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DIGNIDADE: a colônia do terror. Seriado expõe seita nazista instalada no Chile

Seriado expõe seita nazista instalada no Chile. Cartaz: Divulgação

Uma paisagem bucólica e de repente uma invasão de policiais fazendo buscas e apreensões em uma comunidade, procurando um homem chamado Paul Schäfer.

Esse é o início da história que leva até ‘Colônia Dignidade’, mais um documentário sobre os tentáculos do nazismo na América Latina.

No começo de 1960, um grupo de alemães chega no Chile com o intuito de formar uma espécie de utopia. Na verdade, o que parecia um local idílico, seria uma seita nazista. Schäffer foi uma espécie de líder espiritual do grupo.

A história de Schäfer começa em 1945 na Alemanha como pregador evangélico que trabalhava com jovens. Ele próprio alegava um encontro com Jesus numa floresta (não foi em uma goiabeira).

Ex-militar nazista e líder da Colônia Dignidade, Paul Schäfer . Fonte: Internatinal Network 

Ao mesmo tempo gostava de ser comparado com Hitler.

Construiu um “lar para jovens” na Alemanha, mas acusado de violência sexual, a partir de 1961 começa sua fuga para outros países até chegar no Chile.

Aí então começa a história da Colônia Dignidade, uma comunidade agrária com ênfase na educação de crianças e adolescentes. Disciplina rígida, trabalho árduo e religiosidade movia sua população.

“Fazendo o seu trabalho vocês servem e louvam a Deus” dizia o líder através de seu megafone do alto do seu cavalo depois de tranquilamente ter acordado meio-dia.

Manipulação, violação de direitos e violência sexual: Colônia Dignidade. Fonte: International Network

A realidade sempre é outra. Alguns momentos dialogam diretamente com a tese da ‘banalidade do mal’ da filósofa Hannah Arendt. Homens capazes de atos desprezíveis relatam que só “estavam seguindo ordens” para justificar seus crimes e violências.

General Pinochet se tornou um grande amigo do ex-militar nazista que mantinha na casa um espaço dedicado à brutalidade e tortura de presos políticos.

Ariel Dorfman faz um trabalho de pesquisa irrepreensível. Relatos dos crimes e crueldades da ditadura de Pinochet. Foto: Acervo

Com muitas imagens feitas por cinegrafistas da comunidade, o seriado é rico em detalhe do dia-a-dia do grupo na colônia.

As histórias são de uma barbaridade extrema: as mais radicais formas de alienação parental, desespero, tortura de crianças, lobotomia, manipulação psicológica, sequestros e 16 horas de trabalho forçado sete dias por semana. Segundo uma das suas vítimas, Schäfer queria criar um “paraíso pedófilo”.

O filme "Amor e Revolução" (2015) conta parte dessa história macabra. Cartaz: Divulgação

A história é testemunha. Situações assim, muitas vezes tem como característica: 1) a promessa de um paraíso na terra; 2) a idealização de um passado que nunca corresponde com a realidade; 3) o uso de Deus e da religião para transfigurar claros crimes em atos divinos ou de correção humana; 4) Deus e família sempre são escudos de sanhas reacionárias.

Capa da nova edição de um clássico sobre liberdade e escravidão. Você já pode encontrar nas livrarias em Teresina. Capa: Divulgação

Paul Schäfer entra para o painel de fanáticos cruéis junto com Jim Jones, Charles Manson, Osho (antes que você pergunte, veja Wild Wild Country) e João de Deus.

Falsos profetas. 'Não entregue as chaves de suas prórprias correntes' ensina Étienne De La Boetie. Cartaz: Divulgação

Ainda bem que por natureza, mesmo que demore, o homem consegue romper com facínoras disfarçados de líderes. (HD)