Teresina Criativa destaca a criação de games e realidade virtual

Por Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

Ruhan Belo é um desses apaixonados por Tecnologia da Informação e trabalha com o desenvolvimento de jogos virtuais. Ele contou um pouco da sua história e desse universo de criatividade para o Teresina Criativa, o especial da TV Cidade Verde que comemora os 165 anos da capital piauiense.

Para ele, o uso da criatividade tem sido cada vez mais crucial no mundo dos negócios. Os meios de criação de mídias interativas (principalmente jogos), tem se tornado cada vez mais populares e tais tecnologias tem avançado bastante.

Formado em Ciência da Computação, pela Universidade Federal do Piauí, e certificado em Unity3D, Ruhan comenta que ao entrar na UFPI já tinha em mente que iria criar jogos: “Fiz o meu primeiro jogo em dezembro de 2013, quando finalmente tive a coragem de começar a seguir o meu sonho”.

Lenda piauiense em jogo

“O jogo que já lancei que mais fez sucesso foi ‘The Last NightMary: a Lenda do Cabeça de Cuia’, um jogo de terror para desktop, que conta a história de Maria, uma protagonista que é perseguida por Crispim, a besta amaldiçoada”, conta Ruhan.

Ele explica que o jogo surgiu durante o evento “Global Game Jam”, que acontece anualmente no mundo todo, em que os organizadores do evento divulgam a todos os desenvolvedores do mundo um tema para fazer um jogo – seguindo este tema – durante o evento, que dura 48 horas.

 

“Participamos deste evento quando ele aconteceu em 2015, e o tema do evento foi a seguinte frase: “O que nós fazemos agora?”. Baseado nisso, eu e minha equipe fizemos um brainstorming sobre essa frase e chegamos à conclusão de que deveríamos fazer um jogo de terror, em um labirinto, onde o protagonista precisasse sempre ficar se fazendo essa pergunta. Também, decidimos adicionar alguma lenda local ao jogo. Ou seja, terminamos com: Protagonista em um labirinto, Perseguição e suspense, Cabeça de Cuia”, conta Ruhan.

O resultado foi um protótipo do The Last NightMary, gerado em 48 horas. A partir daí, a aceitação do jogo foi grande. Logo depois, o protótipo virou um produto final. A equipe que compôs a criação do jogo foram: 2 programadores, 4 artistas, 1 roteirista, 1 músico, 1 dubladora, 1 gerente de comunidade e equipes de tradução.

“Atualmente o jogo é vendido em duas plataformas: a Souking, uma plataformas de vendas de jogos independentes e brasileiros. A outra plataforma é a Steam, que serve como uma “vitrine” de jogos, para o mundo todo. Como o jogo foi traduzido para 7 idiomas, nós conquistamos bastante público nessa plataforma. Temos atualmente cerca de 50.000 cópias do jogo distribuídas pelo mundo todo. O Brasil e a Rússia são os maiores consumidores do nosso produto. É um jogo super importante na nossa carreira de desenvolvedores de jogos”, destaca.

Ruhan conta que cada vez mais pessoas estão ingressando na área da criação e, com isso, aumentando o número de aplicativos com temáticas e propósitos repetidos. “Dessa maneira, criações que envolvem mais criatividade acabam ganhando destaque no meio de todas as outras e isso pode ser um ponto crucial na hora de fazer com que um negócio gere lucro”.

Realidade Virtual

Para Ruhan, a área de jogos é um dos setores de mídia interativa que mais permite o uso da criatividade, pois o tempo todo o jogador pode estar alterando o fluxo do jogo. Dessa maneira, a criatividade acaba sendo não apenas dos desenvolvedores dos jogos, mas dos próprios jogadores também.

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Ruhan ressalta de que o jogo nem sempre deve ser pensado pra ser encontrado em uma loja virtual, pois ele poderá ser usado de diversas maneiras e ajudar, inclusive, no combate a fobias. Ele explica o uso da realidade virtual por clínicas contra o medo de injeção uma vez que o processo de vacinação se torna menos estressante, principalmente para crianças.

“O uso da Realidade Virtual já possibilita que alguns hospitais possam imergir as crianças em um mundo fantasioso, enquanto elas recebem alguma vacina. Não é um projeto que é direcionado ao público geral, é uma aplicação específica para hospitais e que, através do uso da criatividade, tem chamado a atenção do mundo todo. Então, o uso da criatividade aqui é algo que pode variar bastante. As possibilidades têm se tornado cada vez maiores com o avanço da tecnologia”, conta.

Ruhan também já lançou um jogo para celular, chamado “The V.A.C.A”, e outro que ensina conceitos de educação ambiental, economia de energia e coleta seletiva.

“O jogo se chama ‘Econsciência Energética’ e foi feito para ser colocado dentro de um caminhão com 4 computadores, este caminhão levou o jogo em várias cidades do interior do Piauí, onde o acesso a jogos do tipo é muito difícil”, relata.

A realidade virtual também está presente nas autoescolas onde os simuladores, que tornou-se obrigatório nas empresas especializadas em ensinar aulas de direção desde o ano passado, ajudam os alunos a perderam o medo de dirigir, além de treinar situações como ultrapassagem, mudança de faixa, direção com chuva e manobra em marcha à ré.

Teresina Criativa

O  programa especial Teresina Criativa,  da TV Cidade Verde, em homenagem aos 165 anos da capital piauiense, vai ao ar no dia 16 de agosto deste ano, que vai trazer mais novidades sobre o tema. Aguardem.

 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

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