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'Candyman' - Refilmagem utiliza o terror para fazer forte denúncia contra racismo

 

Candyman (2021). Poster. Divulgação

Se existe um talento que podemos destacar na leva de novos cineastas estrangeiros, certamente Jordan Peele entra na lista. 

Só pra não perder a oportunidade de citar alguns, ainda temos Ari Aster (Hereditário), Robert Eggers (A Bruxa) e John Krasinski (Um Lugar Silencioso).

Peele trabalha para se afirmar como artista que usa sua capacidade para construção de discussões e debates que envolvem os negros. Foi assim nos excepcionais “Corra” (2017) e “Us” (2019), filmes que também usam o terror para diagnosticar o mundo real e reagir com violência fílmica.

E agora temos essa refilmagem de “Candyman” que possui produção e roteiro assinados por ele.
 
O personagem Candyman apareceu pela primeira vez nas telas no início dos anos 90, adaptado de um conto de 1984 do escritor inglês Clive Barker. Uma criatura maligna e misteriosa que amaldiçoa um conjunto habitacional dando origem a uma lenda urbana.

Cartaz original de 1992. Fonte: International Network

Nesse novo filme, vemos um artista envolver sua arte e a si próprio com uma lenda urbana. Seguem desafios, assassinatos, paranoias, mistérios e segredos.
 
Repetir o nome de Candyman cinco vezes diante do espelho é o desafio que invariavelmente não termina bem, pois assim ele surgirá com intenções assassinas.

O protagonista Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II) com medo diante do espelho. Fonte: Divulgação

Como já é comum ao trabalho de Peele, essa nova e arrepiante visão prioriza um elenco negro que facilmente demonstra competência e, além de bom entretenimento, compartilha mensagens sociais importantes sobre questões como racismo, exclusão e preconceito. E sem exageros, tudo com capacidade de mestre.

 

O cinema de terror como espelho da sociedade. A atriz Teyonah Parris em Candyman. Fonte: Divulgação

A perspectiva artística negra dimensiona o conflito e fortalece o discurso. A denúncia é legítima.

Numa determinada cena que se passa no banheiro de um colégio, a opressão, a violência, o desrespeito e o desprezo pela vida, matéria prima do racismo, arrebenta de volta em pessoas brancas. Certamente pode causar discussões ou polêmicas.

Peele acentua tons violentos no discurso contra o racismo. Fonte: Divulgação

Toda adaptação sempre traz tons nostálgicos e nesse filme não é diferente, mas não se engane, o filme é forte e assustador.
 
Claro que é entretenimento, porém não só. Através do filme sentimos o forte impacto das assustadoras e crescentes manifestações racistas que se espalham pelo mundo, principalmente no Brasil.

Por vezes a realidade é mais estranha que a ficção. E o toque de Jordan Peele conduz o impacto. (HD)