Cidadeverde.com

Jean-Paul, o "magnífico"

Poster alemão de "O Magnífico"

Na última segunda (6) faleceu um dos maiores atores franceses: Jean-Paul Belmondo.

Você pode não lembrar, mas ele tem uma ligação direta com as tardes da televisão brasileira. Por várias vezes foi exibido na clássica “sessão da tarde”, a sua comédia de ação mais charmosa, deliciosa e divertida. Falarei adiante.

A carreira de Belmondo para a história do cinema mundial, começa a partir de um passeio e seu encontro com Jean-Luc Godard em 1958. Passear pela cidade era um hábito do ator. O seu modo preferido de perceber o mundo. Aprendera isso com outros atores que eram referência para ele.

Belmondo possuía uma beleza longe de padrões ordenados. Belíssimo ao seu jeito, possuía espírito rebelde e exalava um montanhoso carisma. Sua beleza porque foi primordial para expressões de seus papeis.

Belmondo em “Ânsia de Vingança”. 1976. Foto: divulgação

E foi isso que o fez ser exibido nas telas de cinema do mundo todo com seu malandro Michel em ‘Acossado’ (À Bout de Soufflet - 1960), sua parceria com Godard e um dos mais importantes filmes da Nouvelle Vague. Imagine você que com a quantidade excessiva de ótimos atores franceses, não há chance nem para a imaginação pensar em outro artista para esse papel.

Mas voltemos para as tardes da TV brasileira e sua relação com o ator. Com um humor muito inteligente, “O Magnífico” (1973) foi exibido várias vezes na sessão da tarde e marcou uma geração.
 
Assistimos um escritor de romances de espionagem, apaixonado e mergulhado em uma crise. Ele começa a encarnar seu próprio personagem numa espécie de fusão da realidade com a ficção.

Outra magnífica é Jacqueline Bisset – que mulher maravilha. Juntos, vivem muita ação e romance. A trilha sonora também merece destaque especial.
 
O diretor Philippe de Broca entrega junto com Belmondo o melhor estereótipo do agente espião no protagonista Bob Saint Clair (que até no nome exala um charme irresistível). Foi um momento marcante dos filmes exibidos na TV brasileira e na vida de muitos telespectadores.

Inclusive um momento marcante pra mim. Junto com uma série de outros 4 filmes – posso falar deles algum dia - eu comecei uma das mais belas e duradouras relações de amor que possuo: eu e o cinema!

No extraordinário trabalho fotográfico de Leonardo Fonseca produzido especialmente para esse espaço, na parte superior dessa página, observe alguns cartazes cinematográficos e está lá, parcialmente, “O Magnífico”. Importante ou não?

Homenageio não só porque é um dos meus filmes de iniciação, não só porque é um filme extraordinário, não só porque é uma boa lembrança e não só porque jornalistas e especialistas aqui no Brasil não citaram ‘O Magnífico’, mas principalmente porque o mundo das artes perdeu a presença desse grande artista.

Jean-Paul, o Magnífico. (HD)