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1000 Coisas Pra Fazer - 'Você vem sempre aqui?' disse o moço que quer te dar dicas

 

“Ataque dos Cães” (Netflix) Classificação: 16 anos

Adaptação de um romance escrito por Thomas Savage em 1967 e que depois de cinco tentativas consegue ganhar uma adaptação de cinema por Jane Campion do magistral “O Piano”.

Pode ser considerado um faroeste, mas aviso que nada convencional (nem tem revólveres) e chega até parecer um novelão, mas tem muita coisa abaixo da superfície.

Segredos e disputas: Irmãos que não poderiam ser mais diferentes. Foto: Divulgação

Irmãos inseparáveis e bem diferentes irão ter suas vidas alteradas pela chegada de uma mãe e seu filho no rancho de propriedade deles. Um faroeste desconstruído como disse, um texto aparentemente simples, mas sutilmente complexo. Além dos segredos envolvidos.

“A Roda do Tempo” (Amazon Prime) Classificação: 16 anos

Recentemente lançada da Amazon Prime, essa série vai agradar em cheio os saudosos (e ansiosos) das aventuras dos povos da Terra Média. Porém, estão chamando de o novo Game of Thrones e nada mais que apartado de análise séria do que essa afirmação.

Vai e até pode lembrar pelo ingrediente de fantasia, mas daí a considerar isso é puro oportunismo.

Mais uma adaptação literária bem sucedida. Deu uma 'sugada' em Tolkien, mas tudo bem. Imagem: International Network

Magia, demônios, criaturas e guerreiros especiais. O cancioneiro bebe (rouba), adapta e emula a saga dos anéis de Tolkien. É ótima diversão e segura rapidinho o espectador. Bons efeitos, boas batalhas e com um nível de violência gráfica que vai agradar quem sentiu falta de um pouco mais disso nas adaptações de Tolkien para o cinema. (E faltou mesmo!)

Nada de preciosismos e ficar fazendo comparações. Faça como eu... Só curta.

“A Mais Pura Verdade” (Netflix) Classificação: 14 anos

Algumas horas de máxima agonia vivida por um humorista muito bem sucedido, consequência de más escolhas que vão se acumulando. Num preciso dizer que toda sua vida e conquistas entram em risco.

Kevin Hard (o humorista) e Wesley Snipes estão muito bem como os irmãos diretamente ligados à toda confusão e trama que vai se embaralhando cada vez mais.

Um baú cheio de confusão e vidas em sérios apuros e final surpreendente. Foto: Divulgação

Muita agonia, mentiras que constroem mais mentiras e reviravoltas. Uma produção surpreendente.

“Profecia do Inferno” (Netflix) Classificação: 18 anos

Entidades começam a aparecer na terra em busca de pecadores e numa perseguição implacável, incineram seus corpos e levam sua alma para o inferno. Assim começa Profecia do Inferno.

Mais uma produção sul-coreana com garantia de qualidade e de alto impacto.

Uma canção diz "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". A outra canção diz "não adianta se esconder". Imagem: Divulgação

No seriado, o fenômeno dessas aparições tem dia e hora marcados, pois os pecadores recebem uma mensagem de uma espécie de plano fantasmagórico fazendo o anúncio.

Prato cheio... Não... Mesa farta para aparição de uma seita de fanáticos que assume o comando da manipulação e controle da população.

Outra dica de seriado que analisa e denuncia o fundamentalismo e os falsos profetas. Cartaz: Divulgação

Farsas, incoerências, charlatanismo, devoção e manipulação (além de baldes de ignorância) bem comuns aos falsos profetas e ao fundamentalismo religioso. E claro, uma boa história com um gancho para segunda temporada simplesmente genial!

E sim... Já assisti todos. (HD)

Get Back - Todo triunfo, melancolia e a despedida da maior banda de rock do mundo

Get Back: Em cartaz todo triunfo de uma carreira e a melancolia da despedida: Cartaz: Disney. Divulgação

São quase oito horas de John, Paul, George e Ringo e muitas histórias sobre os bastidores da gravação do álbum Let it Be no documentário Get Back em cartaz no Disney+.

Um detalhe que passa pelo desconhecimento de muitos fãs é que Let It Be é considerado o último disco, mas Abbey Road sim, é que foi gravado por último, porém lançado antes! (Perceba que num dos episódios Paul toca rapidamente ‘She Came in Through the Bathroom Window’ de Abbey Road)

Sessão de fotos da icônica capa de Abbey Road (1969). Fotos: Iain Macmillan 

Antes de mais nada é bom saber que a qualidade desse lançamento conta, como diria Ringo, “com uma pequena ajuda de um amigo” que venera a banda com a máxima predileção: ‘Jackson himself’. Ele afirma categoricamente que “nunca gostou de outra banda”.

E que coisa né?, entre Jackson e os Beatles.

Quando cruzamos a máquina temporal da arte e descobrirmos que:

1) Os Beatles tentaram fazer um filme de O Senhor dos Anéis;
2) Tolkien se recusou a dar a permissão ao quarteto;
3) Anos depois Peter Jackson filma O Senhor dos Anéis. Jackson e os Beatles já estavam juntos lá trás sem sequer imaginar.

Jackson no set de 'O Senhor dos Anéis': Gandalf pode ter ajudado na mágica entre o diretor e os Beatles. Foto: Divulgação

Bem, sobre os episódios é um deleite pra fãs e amantes dos cabeludos de Liverpool. Inegável.

Muita gente falando, discutindo e compartilhando.

Efeito comparativo: não sinto o mesmo impacto causado, por exemplo, pela série Anthology lançada em 1995. Por que? Porque foi um estardalhaço causado pela possibilidade de ouvirmos músicas inéditas gravadas pela banda, ainda mais com a ausência física de Lennon.

Singles: Gravações de músicas inéditas dos Beatles no Anthology. Sem a presença física de John. Capas: Divulgação

Até ali (1995) tinha sido muito tempo sem falar com a população mundial em uníssono, sobre os Beatles. Lembro da ansiedade e da curiosidade em ver e ouvir pequenos trechos de músicas (mal gravadas) que não conhecíamos. A intimidade e qualquer possibilidade de apreciar as habilidades das vozes de John e Paul juntas era quase divino.

“Aaaah, muito longo esse Get Back. Quase oito horas de exibição” é uma das maiores reclamações que tenho ouvido. Cavalo batizado, tu assistiu o Anthology com 10 horas de duração e não reclamou, né?

Anthology (1995): O lançamento do documentário foi quase uma volta à beatlemania. 10 horas de material. Foto: Acervo

Pois bem, Get Back é tudo isso: melancolia, fratura, disposição, mágoa, triunfo, delicadeza, talento, despedida, ruptura, amizade, simplicidade, disputa, finitude, amor, intriga, construção, destruição, individualismo e recomeço. A música se mistura a tudo isso.

Perceba que a exaltação acima traz ao final mais tristeza do que júbilo. Eles já estavam alquebrados, não havia mais como ser o que eles e nós (fãs) imaginávamos, uma volta ao princípio.

Estão lá o processo de criação da banda, a manipulação perfeita do diretor entre áudio e imagem, o quase choro de Paul quando percebeu que ali era o fim, o reencontro com Billy Preston, Paul provocando Yoko – no show do telhado ele lembra Cynthia, ex de Lennon – e muitas alterações de sentimentos.

Amizades cindidas mas ainda um tanto de amor. Yoko onipresente e já anunciando a síndrome de Zagallo. "Tem que me engolir". Foto: Divulgação

Ringo pouco (ou nada) fala sobre as questões mais decisivas, Paul é incontrolavelmente controlador, John só tá de olha na boutique dela e George está como que desespiritualizado (Logo ele!).

Jackson traduz isso perfeitamente na sua edição primorosa (coisa de gênio da sensibilidade artística). Sim, realmente é extenuante porque (graças) são longos episódios, mas a viagem é real e prazerosa. Impressionante riqueza de detalhes.

Get Back revela os últimos dias do maior evento musical do planeta. Me refiro aos Beatles.

'Save The Last Dance For Me': Um último olhar antes da última dança. Não dá pra ser mais como antes. Foto: Divulgação

Dizem que o impossível é o possível que não se realizou.

Em pelo menos um milênio, duvido que haja algo como os Beatles ou que alguém algum dia seja algo parecido com o que esses rapazes foram ou representaram.

‘Por favor, SE satisfaça’ e ‘deixe estar’. (HD)

Jornalismo, coragem e corrupção contam a história da morte de milhões na URSS de Stalin

Holodomor: Pessoas morrendo nas ruas pela fome. O governo de Stalin e a verdade inconveniente descoberta por um jornalista. Foto: Divulgação

Pesquisar, estudar, ler e reconhecer alguns momentos históricos são de um sofrimento intelectual que só pode ser considerado à luz da própria razão do conhecimento.

Aguardei passarmos do quarto sábado do mês de novembro para junto com outros tantos lembramos do “Holodomor”. A mortandade pela fome promovida por Stalin foi um momento devastador para a humanidade.

Sinceramente, perante a história e aos fatos, não sei quais os motivos que afastaram do conhecimento de uma maioria, esse massacre perpetrado durante o governo stalinista.

Literatura: Um dos trabalhos mais importantes sobre o tema. Leitura que desafia nossos sentidos. Fonte: Divulgação

O ditador promoveu uma política de coletivização da agricultura que causou a morte de milhões de pessoas, principalmente na Ucrânia. Muitas vítimas de uma fome exterminadora num grau de maldade inominável.

Como dito antes sobre o quarto sábado de novembro, em 1998 foi instituído o "Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas".

E um detahe que segue incomodando é que em boa parte do ocidente houve uma espécie de indiferença sobre esse acontecimento histórico, e ouso fazer um paralelo em que arrisco que o caso “Walter Duranty” tem muito a dizer sobre isso.

Duranty era jornalista correspondente do New York Times em Moscou e simplesmente de forma servil, gananciosa e vilanesca, omitiu todas as mazelas e moléstias que ocorriam no país com reportagens que negavam absolutamente o profundo agravamento que verdadeiramente estava ocorrendo.

Walter Duranty: Apologista do terror, mentiu por Stalin e enganou boa parte do ocidente. Foto: International Network

Pasmem, mas ele ainda ganhou um ‘Pulitzer’ – uma das maiores distinções internacionais dadas a um jornalista – por essa passagem na sua carreira.

Por fim, quero convida-los a assistir “A Sombra de Stalin” em cartaz na Netflix.

Mr. Jones: Em busca da verdade, a história da viagem clandestina de um jornalista e a descoberta que chocou o mundo. Cartaz: Divulgação

O filme narra a extraordinária história de Gareth Jones, esse que se mostra responsável jornalista e que viajou para a União Soviética no início da década de 1930 e – de forma clandestina - descobriu a chocante verdade por trás do regime de Josef Stalin.

O Holodomor, junto com outras tragédias humanas como o genocídio em Ruanda (1994), o massacre armênio (1915-1923), o genocídio congolês (1885-1908), o holocausto judeu (1939-1945) e a fome de Mao-Tsé-Tung (1958-1976) são momentos desoladores do século passado.

"A fome guia a Rússia": Gareth Jones e um dos artigos que revelou ao mundo o assassinato em massa pela fome. Imagem: Jornal Daily Mirror

E é duro encarrar nossa realidade e saber que histórias como essas podem se repetir.

“Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?”. (Castro Alves) (HD)

Distopia orwelliana: 'Round 6' segue matando e condenando no mundo real

Coral norte-coreano: Canções de obediência e ufanismo. Nada pode fora disso. Foto: David Guttenflder (National Geographic)

Um pouco antes no tempo, diante de um sucesso musical diziam: “Essa é pra tocar no rádio”. Agora diante desse outro sucesso (Round 6), digo diferente: “Essa é pra chocar no rádio... Na TV, no impresso e na internet”.

Não sei se estão pregando uma peça na gente – coisas difíceis de crer - mas segundo a Rádio Free Asia e outras fontes jornalísticas, um contrabandista foi condenado à morte (fuzilamento) por ter pirateado - vendendo em pendrives - para Coreia do Norte o seriado ‘Round 6’. (A Netflix não é permitida no país nortista)

'Round 6': Condenação. Assim como na realidade da Coreia do Norte, no seriado nada pode sair do controle. Foto: Divulgação

E isso vai bem mais adiante. Sete estudantes também sofrerão com sua audácia. Um deles que comprou o arquivo, recebeu uma pena de prisão perpétua. Os outros seis que somente assistiram à série, foram sentenciados a cinco anos de trabalhos forçados.

Ainda segundo a RFA, alguns professores e administradores da escola foram demitidos e banidos, sendo enviados ao exílio para trabalhar em minas distantes.

Pra quem conhece ou já leu os clássicos russos da literatura de testemunho – Arquipélago Gulag e Contos de Kolimá – sabe dos horrores que isso representa para o mundo ocidental. (Mas esse é uma discussão que requer mais tempo e linhas)

Soljenítsyn e Chalámov: Campo de trabalho forçado. Literatura das mais tenebrosas lembranças e acontecimentos na URSS. Foto: Acervo

O fato relacionado ao seriado sul-coreano, representa o uso de uma legislação norte-coreana chamada Eliminação do Pensamento e Cultura Reacionários. Ela penaliza o cidadão que assistir, portar ou distribuir conteúdos dos meios de comunicação capitalista, especialmente da Coreia do Sul ou Estados Unidos da América.

Não custa lembrar que ‘Round 6’ é uma série vista como uma crítica contundente ao capitalismo indiscriminado e selvagem, assim como a decadência imposta e inevitável que se aproveita do desespero alheio e leva suas vítimas à morte.

Documentário mostra artistas ocidentais na Coréia do Norte para troca de experiências. Estado de vigilância e medo. Cartaz: Divulgação

Na Coreia do Norte, até a própria crítica ao sistema econômico que seu governo abomina, condena as pessoas. O “pesadelo orwelliano” que ultrapassa sua essência. Um grau de totalitarismo acima do totalitarismo. (HD)

"Cada memória é uma história que, por algum motivo, a gente não deixa ir embora"

Na cena de abertura de "Jovem Adulto", Charlize aplica o inesperado no rádio do carro: Teenage Fanclub. Foto: Divulgação

Licença pra uma breve introdução. 

Ontem fui surpreendido por um sudenga musical. Tava voltando de uma gravação em estúdio de uma música nova da minha banda.

Era quase meia-noite e liguei o rádio do carro - como a Charlize Theron na imagem acima. Numa sequência para mexer com todos os baús de segredos e possibilidades, daqueles que ficam escondidos e empoeirados num cantinho (já) quase inalcançável de uma ‘memória esquecida’, tocou Foolish Beat (Debbie Gibson) e Careless Whisper (George Michael)...

Amigo ou amiga, se você já era projeto de gente nos anos 80 e não ouviu esse disco, só sinto! Capa: Divulgação

Aí vem várias coisas, né? (Rindo aqui) Primeiro dá uma saudade de “você nem sabe o quê”, mas é um sentimento que descarrega uma adrenalina repentina na mesma intensidade da rigidez da realidade que imediatamente bate à porta e separa passado e presente.

Na mesma hora você se sente um personagem de filme romântico dos anos 80 naquelas famosas e (pra muitos) inesquecíveis cenas de melancolia amorosa que intercalam cenas dos amantes separados.

(Não se preocupe, eles irão ficar juntos no final, segundo a "bíblia do jovem enamorado" escrita por John Hughes, pai dos filmes românticos anos 80)

Final inesquecível: John Hughes não falha. Um minuto tristeza... Minuto seguinte amor total. Cena: Namorada de Aluguel (1987)

Pensei logo numa máquina do tempo, mas não só. Pensei... “Teria coragem de usá-la?”. 

Uso = Vou buscar refúgio. Tô infeliz e antes era melhor. Caso sério!

Não uso = Deixa eu aqui nessa vida que me chega até agora. Mas vem cá... Sou um covarde mesmo, né?

Mas saiba que mais cedo ou tarde o passado lhe busca e encontra. Principalmente se ainda for presente.

Clube dos Cinco (1985): Outro caso de um final amorosamente clássico com música e soco no ar da vitória. Foto: Divulgação

Chegamos... Hoje pela manhã soube que o A-Há vai comemorar 35 anos do sensacional disco “Hunting High and Low” com várias datas remarcadas aqui no Brasil em 2022.

Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba receberão os noruegueses. Todos os shows no mês de março.

35 anos de 'Take on Me': Todas as datas acima estão remarcadas para o mês de março em 2022. Cartaz: Divulgação

Acho que não custa ressaltar que o vocalista Morten Harket também possui uma sólida carreira solo. Escute sua discografia e confirme mais ainda seu talento. (Letter from Egypt é uma bela canção)

Mas como estamos falando de A-Ha e seu revival, perceba que existem muitos motivos para comemorar o disco de 1985. Ter num lançamento só ‘Take on Me’, 'Train of Thought’, ‘The Sun Always Shine on TV’ e a música que dá nome ao disco, não é pouca coisa mesmo.

Muito mais se lembrarmos que foi o ano de lançamento de músicas como Broken Wings (Mister Mister), The Heat is On (Glen Frey), Nikita (Elton John), One More Night (Phil Collins), Lover Why (Century), The Boy With The Torn in His Side (The Smiths), Say You Say Me (Lionel Ritchie), Tarzan Boy (Baltimora), Shout (Tears for Fears) e We Are The World (USA for Africa). 

Competição bruta essa, hein?

Um carossel de sucessos: Aí fica você reclamando dos anos 80 quando temos 2021. Efeito Tiririca. Imagem: International Network

Só pra efeito de informação, também tivemos nos anos 80, histórias de amor com garotos(a) maduros em “O Reencontro” de Lawrence Kasdan e aí sim depois, com garotos(a) garotos(a) em “O Clube dos Cinco” e mais outros que merecem presença aqui.

O Reencontro (1983): Talvez um pouco mais amargo que os contos de John Hughes, mas ainda tão intenso. Cartaz: Divulgação

Filmes ou músicas. Existem coisas melhores pra contar nossas histórias de amor e fúria?

Vamos cantar com os noruegueses: ‘Take on me/ Take me on’ (Me aceite/ Venha na minha) (HD)

Ps: Escrevi esse texto ouvindo a trilha sonora de "A Garota de Rosa-Shocking" (Pretty in Pink).

'Curupira - O Demônio da Floresta'. O cinema de terror do Maranhão

Curupira: O folclore se mistura com o gênero de terror no cinema. Cartaz: Divulgação

Estreou recentemente o terror maranhense “Curupira – O Demônio da Floresta”. O folclore brasileiro aparecendo de forma aterrorizante para plateia.

Curupira, o ente de cabelos vermelhos, pés virados e protetor das matas e animais, também deixou suas pegadas invertidas recentemente na competente produção da Netflix, ‘Cidade Invisível’.

Curupiras: Na recente produção 'Cidade Invisível' (esquerda) e sua configuraçao folclórica (direita). Fonte: International Network 

Agora, no filme do diretor Erlanes Duarte, ele surge com muita influência do gênero ‘slasher’ (um dia posso fazer um breve retrospecto sobre o gênero) e sua maior característica: jovens se divertindo de alguma (e todas) as formas e se dando mal radicalmente.

Quem lembra aí de ‘Sexta-Feira 13’ e nosso tão carinhoso Jason Vorhees, citando uma das mais conhecidas criatura do gênero?

Os reis dos 'slashers' populares: Michael Myers, Freddy, Leatherface e Jason. Fonte: International Network

Estou muito ansioso pra assisti-lo por vários motivos. Gosto muito do gênero, cinema nacional deve ser prestigiado e é uma produção ousada que aposta num estilo pouco visto e discutido na imprensa tradicional.

Bati um papo com um dos protagonistas do filme. Al Danúzio. Como ele diz, ator do nordeste brasileiro em ascensão, já atuou em diversa peças de teatro, estudou atuação em Nova York e Los Angeles, trabalhou em novelas da Telemundo-NBC e já esteve no Piauí gravando a série Jenipapo - A Fronteira da Independência, onde interpreta o revolucionário Miranda Osório.

A impressão que tive dele, além de ser um cara gente boa, foi de um profissional dedicado e muito talentoso. Segue a entrevista.

Al Danúzio: Ímpeto, talento e profissionalismo. Receita do melhor artista. Fonte: Divulgação

Henrique Douglas - Como ator, onde começa sua paixão pela interpretação? Cinema ou teatro?

Al Danúzio - Começou no Teatro. Na verdade, na televisão como todo brasileiro, assistindo nossos atores. Mas na última década minha paixão por atuar está bem mais no Cinema.

HD - Na sua visão da arte interpretativa, quais seriam as diferenças marcantes para você como profissional entre interpretar para o teatro e para o cinema?

AD - Eu dou aula sobre isso inclusive. Tenho um Workshop todo voltado para como corpo responde no Teatro e no Cinema. Eu costumo resumir assim: Se você realmente sente, não importa onde... O público vai sentir também.

HD - Como foi o dia-a-dia e a convivência nos sets de “Curupira”?

AD - Super agradável. A produção da Raça Ruim e do Lengu Studius nos deixou sempre bem à vontade.

HD - A gente sabe que algumas vezes temos uma competição de egos, assim como diretores bem exigentes. Como foi sua experiência fazendo esse seu novo trabalho?

AD - Nada que reclamar. Só agradecer. Era um grande desafio gravar com poucos recursos e dentro do mangue. Nos unimos muito, e quando isso acontece, não sobra espaço pra ego. Erlanes foi fundamental nesse processo. Seu foco me ajudou a manter os atores focados também. Além de atuar fui o preparador de elenco do filme. Formamos um time, e por isso de certo.

HD - Que experiência de interpretação você deseja ter como ator?

AD - Atualmente Musicais. No teatro e no cinema. Já fui do elenco do Musical João do Vale, e fiquei na vontade de mais musicais.

HD - Existe algum personagem real ou fictício específico que você gostaria de fazer?

AD - Sim. Gonçalves Dias. Ando pesquisando há uns anos, e já estou desenvolvendo projetos sobre ele. Mas adorei fazer recentemente o revolucionário piauiense Miranda Osório. Foi incrível reviver a batalha do Jenipapo.

HD - E mais... Como interprete, prefere drama, comédia, aventura ou terror?

AD - Eu prefiro a verdade. Gênero é forma, e não essência da história. Minha preferência tá na essência, sempre.

HD - Que filmes os atores não deveriam deixar de ver por se tratar de performances que podem ser uma aula? Nacionais e internacionais?

AD - Álvaro Morte (La Casa de Papel), Bryan Cranston (Breaking Bad), Wagner Moura (Ó Pai, Ó; Tropa de Elite) e Silvero Pereira (Bacurau).

'1000 Coisas Pra Fazer': Cinema Nacional, política e Dostoiévski

1984 até 2021: Chega aos cinemas uma continuação direta da franquia clássica dos caçadores de fantasmas. Foto: Divulgação

A moda é reciclar (Essa Industria Cultural, hein?). Então vamos nos juntar ao que vale o ingresso. Estreia nos cinemas locais a quarta história da famosa franquia com Bill Murray e Sigourney Weaver, falo de “Caça-Fantasmas” (Ghostbusters).

Dizem as (boas) más línguas que é muito bom e faz o que promete uma franquia assim: Divertir.

O episódio com as ‘caçadoras de fantasmas’ (um filme muito ruim) foi completamente ignorado por essa continuação. A Indústria Cultural também é impiedosa. Nesse caso foi justa.

Agora são caçadores mirins. (Na verdade acho que esse novo filme deverá ser um Stranger Things com etiqueta e pedigree e isso é deveras bom!)

Teremos nos dias 19, 20 e 21 Cinema Nacional na Oficina da palavra. “Uma Mulher Chamada Esperança” de Flávio Guedes terá exibições na sexta, sábado e domingo em horários diferentes: sexta 7 da noite, sábado 5 da tarde e domingo 11 da manhã. Ingressos 20 inteira e 10 meia.

Esperança Garcia: Exibições especiais na Oficina da Palavra dias 19, 20 e 21 de novembro. Cartaz: Divulgação

O filme narra a sofrida vida da escravizada Esperança Garcia juntamente com sua família e demais escravizados da Fazenda Poções no Piauí, nos idos do século XVIII, entre os anos de 1760 e 1770. Novembro é o mês da consciência negra, portanto não perca essa oportunidade de conhecer essa história.

A história do Brasil foi remontada por Carla Camurati em seu novo filme: “8 Presidentes e 1 Juramento”. E é um retrato pessimista.

São duas horas (confesso que eu queria mais) de eleições, sucessos, fracassos, corrupções e tudo aquilo que já sabemos ser bem comum no Palácio do Planalto.

Novo filme de Carla Camurati promete mais discussões nessa polarização infernal. Cartaz: Divulgação

Temo que claro, polêmicas irão entrar no debate se o filme conseguir penetrar na difícil plateia brasileira, mas isso é que constrói as discussões.

Depois continuo com mais informações sobre o filme.

Estamos ultrapassando os duzentos anos de nascimento de Dostoievski. Pague esse tributo a ele e outro tributo para literatura lendo um dos seus melhores escritos (nossa, como é difícil fazer essa escolha). “Os Demônios”.

Não passe sua vida sem demônios. Capa: Divulgação

Já que falamos da Rússia, aproveite e procure (você vai me agradecer) “O Mestre e a Margarida” de Mikhail Bulgakov. Aniversário de ‘Dostô’ e a dádiva será sua. (HD)

'Ai meu Deus. O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?' (Rita e Paulo)

2021 e aí sim, uma boa notícia: Extraordinária pesquisa sobre nossa música. Capa: Divulgação

Vejo (e até mesmo promovo) discussões sobre a música brasileira e suas relações com o que consideramos bom ou ruim.

Já ouvi especialista, apreciadores, profissionais de rádio, músicos e uma variação de pessoas que se relacionam com a música. Ouvi muitas opiniões sensatas, preconceitos disfarçados, teorias radicais e absurdas e como disse, minha própria consciência musical.

Agora um volumoso arquivo chega pra contribuir com a discussão. Uma das melhores formas de definir ‘História da Música Popular Brasileira’ de Rodrigo Faour é chamá-lo de magistral.

Rodrigo Faour no seu apartamento no RJ: um museu de raridades sobre a música brasileira. Foto: Divulgação

Uma verdadeira viagem sobre nossos instrumentos, estilos, cantos e ritmos que vai de 1500 até o começo da década de 1970. Primeiro de dois volumes.

Assim como o autor – entrevistei-o no começo dessa semana – não sou tão bairrista quando a assunto é música. Tenho minhas (maravilhosas) preferências, respeito a dos outros (Mentira! Tolero.) e me sinto um verdadeiro democrata (desgastado) quando a discussão é essa.

O autor faz questão de demonstrar que se exime de preconceitos e esclarece que o livro tem compromisso com a história. A análise fica por sua conta.

(Digo eu agora) O autor entrega um baita presente que deveria ser livro de cabeceira de radialistas e programadores musicais que trabalham com música brasileira – Precisa falar não, né?... Só sintonizar pra saber disso.

Uma vida dedicada a pesquisar: Outras obras essenciais do autor: Foto: Facebook Rodrigo Faour

Como disse, entrevistei o autor e logo no início fiz a pergunta de 1 milhão de reais: “Por que as programações musicais de rádios parecem que sofrem um efeito looping – as mesmas músicas nos mesmos horários todos os dias ou no máximo em turnos próximos? Estamos presos numa fenda temporal ou a música no Brasil anda bem ruim?”.

Ele não quis responder – confesso que achei um pouco pedante – pois justificou que esse assunto ele trata no segundo volume (ainda a ser lançado, mas já escrito) e não quis dar “spoiler”.

Qual melhor aprovação do que a própria música brasileria de sangue latino e carne e osso? Foto: Instagram Rodrigo Faour

Não sei se realmente fui adiantado ou se ele foi grosso mesmo. Espero que ele não se chateie caso leia essa coluna, porque ele só merece respeito e não foi essa minha intenção ao aplicar a pergunta.

Uma pequena grosseria não faz mal, né? (Pra não esquecer de combinar as perguntas antes, tá?)

"Quem não tem colírio usa óculos escuros": Melhor aprovação? Só conheço a do Ney. Foto: Rolling Stone online 

Penso que nossa relação com a música dialoga ferozmente com nosso (a): 1) repertório intelectual, 2) memória afetiva ou 3) preconceito estilístico. Basicamente esse é o tripé da formação de gosto do ouvinte.

E ninguém é dono da verdade, isso eu sei. Mas a música brasileira de verdade... Onde está? (HD)

Poema para República que foi proclamada e que resta ser estabelecida

Campo de Santana (RJ): Primeiro golpe militar na República. Benedito Calixto prova que história também é fabulação. Arte: International Network

Hoje (15) comemora-se a passagem do dia da Proclamação da República.

A data em parênteses depois da palavra ‘hoje’ no início da sentença anterior - além de estilística - existe por dois motivos: para quem lê o texto outro dia qualquer e para quem não sabe que esse não é um dia qualquer.

Saber o motivo do feriado. Lá vão-se outras tantas pedradas.

Os radicais "res" e "pública" formam a palavra república que deriva do latim e significa “coisa pública”. Portanto o republicano deve ser o zelador da coisa pública.

Coisas do Brasil: Deodoro da Fonseca, o "republicano" que era monarquista. Imagem: Deodoro da Fonseca (1889). Wikipédia

Fiquemos com esse "poema patriótico" do historiador José Murilo de Carvalho. E que esnobe esse poder de síntese, assim como a arrogância do brasileiro diante dos valores republicanos.

República provisória: 1889 até 1993. Histórias sobre a história do primeiro golpe republicano. Imagem: Acervo

“Nenhum homem nesta terra é repúblico, nem vela nem trata do bem comum, senão cada um do seu particular”. (Simão de Vasconcelos, 1663)

“Ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza.

É rejeitar hierarquias e privilégios.

É não perguntar: Você sabe com quem está falando?

É responder: Quem você pensa que é?

É crer na lei como garantia da liberdade.

É saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros.

É repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas, familistas, paternalistas, nepotistas, corporativistas.

É acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte.

É saber que quem rouba dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos.
É considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu.

É não praticar nem solicitar jeitinhos, empenhos, pistolões, favores, proteções.

Ser republicano, já dizia há 346 anos o Jesuíta Simão de Vasconcelos, É NÃO SER BRASILEIRO”.

É ou não é uma carta de amor sincera ao que chamam de República? (HD) 

'7 Prisioneiros' - O Brasil e sua herança escravagista

Duas grandes performances: Rodrigo Santoro e Christian Malheiros. Opressor e oprimido. Cartaz: Divulgação

Estreou na Netflix o novo filme de Alexandre Moratto – ‘7 prisioneiros’ – e é uma boa opção para quem gosta, 1) de drama 2) histórias de ficção que se confundem com a nossa (forte) realidade ou 3) filme com todas as qualidades técnicas (atuação, fotografia, direção, etc) que representam nosso melhor cinema.

História forte sobre relações de trabalho análogas à escravidão em pleno século 21. E isso não é papo furado.

Fiquei bastante impressionado (com o detalhamento do processo) e precisei fazer uma pesquisa para checar se aquela realidade no filme correspondia com a realidade de alguns grandes centros econômicos do país. Ajudou bastante ter ao lado alguém que faz estudos decoloniais e que me explicou como funciona essa nova chaga social.

Jovens enganados e retirados de seus lares. Por um lado em busca de melhores dias, por outro a exploraçao irracional. Foto: Divulgação 

No filme, um grupo de jovens trabalhadores do interior em busca de melhores condições na cidade grande, caem em uma armadilha humana praticada por um grupo liderado por um dono de ferro velho. Passam a ter suas liberdades tomadas, identidades suprimidas e condições mínimas de conforto e higiene retiradas.

O mal e os maus-tratos penetram no cotidiano e terminam se normalizando dali a instantes. Os oprimidos passam a socializar com os opressores numa boa. Que tragédia, hã? Não parece ter jeito... Realmente é assim.

Pior vai ficando quando nesse processo, o oprimido passar a sentir vontade de oprimir diante da maquinação da sedução e do desejo. Sedução do poder e desejo de ser.

Um dilema diante da escolha moral e ética. "Me torno amigo do meu inimigo?". Foto: Aline arruda (Divulgação) 

E tudo isso vai sendo muito bem colocado na história, camada por camada, na situação agravada dos jovens abduzidos.

Ainda que escoando toda essas (importantes) questões socioantropológicas, com toda dissociação que o público possa fazer da realidade, a obra é bom cinema que atinge a plateia pela selvageria da história em si.

Sem apelos emocionais simplificados, sem apoio de respostas fáceis e com muito vigor, essa obra deve (ou pelo menos deveria) causar muitas discussões entre especialistas, coloca as discussões da condição do negro na sociedade numa espécie de “zona cinzenta da arbitragem” pela construção dos personagens e suas escolhas ao final.

Como cinema é um uppercut de contragolpe. Como proposta de estudo é nocaute fulminante. (HD)

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