Cidadeverde.com

Você tava onde quando tudo aconteceu? 'Independência e Rock' - Disco clássico completa 31 anos

Nova onda musical: ninguém aí tocou no Kid Abelha, mas foram 'herois da resistência'. Independência e Rock. Contracapa: Divulgação

Exatamente no começo dos anos 90, Teresina cantou e dançou num carrossel musical chamado “Independência e Rock”.

Antidepressiva, Fator RH, Cura Moderna, Prós e Contras e os indefectíveis Citoplasma e Suas Mitocôndrias Malucas (tenho um carinho especial por essa banda) foram os responsáveis.

Eles colaboraram com a criação de uma das pedras fundamentais do rock mafrense com um disco ainda cheio de frescor (não precisa muito esforço pra entender isso, quando o disco tem base artística sólida e junto um bom crítico cultural), irreverente, sonoramente orgiástico, juvenil, reverente e audacioso.

Capa de um clássico indiscutível. 5 bandas, 10 sons e um disco fundamental. Arte: Divulgação

Antes de virar onda o crowdfunding (financiamento coletivo), eles já estavam trabalhando em parceria – mas não esqueça que em 1989 tivemos o split Avalon/ Mega – pra fazer a música roqueira autoral tocar nas rádios.

A “Princesinha” do Citoplasma bateu recordes de pedidos e foi a música do disco que mais tocou.

Na última terça (28) aconteceu um encontro de ninjas musicais para comemorar e tocar o LP na integra. Ainda puderam ouvir duas canções - 'Ao Centro do Marshmallow' e 'Aquela Canção do Vinil' -  gravadas no único e misterioso registro oficial sonoro do Capitão Guapo, “As Canções Que eu Fiz Pra Mim”.

Sandro, Alan, Henrique, Lino e Fabiano recriaram ao vivo o clássico disco piauiense. Foto: Divulgação

O show foi vibrante, mas antes de tudo, um momento revigorante para a música autoral teresinense que não está passando pelo seu melhor momento. E que precisa dar um salto pra redescobrir a autoestima, o respeito e a diversão.

Da constelação que pousou no palco, ainda posso citar ilustres presenças artísticas como Edvaldo Nascimento, Brito Jr e a banda Equinócio.

Edvaldo Nascimento numa noite comemorativa. Foto: HD

A pandemia, a desordem artística (em vários sentidos), a desunião e a falta de interesse do público podem explicar parte desse esgotamento que o cenário da música autoral sofre nesse momento. Mas não explica tudo.

Temos valorosos artistas que merecem mais atenção e uma dose de vibração. São artistas respeitáveis.

Banda Equinócio com a participação de Brito Jr. Foto: HD

Na cidade grande, você cruza com grandes artistas no trânsito, na padaria, no mercado e no ponto de ônibus.

Se Teresina é cidade grande eu não sei ou posso ter dúvidas, mas sei que aqui também é assim.

Viva esses artistas maravilhosos e suas máquinas tocadoras. (HD)