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Escritor gaúcho apresenta personagens da nossa Independência

Aqui o grito é 'Independência ou Morte'. Lançamento. Capa: Divulgação

Setembro chega ao fim, mas sempre podemos falar sobre figuras históricas importante para nós brasileiros. É esse o objetivo de “Personagens da Independência do Brasil: Os principais nomes da emancipação política do país e da história do Sete de Setembro”.

O historiador gaúcho Rodrigo Trespach é um dos mais dedicados historiadores dessa nova geração e está de volta à ação.

De volta rapidamente - e seus leitores agradecem – porque sua pena escritora apresentou recentemente a história da Revolução de 30.

Historiador, pesquisador e escritor Rodrigo Trespach. Foto: Divulgação

E sem dúvidas, basta observar sua dedicação ao esmero da pesquisa e seriedade da investigação que são comuns aos seus trabalhos.

Rigor que ele também apresenta na forma como mostra a história para seus leitores, sempre inovando na linguagem e se comunicando de maneira didática.

Ler um livro do escritor gaúcho é como se você assistisse um filme passando pelos seus olhos.

Outros títulos do escritor. Lidos e recomendo agressivamente. Encontra na Amazon facim, facim. Montagem: HD

Tendo em vista seu lançamento sobre nossa Independência, Trespach concedeu uma entrevista exclusiva para os leitores do 1000 Coisas. (HD)

Entrevista.

Henrique Douglas - Na história mais recente, temos historiadores e pesquisadores que diante de novas evidências apresentam versões desmitificadas de fatos importantes. De que forma você aborda isso no seu novo trabalho? 

Rodrigo Trespach - Em todos os meus trabalhos, procuro sempre apresentar visões diferentes de qualquer evento histórico, contextualizando como elas foram produzidas ao longo da história e como devemos olhar para essas diferenças.

HD - O que você destacaria como inovador nessa sua nova pesquisa? 

RT - Acredito que o fato de contar a história através de múltiplas biografias. Normalmente, temos uma biografia, notadamente as mais populares ou de maior significância. O que fiz foi contar a história da Independência por meio da história de vida de um número grande de personagens. Creio que isso nos dê uma maior compreensão do todo.

HD - Você dedica um capítulo para as mulheres. Qual a importância feminina no processo independentista brasileiro? 

RT - Foi menor do que a participação em outros momentos históricos brasileiros, como a Revolução de 1930, por exemplo. Mas menor não significa que não houve participação ou importância. O nome mais significativo, com certeza, foi o de d. Leopoldina. Ela foi extremamente importante para o reconhecimento internacional da independência, bem como foi uma grande apoiadora de d. Pedro. Ela percebeu primeiro do que o esposo, que o Brasil acabaria se separando. E suas cartas mostra isso, a preocupação dela com a causa brasileiro e o sentimento de que d. Pedro não estava preparado. No Nordeste há alguns nomes que participaram ativamente no que chamamos de Guerras da Independência, como foi o caso de Maria Quitéria.

HD - Quais são as vantagens de conhecer a história na formação do indivíduo? 

RT - Conhecer a história é essencial para a formação crítica do cidadão, por isso, importante no exercício de cidadania. Se tivermos conhecimento da história, e não apenas identificar nomes e fatos, mas compreender os processos pelo qual a história passa, teremos condições melhores de avaliar o presente e tentar transformar positivamente o futuro. E isso vale para qualquer indivíduo, seja qual for sua formação e área de atuação. Compreender a história é imprescindível para o crescimento enquanto ser humano.

HD - Como atrair leitores apresentando uma perspectiva histórica de maneira menos acadêmica sem perder o compromisso com a educação?

RT - Acredito que seja um desafio. Mas o que atrai leitores inegavelmente é um bom texto. A tendência de quem trabalha com pesquisa é querer expor o máximo do que é estudado. Mas levar conhecimento para quem não tem uma boa base exige um exercício enorme, o de aliar pesquisa, didática e uma boa narrativa. O Brasil tem grandes cientistas, mas infelizmente nossa academia ainda não trabalha bem com a divulgação do conhecimento acadêmico. Há um distanciamento enorme entre quem pesquisa e o restante da população. Muitos historiadores só atuam ou circulam entre seus pares. Não é por menos que os chamados hoje de “multiplicadores”, na maior das vezes, são jornalistas. Isso sem falar nos “influencers”. Acredito que já passou da hora da academia exercitar melhor essa relação de pesquisa e divulgação.