde encontrar intenção positiva em pessoas que se escondem, têm medo de tudo, gritam com os outros – aí eu já parti para extremos –, roubam, agridem e até matam. Descobri que era difícil imaginar porque sempre eu pensava na ação, no comportamento, e não na intenção. A intenção de quem se esconde pode ser proteção – e esta é uma intenção positiva; quem tem medo pode estar atrás de segurança; quem grita com o outro pode querer ser reconhecido; quem rouba pode ter a intenção de possuir algo que não tem; quem agride e mata pode ter a intenção de se defender.

            Pensando assim, chegamos à conclusão de que até grandes carrascos da humanidade, por trás de seus gestos hediondos, tinham intenção positiva para a parte do sistema com a qual eles se identificavam. Porém, não tinha nenhuma identificação era com as vítimas.

Para a PNL, eles tinham uma intenção positiva, mas suas escolhas eram limitadas: acreditavam que só tinham aquela forma ou que aquele era o melhor jeito de fazer para obter o que queriam o mais rapidamente possível

            E em que isso nos poderá ser útil? Num primeiro momento, saber disso pode ser a solução para grande parte dos problemas de relacionamento entre casais, filhos, alunos, funcionários... É possível, por exemplo, desaprovar o comportamento de uma pessoa, mas compreendê-la. Para isso, separamos a pessoa, seu valor, de seu comportamento, que pode continuar inaceitável.

            Mas a grande importância está em descobrir alternativas que possam manter a tal intenção positiva (que gerou o comportamento) e a pessoa decidir-se por agir de uma forma diferente. Aqui está o X da questão. Ao encontrá-lo, a equação está resolvida!

            Esse procedimento tem um ponto muito importante: é preciso encontrar novas escolhas que consigam satisfazer as intenções positivas ou propósitos que a pessoa tem (consciente ou inconscientemente), mas que não possuam as consequências negativas ou patológicas do comportamento ou sintoma com o problema.

            Vamos descomplicar usando o exemplo clássico de quem quer parar de fumar. Vamos supor que, para ela, o cigarro a relaxe. Essa é uma intenção positiva: relaxar. Que outras alternativas ela poderia desenvolver, garantindo o mesmo benefício – relaxar –, mas que não fossem nocivas à saúde e ao equilíbrio do sistema? Só ela poderá dizer, pois uma alternativa pode ser ecológica para uma pessoa e não o ser para outra.

Num processo de coaching, criamos um ambiente para ajudar o coachee a descobrir essas intenções positivas nas suas ações e as alternativas que pode ter. E aqui é bom lembrar um ditado interessante na PNL: Quem tem uma opção, na realidade não tem opção. Quem tem duas opções, tem um dilema. Até a pessoa ter pelo menos três opções, ela não é realmente capaz de escolher de verdade.

Você pode, também, tentar fazer esse processo sozinho: Tire uns minutos do seu dia para se concentrar nos comportamentos que tem e que quer mudar. Escolha um deles por vez. Procure, então, a intenção positiva que está por trás desse comportamento. Agora, encontre outras formas de agir satisfazendo essa intenção e que sejam ecológicas. Aí é só escolher uma ou mais delas e colocar em prática!

Lembre-se: “Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado”. (Albert Einstein)


Em que temos colocado nossa atenção?

Você já viveu a experiência de ter uma música pregada na sua cabeça feito chiclete? Várias vezes, já me peguei cantarolando, por horas a fio, um pedacinho de uma canção. É um grude só!

Tenho que reconhecer: a nossa música brasileira é bem pródiga em criar re­frões pegajosos... E, nesse quesito, o rádio e a TV são potenciais “agentes propagadores da peste”, pois é o que mais “rola” por lá: é só ouvir e não sai mais da cabeça!

Quando a canção é de qualidade, ainda vai... Mas quando me vejo assim com uma dessas pérolas irritantes ecoando na minha cabeça, fico tentada a pensar que é alguma maldição. Porém, os cientistas dizem que isso é um fenômeno re­corrente chamado por eles de earworms, que significa larvas de ouvido. Tudo a ver!

Se nós ficarmos tentando parar de pensar nela, o estrago é maior, pois quanto mais tentamos, mais ela se fixa... E é exatamente aí que está grande parte do problema: é esse não querer parar de pensar que alimenta a memória para “infectar” o nosso pensamen­to.

Quer experimentar se é verdade? Faça o teste: NÃO PENSE NA SUA MÃO DIREITA... Em que você pensou? Note que a inten­ção de negar o pensamento na sua mão direita já fez com que o seu cérebro produzisse a imagem dela. Repita a experiência: TENTE NÃO PENSAR NA COR VERMELHA... Concorda agora?

            Quando comecei a fazer meditação – ainda sou uma aprendiz –, eu brigava com a minha mente: não pense em nada, não pense em nada... Claro que não dava certo! Quando assisti ao filme “Comer, rezar e amar”, me diverti ao ver a atuação da atriz Julia Roberts, que interpreta a escritora Elizabeth Gilbert: comigo também foi daquele jeito...

Tudo aquilo em que colocamos a nossa atenção aumenta de proporção. É como se fosse criando uma forma, materializando-se e crescendo... Isso vale para a música grudenta e também para outras dificuldades que enfrentamos.

Temos a tendência de nos concentrar nos problemas ou aspectos negativos das situações, questões, coisas e pessoas. Isso é algo tão natural que muitas vezes nem percebemos. Já vi até disputa de pessoas para enumerar quem tinha mais perrengue na vida...

No meu escritório, no primeiro dia de um processo de coaching, costumo entregar uma lupa para a pessoa e pedir que ela foque com a lente em algum texto. Aí eu pergunto o que aconteceu... É o primeiro e único dia que ela fala de seu problema. A partir daí, centramos todo o nosso trabalho na busca de soluções.

Como num barco, quando mudamos o foco para a resolução, acertamos a direção da vela para encontrá-la. Eu ainda estou aprendendo a assumir o controle do meu pensamento que, vez por outra, ainda me dá umas rasteiras. Mas sei que é só uma questão de prática diária.



O Mapa do Mundo de cada um

Um dos meus hobbys prediletos é viajar. Adoro conhecer novos lugares, ver a arquitetura das cidades, conferir as culturas diferentes e a diversidade da fauna e flora. Para viajar, não dispenso um mapa da cidade, que serve de orientação para minhas incursões nesses lugares desconhecidos ou pouco conhecidos.

 

Entretanto, sempre tenho a certeza de que aquilo que tenho nas mãos é um mapa e que ele é apenas uma representação, sem grandes profundidades. Muitas coisas, inclusive algumas delas muito interessantes, não constam no mapa. É preciso percorrer as ruas a pé para ver um pouco mais... e ainda assim, sei que muito vai passar despercebido.

 

Outro detalhe importante é que as pessoas têm percepções diferentes ao olhar para a mesma coisa. Imagine levar para uma floresta um lenhador, um ecologista, um artista plástico que faz escultura de madeira e uma dona de casa que cozinha num forno à lenha. Cada um deles vai “ver” a floresta de uma forma distinta. São experiências muito diferentes e é exatamente a mesma floresta!

 

Lembra da frase: O significado de um pedaço de pão vai depender de quanta fome você está? Pois é... e isso acontece na nossa vida como um todo.

 

Independente de como seja o mundo que nos rodeia, nós só somos capazes de perceber uma pequena porção desse universo, que nos chega através dos cinco órgãos dos sentidos – visão, audição, sensação, olfato e gustação.  E essa parte que podemos perceber é logo filtrada de modo que prestamos atenção nos aspectos do mundo que nos interessam, e o resto deixamos de lado. Expectativas, vivências, interesses, cultura, linguagem, crenças, sensações e valores pessoais são filtros que inconscientemente ligamos e desligamos ao longo de nosso dia.

 

Isso faz com que cada um de nós perceba o mundo de um modo diferente do outro. E assim, vamos armazenando em nossa mente imagens, sons e sensações pessoais e únicas, formando uma “representação interna” de cada situação. Nós criamos uma espécie de cópia personalizada do mundo e estes usamos para orientar as nossas ações.

 

Em larga escala, essa representação determina o que pensamos e sentimos a respeito das experiências que vivenciamos e os comportamentos e atitudes que tomamos como resposta a essas experiências: os filtros da nossa percepção determinam o tipo de mundo em que vivemos.

 

Podemos fazer nosso mundo pobre e limitado, mas ele pode ser rico e excitante: a diferença não está no mundo, mas sim nos filtros através dos quais o percebemos.


Então, nós nunca conhecemos a realidade: na verdade, o que nós conhecemos é apenas a nossa percepção da realidade. A Programação Neurolinguística (PNL) se refere a esses processos mentais como o Mapa do Mundo da pessoa.

 

E assim como os mapas das cidades, eles estão longe de corresponder a 100% do mundo externo. Entretanto, nós temos a sensação de que essas representações são 100% verdadeiras. Em outras palavras: acreditamos que aquele nosso mapa do mundo é o próprio mundo e passamos a reagir a ele e não ao mundo.

 

Na PNL, essa é uma das importantes pressuposições: o mapa não é território. Quando compreendemos isso, passamos a ter uma nova compreensão da nossa vida e da vida das outras pessoas. Lembra daquela famosa frase que vez por outra falamos ou nos dizem: “se eu fosse você...”. Pois é: só que não é! O outro também tem as suas próprias representações internas... tem seu próprio mapa de mundo.

 

E é aí que mora o perigo: para cada um de nós, de forma individual, a percepção é verdadeira. Mas somente para nós. E pode ter um significado bem diverso para a outra pessoa. É por isso que tem tanta gente que “só queria fazer o bem” e acaba criando uma situação difícil para o outro. Surgem daí os mal-entendidos, as discussões, as inimizades.

 

Lembre-se, por exemplo, de que todas as generalizações sobre as pessoas são falsas com relação a alguma delas, porque cada pessoa é única. Por isso, é importante que a gente procure ser mais flexível e busque enxergar o mundo procurando entender o mapa do mundo das outras pessoas.


É importante ressaltar que, geralmente, não é a realidade que nos limita ou nos fortalece, mas o nosso mapa do mundo. A PNL estuda como representamos a realidade em nossas mentes e nos ajuda a alterar esta representação para conseguir os resultados que desejamos. Aprendemos técnicas e habilidades para melhorar e desenvolver nossa capacidade de comunicação, tanto a nível pessoal quanto profissional.

 

No entanto, para usar a PNL, não é necessário mudar crenças ou valores, basta ser apenas curioso e estar pronto a experimentar. Lembra do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”? Se você não assistiu a ele, fica a dica. Ele nos mostra algo básico da PNL: você muda o seu mapa de mundo ao mudar a sua percepção dele. É preciso expandir nosso mapa para termos mais escolhas e quanto mais opções tivermos, mais estaremos livres e menos influências negativas iremos sofrer.

 

Robert Dilts, autor, trainer, consultor e um dos papas da PNL diz: “Todo mundo possui seu próprio mapa ou modelo de mundo e nenhum é mais verdadeiro ou real do que qualquer outro. Ao contrário, as pessoas mais eficientes são aquelas que possuem um mapa de mundo que lhes permite perceber o maior número de opções e perspectivas possíveis.”



A Roda da Vida

O coaching é um processo através do qual o coach (profissional que realiza o trabalho) estimula, apoia e ajuda o coachee (cliente) a alcançar seus objetivos e realizar seus sonhos. Mas, lembram da máxima: “Se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve”?

 

É muito difícil falarmos de sonhos, objetivos e metas se não temos uma noção da situação atual da nossa vida. Como decidir que direção escolher se não se sabe nem de onde partir?

 

No coaching nós trabalhamos com dois pontos bem definidos: o Estado Atual (EA), que é como o coachee encontra-se no momento presente, e o Estado Desejado (ED), que é aonde ele quer chegar. Conhecendo esses dois pontos, o coachee pode definir objetivos e traçar metas para conquistá-los.

 

Para nos auxiliar na análise do EA, existe uma ferramenta simples, mas fantástica, que permite medir o nosso grau de satisfação em relação a cada uma das várias áreas que compõem a nossa vida e, através dela, podemos identificar problemas, propor mudanças e elaborar metas e um plano de ação para encontrar soluções para problemas existentes: a Roda da Vida.

 

A Roda da Vida é um gráfico dividido em áreas gerais que englobam a vida de uma pessoa, seja pessoal, profissional, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

 

Se você quiser fazer esse “retrato” de sua vida, copie e imprima a figura abaixo (para salvar a imagem no seu computador, clique com o botão direito do mouse sobre a imagem e selecione “Salvar imagem como…”). Vale a pena fazer! Talvez, como eu, você se surpreenda com o resultado final.



Depois de impressa a figura, analise cuidadosamente o seu grau de satisfação neste momento em relação a cada uma das fatias, onde o centro tem o “0″ (0%) e a extremidade “10″ (100%). Agora pinte a área que representa esse seu grau de satisfação em cada uma dessas fatias. Mas, atenção: você não vai pintar o que tem e sim o quão satisfeito(a) está em relação ao que tem.

 

Quando tiverem marcadas todas as áreas da Roda da Vida, você pode observar áreas carentes, bem como desequilíbrios como um todo. Dá pra ver facilmente o que você precisa mexer para que sua vida flua... e a roda gire livremente.

 

Questione-se: Qual área precisa de ajustes e atenção especial agora? Como esta área esta afetando as outras áreas? Qual delas pode ser uma alavanca que, se aumentada, ajude a potencializar outras áreas? Qual área gostaria de investir o seu tempo e esforço? 

 

Quando definir a área que quer trabalhar inicialmente, aprofunde-se na sua análise: O que existe nos 100% que não tem agora? O que precisa acontecer agora pra chegar nos 100%?

 

É com perguntas como essas, e outras que vão surgindo durante o processo, que o coaching trabalha.

 

É importante frisar que você não deve comparar a sua Roda da Vida com a de outra pessoa. O resultado do desenho final depende do nível de exigência e do ponto de referência de cada pessoa... e que muda de um para outra.

 

E, o mais importante: olhe sempre para a sua Roda da Vida focando em possibilidades. Veja no que falta preencher um espaço potencial de crescimento...!

 

Espero, sinceramente, que esse pequeno exercício – que lhe ajudou a ter uma visão geral da sua vida neste momento – possa ser o início de uma grande viagem em direção aos seus sonhos. E aí, quando você vai dar o primeiro passo?

A chave do autoconhecimento

O filme Another Earth, de Mike Cahill, levanta questões e traz reflexões interessantes sobre nossa vida:

Os biólogos têm investigado coisas cada vez menores. E os astrônomos coisas cada vez mais distantes. Mas, talvez o mais misterioso de tudo não é o menor e o grande. Somos nós, bem aqui. Poderíamos nos reconhecer? E se reconhecêssemos conheceríamos a nós mesmos? O que diríamos a nós mesmos? O que aprenderíamos com nós mesmos? E se pudéssemos ficar diante de nós e olhar para nós mesmos?

 

Já o psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, Carl Jung, sabiamente, dizia: “Sua visão só se tornará clara apenas quando você puder olhar dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. E Dom Helder Câmara, o único brasileiro indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz, complementa: "A gente só ama o que conhece".

 

Através do autoconhecimento, podemos identificar melhor os nossos objetivos e nos movimentar para alcançá-los. Podemos ver mais facilmente o que nos leva e nos distancia deles. E mais: saber quando estamos agindo em sintonia com o que somos.

 

Mas essa não é uma tarefa tão fácil. O autoconhecimento é como um grande quebra-cabeça: à medida que vamos encontrando as peças, começamos a montá-lo. Só que as essas peças parecem imprecisas: vão modificando seu formato – e seus encaixes – ao longo dos anos.

 

Na verdade, nós vamos mudando quando ganhamos experiências, quando aprendemos, quando sofremos, quando nos livramos de partes de nós que já não faziam sentido, quando adquirimos novos comportamentos... Mas, quanto a nossa essência... ela muda? É possível algo ou alguém nos tirar algum pedaço? Ou os acontecimentos só nos fazem guardar algumas peças bem escondidinhas, lá dentro de nós, de modo que possam ser encontradas ou subam à tona de repente, em um momento qualquer?

 

Michelangelo acreditava que existia uma escultura dentro de cada bloco de mármore e a única coisa que ele tinha de fazer era tirar o excesso de pedra. No nosso processo interno, isso é encontrar-se com o seu âmago e revelar-se!

 

Muitas vezes, acreditamos que nos falta muita coisa, que somos incompletos, o que nos causa grande ansiedade. Além disso, sem dúvidas, essa é uma ideia pobre de si mesmo. Mas a programação neurolinguística (PNL) nos ajuda a clarear o pensamento quando lembra, em um de seus pressupostos, que “As pessoas já possuem todos os recursos de que necessitam”. São aquelas peçinhas do quebra-cabeça que estão guardadas e que, ao acessá-las, podemos usá-las para construir pensamento, sentimento ou até mesmo a habilidade que desejamos.

 

E, vamos combinar, quando nos colocamos na percepção que temos tudo o que precisamos, isso nos preenche com uma agradável sensação de paz, certo? O compositor, cantor, humorista e ator brasileiro, Adoniran Barbosa, em sua Saudosa Maloca, já nos dizia: “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

 

O autoconhecimento é uma das primeiras etapas no processo de coaching, por ser fundamental e peça chave para as etapas seguintes. É preciso descobrir quais são nossos valores e analisar as crenças que formamos ao redor desses valores. Sabemos que nos apoiamos em crenças para julgar os outros e para validar e/ou justificar a forma que nos comportamos. E elas podem ser limitantes ou potencializadoras.

 

Assim, o trabalho de coaching é privilegiar o que você tem. O coach lhe ajuda a buscar o que estava esquecido, armazenado... mas, certamente, conservado! É por isso que é um processo extremamente respeitoso: parte do que você é.

 

Na música “A Lista”, o cantor e compositor Oswaldo Montenegro sugere que pensemos um pouco sobre isso:

 

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

 

E aí, eu pergunto: Em que momento de nossa vida esquecemos de nós, de nossos sonhos, nossos desejos, nossa essência? O que ainda não fizemos e que poderíamos fazer? E até quando vamos adiar esse encontro com nós mesmos?

 

Se pudermos usar a metáfora de um grande pêndulo como sendo a nossa vida, eu diria que pendemos muito para o lado materialista durante décadas e, nos últimos anos, cada vez mais, começamos a pendular para o lado da espiritualidade, da procura pelo autoconhecimento. Nunca foi tão importante a consciência de si mesmo, a busca de seu próprio eu.

 

Essa é uma busca que exige coragem. Mas é esse encontro que dá sentido a nossa vida, como diz o filósofo e teólogo dinamarquês, Kierkgaard: "Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio".

 


O que é coaching?

Quem se der ao trabalho de procurar no Google o que é coaching vai encontrar cerca de2.850.000 resultados. Se a pesquisa for apenas com a palavra coaching, os resultados sobem para 60.000.000. Além disso, vai encontrar diversas definições: algumas maistécnicas; outras bem complexas; há as que pendem para o tipo praticado; e há aquelas que são simplórias demais para a magnitude que o processo é.


Eu gosto de descrições poéticas. A vida é sempre mais bonita sob o olhar da poesia... Então, para mim, coaching é a arte de realizar sonhos!

Mas, para quem gosta de algo mais específico, podemos dizer que coachingé uma atividade especializada que, através de metodologia própria e usando várias ferramentas (por exemplo, da PNL), contribui para o autoconhecimento, a identificação e o uso das próprias competências desenvolvidas, bem como o reconhecimento e a superação de nossas fragilidades, para que alcancemos nosso objetivo. Para tanto, ele trabalha a consciência, a responsabilidade e a autoconfiança. Tudo de maneira extremamente profissional e confidencial.

 

Ele não é terapia, consultoria especializada ou aconselhamento. O coach (profissional que realiza o trabalho) atua como um amigo que, questionando limites e crenças, apoia o coachee (cliente) para que ele encontre suas próprias respostas. O coach não julga, não condena e não direciona: auxilia o cliente a ter novas percepções, a descobrir novos caminhos, a desenvolver novas habilidades e planejar o que fazer.

 

E nisso está o grande mérito do coaching: você se conhece, sabe onde está (estado atual), define aonde quer ir (estado desejado) e traça estratégias e metas para conseguir alcançar seu objetivo.


Esse vídeo de animação dá uma ideia de como é o processo:



Assim, o coaching funciona como um processo da sabedoria interior e, a partir daí, o desenvolvimento começa a acontecer, identificando pontos a serem trabalhados, criando planos de ações e causando mudanças na mentalidade e no comportamento que resultam numa melhora de vida pessoal e profissional.

Nesse vídeo, João Luiz Cortez, trainer em cursos de formação em coaching da ICC – International Coaching Community – explica o processo:

Eu acho esse assunto fascinante. Ele dá margem para usar a imaginação... e deixa uma pergunta no ar: em que o processo de coaching pode me ser útil?

O início da jornada

Quero começar este blog confessando: desde cedo, sempre tive uma “queda” por assuntos ligados à espiritualidade e excelência humana. Por isso, é natural pensar que meu contato com o coaching foi uma “conspiração” do universo. Tudo começou quando Fernando Oliveira, superintendente do Teresina Shopping, que costumava nos instigar com perguntas, jogou uma delas no ar e me deixou intrigada: “Por que as pessoas erram?”.

 

Parti em busca de respostas totalmente descompromissadas e terminei encontrando um portal na internet que tinha como tema “Porque acertar é humano”: a Academia Novak. Enviei e-mail para o coach Aldo Novak colocando minhas indagações e, sinceramente, não estava acreditando muito que ele fosse me responder... eram milhares de assinantes e, com certeza, ele devia receber muitas correspondências. Mas, para minha surpresa, ele respondeu e me convidou para fazer parte da comunidade. Inscrevi-me e tornei-me fã de seus textos, enviados semanalmente por e-mail.

 

Um dia, um desses e-mails trazia a foto dele, em Machu Picchu, convidando-nos para a “Jornada Mágica – viajando pra fora, conhecendo por dentro”. E pode até parecer uma loucura, mas eu senti que aquela montanha estava me chamando... Preparei-me durante um ano – aprofundando estudos sobre como se deve fazer uma peregrinação – e fui!

 

Foram onze dias de viagem onde eu não apenas conheci a região de La Paz à Machu Picchu, mas também convivi com o Aldo Novak, que realizou conosco processos de coaching ao longo de todo o percurso, juntamente com o escritor e especialista na cultura peruana, Alcione Giacomitti, da Operadora Terra Inca, e o xamã Mário El Puma, que nos mostrava a visão espiritual em cada parada.

 

Essa viagem mudou minha vida e, a partir daí, decidi que eu seria coach. Ao chegar a Teresina, pesquisei, comprei livros e fiz um curso na Sociedade Latino Americana de Coach (SLAC), ministrado em São Paulo por Arline Davis, americana que mora e é destaque no Brasil. Tudo aconteceu sob a supervisão de Sulivan França, presidente da SLAC. Em outras oportunidades vou escrever detalhadamente sobre o processo de coaching, mas adianto que, para mim, é a arte de realizar sonhos.

 

Vi, então, que essa jornada é um caminho sem fim e sem volta: você sente a necessidade latente de não mais ficar parado... e eu segui meu instinto. Encontrei, também em São Paulo, uma dupla que se alinhava comigo no que diz respeito a valores, compromisso e interesse genuíno no outro: João Cortez e Nicolai Cursino, da Iluminatta Brasil. Com eles, aperfeiçoei uma ferramenta incrível, que potencializava todo o trabalho que eu pretendia fazer: a programação neurolinguística (PNL), que é o estudo de como o nosso sistema neurológico representa a realidade, de como percebemos e usamos isso através da linguagem e da comunicação não verbal e de como podemos organizar estas informações para atingir os resultados desejados. A PNL nos ensina a pensar sobre soluções. Tudo a ver com o coaching!

 

Durante o aprendizado de PNL, descobri o Eneagrama – Nicolai Cursino é uma fera na área – e que ele pode ser uma chave poderosa para a realização de mudanças... Foi outro grande encontro comigo mesma.

 

Por último, fui “apresentada” à hipnose ericksoniana que, através do transe hipnótico, tem como objetivo promover um estado psicológico especial no qual você pode reassociar e reconhecer suas complexidades interiores, utilizando suas próprias capacidades para manejá-las de acordo com sua experiência de vida... e me apaixonei. Nesse caminho, um dos maiores especialista do mundo, o americano Stephen Paul Adler, do ACT Institute, passou a ser meu mestre.

Passei a atender clientes nessa área de excelência humana e a fazer disso algo de fundamental importância para minha vida. 

Agora, quero compartilhar com vocês neste blog o que venho aprendendo. A ideia é que, através de textos, citações, fotos, vídeos, dicas, indicação de leitura e cursos, eu possa contribuir para que você olhe o seu caminho sob novas perspectivas e comece a trabalhar, de verdade, para conquistar seus sonhos.



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