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Preconceito, hipocrisia e segregação nos quadrinhos de 'Confinada'

A comédia castigando os costumes. Capa: Divulgação

Um dos principais fundamentos da comédia se origina na expressão “rindo se castigam os costumes”. E como o Brasil é carregado de costumes enviesados (eufemismo, né?), não é pra menos que o riso deve se manter em alta.

Ainda que seja através do riso nervoso – qual será a diferença para o riso sossegado? - vamos conhecer em breve “Confinada”, uma série de quadrinho de Leandro Assis e Triscila Oliveira que viralizou nas redes e está se transformando em livro.

Em ‘Confinada’ temos Fran e sua empregada doméstica Ju, isoladas na pandemia. Fran porque pôde ficar EM casa e Ju porque tem que ficar NA casa.

Livro em pré-venda no Catarse. Arte: Divulgação

A milionária Fran vira ‘influencer’ cheia de luz e gratidão (como essa expressão anda se desgastando diante de tanto cinismo) postando mensagens de positividade e dicas de autoajuda no seu apartamento luxuoso em São Conrado no RJ.

Por outro lado, temos Ju que vive uma rotina de humilhações e assédio moral praticados pela patroa 'luz e gratidão', que segue à risca a máxima “eu amo a humanidade, são as pessoas que eu não suporto”.

Os Santos: a violência sutil do preconceito é o véu da hipocrisia. Arte: Divulgação

O cenário é palco de situações que fazem duras críticas sociais e como falei lá no início, castiga os costumes que estão calcificados no comportamento de muitos brasileiros. E não adianta espernear idealizando um Brasil de relações pacíficas e sem racismo.

Já olhou ao seu redor hoje?

‘Confinada’ é um derivado de outra série que já tem um bom histórico nas redes: Os Santos

Fran é sobrinha dos Santos. Os cantos obscuros do (santo) comportamento e a hipocrisia expostos pela comédia. Arte: Divulgação 

É possível adquirir o livro em pré-venda, participando de uma campanha de crowdfunding, que também tem o objetivo de disponibilizar exemplares da obra em bibliotecas do país. (HD)