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Holocausto Brasileiro: Museu da Loucura completa 25 anos

Museu da Loucura. Foto: Oswaldo Afonso/ Imprensa MG

Uma das histórias mais trágicas do Brasil do século 20, teve como palco o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena em Minas Gerais. Um crime hediondo. Um holocausto.

Criado em 1903, o hospital atravessou um período que sem exageros, podemos denominar de ‘período de extermínio’, entre 1930 até 1980.

Hoje em Barbacena existe o triste Museu da Loucura e que agora completa 25 anos.
 
Inaugurado em 1996, o local apresenta máquinas de eletrochoque, algemas, ferramentas de lobotomia, grades, entre outros, na intenção de fazer resgate histórico pra que nunca se esqueça, mas também pra que nunca se repita.

Daniela Arbex revelou histórias perturbadoras sobre o assunto no seu livro “Holocausto Brasileiro”. Existe um documentário também.

Capa da nova edição do livro de Daniela Arbex. Foto: Divulgação

À época, a estação ferroviária de Barbacena recebia o que chamavam de “vagão de louco”. O maquinista do trem que levava essas pessoas relata que “os policiais judiavam com essas pessoas e eles comiam de um modo muito esquisito... Igual a um porco”.

Barbacena era considerado um lugar de clima serrano bastante especial. O final do século 19 marcado por doenças e epidemias no país, fez a elite carioca ir a Barbacena para tratar seus problemas de saúde. Doenças respiratórias, clínicas e também as doenças nervosas.
 
O local começou como um spa requintado e depois de posse do Estado, se transformou no terrível depósito de humanos degradados.

Calcula-se que cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição. Muitos pacientes despejados lá não possuíam diagnóstico de transtorno mental. Eram mendigos, bêbados, homossexuais, mulheres que perderam a virgindade, presos políticos e marginais. Lá eram despejados e esquecidos.
 
Foram momentos abomináveis da biografia do país, de líderes e de autoridades. No entanto, devemos encarar com seriedade e dignidade, mas principalmente, coragem para conhecer essa imitação de campo de concentração que um dia se instalou aqui.

Certamente visitar esse museu não é exercício pacífico, mas insisto que possam ver o documentário ‘Holocausto Brasileiro’ que está na íntegra no Youtube.
 
É desesperadamente desolador, mas aconteceu aqui. Imperativo saber. (HD)