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Bolan, o astro interrompido.

Marc Bolan. Talento e sucesso interrompido. Foto: Facebook

Bem no início de "Billy Elliot" somos atraídos por uma bela cena de uma criança dançando ao som de "Cosmic Dancer". Gostaria de apresentar o dançarino cósmico da bela canção de abertura desse filme.

Ele é um dos mais interessantes e obscuros personagens da história do rock. Uma mistura de místico, hippie e romântico. Só essa definição já causa deliciosa curiosidade. Ele chama-se Marc Bolan.

Influenciou mais astros da música do que você pode imaginar e lançou pelo menos dois discos que entram facilmente nas famosas e discutíveis listas. Seu talento, porém, é indiscutível.

Era um rebelde apaixonado por música que seguiu passos parecidos de outros ingleses bem famosos: montou uma banda de skiffle (tipo de música folk), ouvia Gene Vicent e Chuck Berry e tinha comportamento inconformista.

Ingleses encantadores: Elton John, Bolan e Ringo starr. Foto: Facebook

Com a explosão do movimento Mod na Inglaterra, mergulhou profundo na música. Depois de algumas experiências, funda o ‘Tyrannosaurus Rex’ ao lado do percussionista Steve Peregrine Took, logo depois substituído pelo inconfundível Mickey Finn.

Depois de um tempo praticando um som mais acústico, partiu para boa barulheira com sua guitarra singular se tornando um dos nomes mais importantes do Glam Rock. Sendo justo, um símbolo desse subgênero musical.
 
Bolan se tornou ídolo da juventude e causou um fenômeno que se comparou ao causado pela beatlemania. Em seus shows era muito comum aquela histeria coletiva que as pessoas só viam em shows dos rapazes de Liverpool.
 
Não à toa, Ringo Starr capturou tudo isso num belo filme chamado “Born To Boogie”, um dos grandes momentos na carreira do guitarrista.

“Electric Warrior” (1971) e “The Slider” (1972) são aqueles discos que citei no começo do texto.

 

Clássicos que demonstram toda potência de Bolan: Electric Warrior e The Slider. Acervo pessoal

“Jeepster”, “Get It On, “Metal Guru” e “20th Century Boy” são canções marcantes em sua carreira e tocá-las no palco exalava uma mágica que hipnotizava a audiência. (Você pode testemunhar isso no filme do Ringo)

Um surpreendente declínio do Glam Rock e a personalidade complexa do artista sabotou sua carreira e como golpe final, a incapacidade de alcançar o sucesso desejado nos EUA e de virar uma estrela internacional.

Exceto em programas especiais ou programações musicais específicas de rádio, suas músicas não tocaram por aqui. O artista não é conhecido no Brasil como deveria. 

Filme produzido e dirigido por Ringo Starr. Bolan no seu auge. Acervo pessoal

Até naquelas reuniões (chatérrimas e burocráticas) da moçada que gosta do rock clássico, sempre insistindo em tocar as mesmíssimas coisas, Bolan não comparece. Eu num güento.

Quando não consigo evitar, ando com um conjunto de placas como aquela que diz "proibido tocar Stairway to Heaven". As minhas vão de Pink Floyd, passando por Black Sabbath e AC/DC até R.E.M. e Green Day.

Marc Bolan morreu num acidente de carro num 16 de setembro em 1977, antes de completar 30 anos e penso que interrompido de virar um artista mundial. (HD)

HBO MAX: Série vai relembrar caso Daniella Perez

11 de agosto de 2021. Glória Perez homenageia sua filha Daniella. Fonte: Instagram

Alguns episódios acontecem e custamos a acreditar que são reais por vários motivos. Seja por contrariar a ordem naturais dos fatos, outros por incredulidade mesmo e mais outros pela mais clara incompreensão sobre a violência envolvida. Difícil entender ou aceitar, mesmo sabendo que o mundo é inacreditável.

E vamos nos confrontar com mais desses episódios.

Em breve teremos uma série documental em cinco capítulos que irá relembrar o assassinato de Daniella Perez. A atriz foi morta por Guilherme de Pádua, parceiro de atuação na novela 'De Corpo e Alma', juntamente com sua então esposa Paula Thomaz. Daniella tinha apenas 22 anos.
 
A série está em produção pela HBO MAX, contará com o depoimento de Glória Perez e ainda não tem data de estreia.

Crimes como esse chocam o país para além da brutalidade porque possuem uma representação diante do envolvimento de pessoas bastante conhecidas. Esse envolvimento causa um nível forte de aproximação de todos. E leve em consideração que as novelas da Globo atingem quase a totalidade dos lares brasileiros.

Daniella Perez e sua mãe Glória Perez. Fonte: Instagram

Temos visto cada vez mais produções audiovisuais dedicadas a contar histórias de investigações e desfechos ligados aos mais diversos crimes. E bem diferentes do dia-a-dia dos programas policialescos, com precisão e seriedade, respeito e ética. Nada do sensacionalismo ignorante espalhado durante o café e o almoço da população.

O assustador “Bandidos na TV”, o recente “Elize Matsunaga – Era Uma Vez Um crime” e “Em Nome de Deus”, sobre o suposto médium João de Deus são exemplos no Brasil e “O Desaparecimento de Madeleine McCann”, “Night Stalker” e “Condenados Pela Mídia” são exemplos estrangeiros. Em comum, todas são produções com alto padrão ético.

Não dá para naturalizar o ditado popular “só quem perde é quem morre”, ainda que a frase insista em fazer sentido.

Assistir séries documentais como a que veremos sobre Daniella Perez apresenta uma questão de ordem: não podemos mais tolerar a impunidade. (HD)

Holocausto Brasileiro: Museu da Loucura completa 25 anos

Museu da Loucura. Foto: Oswaldo Afonso/ Imprensa MG

Uma das histórias mais trágicas do Brasil do século 20, teve como palco o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena em Minas Gerais. Um crime hediondo. Um holocausto.

Criado em 1903, o hospital atravessou um período que sem exageros, podemos denominar de ‘período de extermínio’, entre 1930 até 1980.

Hoje em Barbacena existe o triste Museu da Loucura e que agora completa 25 anos.
 
Inaugurado em 1996, o local apresenta máquinas de eletrochoque, algemas, ferramentas de lobotomia, grades, entre outros, na intenção de fazer resgate histórico pra que nunca se esqueça, mas também pra que nunca se repita.

Daniela Arbex revelou histórias perturbadoras sobre o assunto no seu livro “Holocausto Brasileiro”. Existe um documentário também.

Capa da nova edição do livro de Daniela Arbex. Foto: Divulgação

À época, a estação ferroviária de Barbacena recebia o que chamavam de “vagão de louco”. O maquinista do trem que levava essas pessoas relata que “os policiais judiavam com essas pessoas e eles comiam de um modo muito esquisito... Igual a um porco”.

Barbacena era considerado um lugar de clima serrano bastante especial. O final do século 19 marcado por doenças e epidemias no país, fez a elite carioca ir a Barbacena para tratar seus problemas de saúde. Doenças respiratórias, clínicas e também as doenças nervosas.
 
O local começou como um spa requintado e depois de posse do Estado, se transformou no terrível depósito de humanos degradados.

Calcula-se que cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição. Muitos pacientes despejados lá não possuíam diagnóstico de transtorno mental. Eram mendigos, bêbados, homossexuais, mulheres que perderam a virgindade, presos políticos e marginais. Lá eram despejados e esquecidos.
 
Foram momentos abomináveis da biografia do país, de líderes e de autoridades. No entanto, devemos encarar com seriedade e dignidade, mas principalmente, coragem para conhecer essa imitação de campo de concentração que um dia se instalou aqui.

Certamente visitar esse museu não é exercício pacífico, mas insisto que possam ver o documentário ‘Holocausto Brasileiro’ que está na íntegra no Youtube.
 
É desesperadamente desolador, mas aconteceu aqui. Imperativo saber. (HD)

Mundos paralelos: 'What If...?' traz reviravoltas no Universo Marvel

Série apresenta universo Marvel modificado. Poster (Divulgação)

Até aqui são 5 episódios – o sexto estreia na quarta (15) – e foi uma ótima sacada retomar no formato de animação esse universo, talvez desconhecido até para quem acompanha os heróis da Marvel.

‘What If...?’ apresenta realidades alternativas que foram drasticamente modificadas por alguma decisão ou acontecimento que diverge do que se conhece na cronologia oficial do universo Marvel.


Em realidade especulativa, Conan e Wolverine se enfrentam. Acervo pessoal 

O congelamento do Capitão América na Segunda Guerra, a viagem espacial que transforma Reed, Sue, Johnny e Ben nos 4 Fantásticos, a cegueira do Demolidor ou a liderança dos X-Men por Xavier. Esse é o universo originalmente concebido que pode mudar radicalmente nessa concepção.

A ideia da série é originária dos quadrinhos que estreou em 1977 nos EUA. Tivemos o gostinho dela aqui também no Brasil. Por aqui chamou-se “O Que Aconteceria Se...”!

Histórias de "O Que Teria Acontecido Se..." publicadas em 1993

Como disse, a proposta de ‘What If’ sugere mudanças imaginativas no universo oficial e o resultado, sempre, é no mínimo curioso, exatamente por se tratar de outras terras e universos paralelos. Posso dizer que seguimos a imaginação deslizando veloz na prancha do Surfista Prateado.

Por falar no Prateado, o anfitrião por essas viagens pelo multiverso Marvel é o Vigia (Uatu), um personagem onipresente que testemunha tudo e sempre proibido de interferir. Ele nos conduz nesse exercício de imaginação, especulando e sugerindo possibilidades.

Os episódios da série já apresentados alteram as histórias do Capitão América, Pantera Negra, Vingadores, Doutor Estranho e de longe o melhor até aqui, mostra pra minha alegria e surpresa, o mitológico arco ‘Zumbi Marvel’. Santo George Romero! (É bordão da outra editora, mas... what if?)

Essa temporada terá nove episódios. A série está disponível no Disney+. (HD)

'Carro Rei'. Melhor filme em Gramado tem exibição gratuita em festival do cinema fantástico

Poster (Divulgação)

Levanta o traseiro da cadeira e veja um filme nacional... Ops... Precisa não.... Levantar. Ver, sim!

No sofá ou a cama, basta fazer uma rápida (e fácil) inscrição no site do Cinefantasy - Festival Internacional de Cinema Fantástico – evento que está apresentando muitas exibições online gratuitas. Tudo isso vai até o dia 19 de setembro.

O Cinefantasy é um festival brasileiro voltado para o cinema fantástico, realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e um dos mais importantes do gênero no mundo.

E a surpresa é que além do audiovisual nacional, você poderá assistir a filmes, documentários e curtas de outros países. São 119 filmes de 34 nacionalidades.

Cinefantasy 2021. (Divulgação)

Mas gostaria de indicar o sensacional “Carro Rei”.

Sei que recentemente tivemos outro filme sensacional, mas passava da hora de falarmos de algo além de ‘Bacurau’, né?

O filme é uma baita ficção científica e conta a história de um jovem que possui o dom de ouvir e falar com carros.

Tudo isso intercalado pelas relações entre homem e tecnologia, evolução e o meio ambiente. Juntos apresentam um conflito no tecido social da cidade de Caruaru.

A escolha do tratamento estético kitch futurista aposta no conceito do “futuro usado” da ficção científica. Acima de tudo é uma distopia muito criativa e ameaçadora. Cinema Novo também manda um alô via SMS.

A criatividade artística mistura no caldeirão brasileiro, Frankenstein, Planeta dos Macacos, 2001: Uma Odisseia no Espaço e a estranheza dos filmes de David Cronenberg.

'Zé Macaco' e a marcante atuação de Nachtrgaele

A performance símia de Matheus Nachtergaele me lembrou o êxtase totalitário dos macacos dominadores do clássico de 1968.

Muita críticos tem destacado alguns diálogos – outra grande qualidade - mas ninguém citou (até agora, né?) o que melhor traduz o filme. Zé Macaco diz a certa altura: “Eu detesto quem me rouba a solidão, sem em troca, oferecer verdadeira companhia”.

Estamos tão perto e tão longe.(HD)

Mais um 'chaveco' do Chaves!

Capa da edição brasileira lançada pela editora Pipoca e Nanquim (arquivo pessoal) 

Criados no México no início dos anos 1970 e fenômeno popular no Brasil a partir do começo de 1980, não há quem não conheça Chaves e Chapolin.

E os fãs desse grande sucesso popular acabaram de receber uma publicação originalmente escrita em 1995 e que recebe esse tratamento pela editora Pipoca e Nanquim.

E não há duvidas sobre o gigantesco sucesso que os personagens da vila do Chaves tiveram pelas Américas Latina e Central. Venezuela, Argentina Peru, Panamá, Honduras, Guatemala, Nicarágua, El Salvador e até os Estados Unidos foram testemunha do sucesso dessa turma.

Roberto Bolaños nasceu na Cidade do México, foi redator publicitário no início de sua carreira, logo seria roteirista e daí surgem seus personagens icônicos.
 
O livro utiliza de licença poética pra ser exatamente o que diz seu título: O Diário de Chaves. Bolaños propõe sua relação com seu principal personagem durante um encontro casual. Depois de engraxar seus sapatos, Chaves esquece seu diário, e seus escritos inspiram a ideia do que seria o grande sucesso de sua carreira.

Um grande presente aos fãs. Aqui entram minhas impressões pessoais.

O livro é pra fãs e nada mais. (Sei que são muitos)

A premissa do encontro com o pequeno e abandonado Chaves, sua passagem por um orfanato até sua chegada ao espaço da vila, deixa a primeira parte muito interessante, mas daí em diante é um extenso roteiro de um episódio do seriado e não apresenta nada original.

A impressão que fica é de que o livro foi escrito em busca de dividendos diante do desgaste criativo à época. Sendo sincero, foi uma baita decepção.

A escolha editorial de mudar a compreensão histórica do México (país de origem dos personagens) com o Brasil, certamente foi uma armadilha inevitável e entrega uma mistura incomum e estranha entre Dom Porfírio, touradas, D. Pedro I, José Bonifácio e Princesa Isabel.

A última parte do livro com um caderno de extras feitos pelos especialistas do Fórum Chaves se apresenta bem mais interessante.
 
Indiscutível o sucesso, o fenômeno e a importância de um dos maiores programas humorísticos da TV. Mas isso não basta pra um bom livro. (HD)

Lembranças e revelações do 11/9: Série investiga o ataque ao World Trade Center

Foto: Divulgação

O 11 de setembro de 2001 marcou uma das maiores tragédias da história moderna: os atentados ao World Trade Center.

Voltar a essa história, além de honrar a memória das vítimas desse brutal ato terrorista, mostra que essa é uma história que ainda estamos a desvendar.

“Ponto de Virada: 11/9 E A Guerra Contra O Terror”, destaque na Netflix, é uma série documental em 5 episódios que apresenta relatos de sobreviventes e declarações do alto comando oficial de diversos setores que trabalhavam diretamente com o governo Bush.

Autoridades políticas e militares, funcionários do tráfego aéreo e civis que trabalhavam no World Trade Center dão o tom de severidade muito comum a fatos relacionados às grandes tragédias. Testemunhos reveladores.

O 11 de setembro mudou o mundo e o que vemos em ‘Ponto de Virada’ é uma análise aguda dos dias e meses que sucederam ao ataque.

Os episódios ajudam a entender pontos históricos que levaram ao 11 de setembro, a região onde se localiza o Afeganistão, a ajuda (dinheiro e armamentos) dos EUA aos soldados afegãos durante a guerra fria, oTalibã, Al-Qaeda e sua jihad e o crescimento do fundamentalismo ofuscado pela atenção dada à guerra fria.

Curioso como no Brasil, usamos o termo ‘xiita’ para designar fundamentalismo e radicalismo. Nada menos objetivo que isso, mas é outra história. Inclusive muito antes no tempo, ‘fundamentalismo’ era usado de forma auto elogiosa dentro do mundo cristão. O ambiente jornalístico e acadêmico interpretou e compartilhou esse entendimento do xiita como sinônimo de radicalismo.
  
A história sempre irá desvendar segredos. Mas como disse anteriormente, isso aguarda distanciamento. O tempo é o artigo mais importante da história.
 
Digo isso no sentido de que se pudéssemos entender ou elucidar a ‘história do tempo presente’ com mais rapidez, muitos equívocos e tragédias poderiam ser pelo menos minimizados. Mas nem mesmo a história nos deixa ter certeza disso. Os episódios da série ajudam a entender isso.

‘Ponto de Virada’ é uma crônica esclarecedora de um evento que mudou o mundo e que vai nos indignar e aterrorizar por muito tempo. É um programa com imagens fortes, mas conhecer histórias como essa, eleva nossa compreensão do mundo. (HD)

Jean-Paul, o "magnífico"

Poster alemão de "O Magnífico"

Na última segunda (6) faleceu um dos maiores atores franceses: Jean-Paul Belmondo.

Você pode não lembrar, mas ele tem uma ligação direta com as tardes da televisão brasileira. Por várias vezes foi exibido na clássica “sessão da tarde”, a sua comédia de ação mais charmosa, deliciosa e divertida. Falarei adiante.

A carreira de Belmondo para a história do cinema mundial, começa a partir de um passeio e seu encontro com Jean-Luc Godard em 1958. Passear pela cidade era um hábito do ator. O seu modo preferido de perceber o mundo. Aprendera isso com outros atores que eram referência para ele.

Belmondo possuía uma beleza longe de padrões ordenados. Belíssimo ao seu jeito, possuía espírito rebelde e exalava um montanhoso carisma. Sua beleza porque foi primordial para expressões de seus papeis.

Belmondo em “Ânsia de Vingança”. 1976. Foto: divulgação

E foi isso que o fez ser exibido nas telas de cinema do mundo todo com seu malandro Michel em ‘Acossado’ (À Bout de Soufflet - 1960), sua parceria com Godard e um dos mais importantes filmes da Nouvelle Vague. Imagine você que com a quantidade excessiva de ótimos atores franceses, não há chance nem para a imaginação pensar em outro artista para esse papel.

Mas voltemos para as tardes da TV brasileira e sua relação com o ator. Com um humor muito inteligente, “O Magnífico” (1973) foi exibido várias vezes na sessão da tarde e marcou uma geração.
 
Assistimos um escritor de romances de espionagem, apaixonado e mergulhado em uma crise. Ele começa a encarnar seu próprio personagem numa espécie de fusão da realidade com a ficção.

Outra magnífica é Jacqueline Bisset – que mulher maravilha. Juntos, vivem muita ação e romance. A trilha sonora também merece destaque especial.
 
O diretor Philippe de Broca entrega junto com Belmondo o melhor estereótipo do agente espião no protagonista Bob Saint Clair (que até no nome exala um charme irresistível). Foi um momento marcante dos filmes exibidos na TV brasileira e na vida de muitos telespectadores.

Inclusive um momento marcante pra mim. Junto com uma série de outros 4 filmes – posso falar deles algum dia - eu comecei uma das mais belas e duradouras relações de amor que possuo: eu e o cinema!

No extraordinário trabalho fotográfico de Leonardo Fonseca produzido especialmente para esse espaço, na parte superior dessa página, observe alguns cartazes cinematográficos e está lá, parcialmente, “O Magnífico”. Importante ou não?

Homenageio não só porque é um dos meus filmes de iniciação, não só porque é um filme extraordinário, não só porque é uma boa lembrança e não só porque jornalistas e especialistas aqui no Brasil não citaram ‘O Magnífico’, mas principalmente porque o mundo das artes perdeu a presença desse grande artista.

Jean-Paul, o Magnífico. (HD)

A crise da mídia na 'Tempestade Perfeita'

 

Uma das mais recentes e importantes publicação sobre jornalismo é esse “Tempestade Perfeita”.

Um conjunto de experientes profissionais, a partir de suas próprias experiências, compartilham ideias que passam por desinformação, politização e polarização, diversidade nas pautas e redações, a união entre jornalistas e seu público, ética e responsabilidade, o estado da profissão, entre outros.

O livro apresenta um diagnóstico sobre o desgaste da verdade e da confiança na prática jornalística e de como isso pode afetar a democracia. Em seu texto nessa coletânea, o jornalista Merval Pereira aponta que “lutar pela liberdade de expressão enquanto se combate a desinformação é o complexo desafio destes novos tempos”.
 
As ‘fake news’ são discutidas através do novo fenômeno que passou a integrar a profissão: o fact-checking (checagem de fatos) e as agências verificadoras de notícias.

Nesses tempos de extrema polarização, o papel do jornalista na sociedade passou a ser questionado junto com os conceitos de imparcialidade e ética. O advento das tecnologias e as redes sociais transformaram cada indivíduo em potenciais produtores de conteúdo e isso tem aumentado o tom da discussão. 
Nesse sentido, Caio Túlio Costa propõe perguntas fundamentais e com isso análises ponderadas. 

‘O jornalismo pode ser praticado por pessoas não preparadas formalmente para profissão?’;

‘A imprensa profissional tem exercido seu papel nesse contexto de politização e polarização?’, só pra citar algumas.

Essa coletânea de textos debate e analisa as mudanças no jornalismo e se torna indispensável para definir o momento atual que passa o jornalismo.

A predominância de homens nas redações, pautando e destacando os assuntos que viram notícias também é discutido. Outro tema em destaque é a perda de publicidade e de público pelas instituições jornalísticas tradicionais. Esse por exemplo, é o grande desafio dos meios de comunicação impressos.

O livro não se destina somente aos profissionais da área, pelo contrário, dialoga facilmente com o leitor que não imagina como funciona uma redação. Uma das regras propostas pelo editor foi exatamente propor uma leitura bastante acessível. E é isso que você vai encontrar nesses diversos textos.

Uma ‘Tempestade Perfeita’ para esses tempos difíceis.(HD)

1000 Coisas Pra Fazer

A partir de hoje vamos juntos fazer 1000 coisas. Juntos ou separados. Anotar, fazer lista, programar, discordar, concordar, provocar, descobrir e compartilhar, mas principalmente, desfrutar da melhor forma esse novo espaço.

Então quero começar aqui no CV, descrevendo um pouco do que vocês irão encontrar aqui no ‘1000 Coisas Pra fazer’. Cultura sempre.

Aqui você vai ler sobre novidades do cinema, música, quadrinhos e literatura, entre várias outras coisas. Mas não só isso, porque o radar também vai captar muitos momentos do passado relacionados a tudo isso, e pretende ir além com assuntos interessantes.  Arte e cultura serão componentes essenciais desse espaço.

Todos os holofotes também irão acender sobre a arte do nosso Estado. 

Vamos apontar esse radar pra nossa aldeia, pra Brasil e o mundo. Descobrir, redescobrir e capturar muita coisa boa, colaborando com sua diversão e entretenimento. Despejar boas dicas e oportunidades para seu dia-a-dia. 

Tudo isso de forma fácil e descontraída, numa linguagem simples. Em outras palavras, vamos bater um papo tranquilo sobre muitos assuntos.

Serão 1000 coisas pra fazer e pra falar e estou certo que várias delas serão pra você.

Aqui se inicia a nossa relação. Me chamo Henrique Douglas, sou jornalista, radialista, músico e articulista. Adoro cinema, escuto muita música, os livros são bons amigos e vamos lá, observar o mundo da arte e do entretenimento com atenção porque o desejo é compartilhar sobre tudo isso.

Toda semana sempre com novidades, juntos teremos ‘1000 coisas pra fazer’.