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Por que psicólogo não pode atender amigos e parentes?

Artigo redigido pelo psicólogo Bruno Ricardo Pereira Almeida 

 

O Conselho Regional de Psicologia diz: “A decisão pelo atendimento é do(a) psicólogo(a), que considerará se o atendimento interferirá negativamente nos objetivos do serviço prestado, uma vez que não há nada na regulamentação que proíba especificamente o atendimento de familiares e/ou conhecidos(as)". Ou seja, fica a critério do psicólogo e de sua abordagem teórica. Nos meus atendimentos utilizo a psicoterapia de base analítica que para poder ter um bom encontro analítico é necessário que não tenha um vinculo familiar ou amigo. 

Um exemplo
Imagina que “Fulano” é um amigo de longa data, passamos por algumas situações e histórias em comum, de repente ele vem pedir meus serviços psicólogos e eu digo que irei atendê-lo. Ao iniciarmos a terapia iríamos ter uma imagem de como é cada um de nós, eu então ficaria com alguns pontos cegos para serem analisados. Poderia fazer algumas perguntas intimas que ele não se sentiria confortável de responder, já que às vezes pode refletir sua amizade comigo. Na psicoterapia com base analítica é muito importante a questão de projeção e de transferência, isto é, colocar no outro aquilo que é meu ou que nego em mim, e sentimentos e emoções depositadas no psicólogo. Na terapia constantemente os pacientes projetam no psicólogo e essa projeção é muito importante para análise. Quando já temos um contato, o processo de transferência ocorre, mas não é tão significativo quanto o que se fosse atender quem não conhecemos. Pois também envolve o sentimento do psicólogo – que chamamos de contratransferência – para o paciente e quando há um contato fora do setting terapêutico perde-se a qualidade da visão do psicólogo. Por fim gostaria de dizer que na minha visão o atendimento com conhecidos e familiares não é eficaz, mas o psicólogo pode ter uma conversa como amigo e não como analista.