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A difícil tarefa de pegar um ônibus em Teresina

Nesta reportagem temos quatro personagens cadeirantes que, além de narrarem suas dificuldades diárias para se locomover, fizeram o registro através de vídeos caseiros, tudo para tratarmos da forma mais autêntica possível. Os níveis de proximidade com o sistema de ônibus de Teresina é diferente para cada um deles. 

 


Carla Cleia, Amparo Sousa, Vagner Vasconcelos e Josefa Olinda

 

Sou cadeirante há 39 anos, mas confesso nunca tinha me aventurado a pegar um ônibus em Teresina, nem em qualquer capital brasileira por onde andei, mas acompanho a dificuldade através dos colegas que vivem isso diariamente.  Então, resolvemos tratar do tema para mostrar que apesar da lei que obriga os ônibus a serem acessíveis, vivemos uma realidade bem diferente: metade da frota está acessível e, desses veículos, muitos estão com a plataforma quebrada. Outro complicador é a falta de acessibilidade na cidade, nas paradas de ônibus, nas calçadas e a falta de sensibilidade de algumas pessoas que, como passageiros ficam impacientes com a parada para um cadeirante, devido aos minutos que, nesse caso, aumentam o tempo do percurso enquanto é feito o embarque seguro.

No vídeo a seguir, vamos mostrar a reação dos outros usuários e a dificuldade enfrentada. O resultado mostraremos aqui.

No meu caso, fiquei muito indignada com o descaso ao chegar numa parada de ônibus no bairro Piçarra e perceber que não existe sequer sinalização. Os ônibus param no meio da rua expondo as pessoas a acidentes. Tivemos sorte, pois o veículo que parou estava com a plataforma funcionando, tive ajuda de algumas pessoas solidárias, mas fiquei perplexa porque na parada, além de ser inacessível, ficam carros estacionados e não há fiscalização. 

Já o Vagner Vasconcelos, 36 anos, é atleta e sai de casa todos os dias e pega ônibus para treinar no Sesc Ilhotas. Ele também filmou sua experiência diária e vamos compartilhar com vocês. Vagner ficou usuário de cadeira de rodas há 17 anos depois de um acidente jogando bola e a partir daí começou uma nova trajetória em sua vida. 

Amparo Sousa, estudante de jornalismo, usa o transporte eficiente para se locomover, pois as dificuldades do transporte coletivo não permitem que ela tenha autonomia. Apesar desse sistema apresentar problemas, ainda atende mais satisfatoriamente que o coletivo. No vídeo, ela explica o funcionamento do Transporte Eficiente. 

Assim como Amparo Sousa, a cadeirante Josefa Olinda, funcionária pública, 39 anos, mãe de dois filhos, também prefere o Transporte Eficiente, pois considera o que melhor lhe atende, tendo em vista a autonomia que lhe dá, pegando o cadeirante na porta de casa e o levando até o destino, apesar de não oferecer a agilidade que ela precisa no cotidiano.

Nós defendemos que ambos os sistemas, tanto coletivo quanto o Eficiente, recebam mais investimentos do poder público, pois os dois já estão regulamentados e atendem públicos diferentes de pessoas com deficiência, considerando que cada deficiência tem suas especificidades.

 

 

 

Veja todas as matérias do especial:

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Carla Cleia