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'Sou bissexual' diz o novo Superman

E o povo que ainda não percebeu a caneca com o simbolo do BATMAN na mão de Jon? Será mesmo verdade... Batman e Robin? Arte: Divulgação

Como diria Walter Franco na genial simplicidade de seu verso, tudo é uma questão de manter “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

Jon Kent, o novo Superman é bissexual! “Eita... Esticaram a corda”. Pronto... O mundo está tenso.

Vamos ao jogo. O que vem a seguir será dividido em pragmatismo e humanismo.

Paremos pra pensar no mercado do entretenimento. Cada vez mais temos filmes, livros, roupas, músicas e uma sorte de produtos mirando em um público específico.

Em gênero majoritariamente masculino, o sci-fi tem a Tenente Ripley (Sigourney Weaver) de 'Alien'  demonstrando força e liderança. Foto: Divulgação

Seja por enxergar uma boa movimentação monetária, seja por buscar representatividade. O importante é o diálogo com camadas que não se veem representadas ou mal representadas.

Qual o público dos livros e filmes de Harry Porter? A quem fez suspirar, quem foi seduzida (o) em cima da cama na companhia de um livro, por Christian Grey e seus tons de cinza? O que significou a Capitã Marvel ou a Mulher Maravilha nos cinemas com seus super poderes, mas principalmente o fato de serem símbolos femininos? Ou o Pantera Negra, os habitantes e a sociedade de Wakanda?

Em comum, tudo isso mira grupos sociais que se relacionam diretamente – e muito bem - com a indústria cultural (Apressadinho, ‘Escola de Frankfurt’ hoje não, tá?) e alinhando-se com o que se chama de ‘espírito do tempo’ (Zeitgeist), temos essas mudanças que parecem incomodar.


 

Racismo e preconceito: X-Men desde 1963 se apresentam como variáveis de discussões. Acervo pessoal 

Pergunto a vocês (pros mais conservadores). Por que o Capitão Gay do Jô Soares não incomodou tanta gente? Por que é um personagem caricato? Por que é um personagem sem camadas e serve só pra produzir um humor, digamos, mais banal?

Qual foi o público e quem comprou e curtiu o compacto do Capitão Gay? Foto: International Network

Mexer na representação de um personagem icônico pode causar isso. Mas também compreendo que boa parte de quem emite opiniões desajeitadas, não acompanha e nem conhece realmente qualquer cronologia dos quadrinhos.

Sem fazer qualquer equivalência, além de assuntos que se relacionam com a sexualidade, outros personagens já foram temas para as drogas, conflitos parentais, depressão, preconceito, abandono, alcoolismo e distúrbios mentais. Assuntos da vida real.

Divisor de águas: Ricardito viciado. Quando os quadrinhos provocam a discussão. Arte: International Network

Mas todos querem opinar, não é? Mesmo que nem saibam do que estão falando. O importante é encher a lixeira.

Percebam. Em um acontecimento recente, o Senador e delegado Fabiano Contarato - que é homossexual - confrontou dentro da mais plena legalidade, uma declaração homofóbica do empresário Otávio Fakhoury feita através de uma publicação no twitter.

Como um disco furado na justificativa, sempre vem a afirmação que só piora o que já é péssimo: “Eu até tenho amigos gays”. Nossa... Que virtude, hein? (E sim... O empresário assim se justificou!)

"Orientação sexual não define caráter": Senador Fabiano Contarato combateu a homofobia do empresário Otávio Fakhoury . Fonte: Senado Federal

Aí entra o humanismo. Valorizar o ser humano e a condição humana acima de tudo. (Ainda que o personagem Jon Kent tenha ascendência alienígena)

E você já ouviu falar no 'queernejo'? Um grupo de artistas LGBTQIA+ que incorpora o estilo 'amar, trair, beber, xingar e sofrer' com chapéu de vaqueiro do sertanejo (estilo heteronormativo) com o universo gay. Filho do sertenejo Solimões, Gabeu (veja vídeo abaixo) deu outro significado para Raul Seixas. 

O uso exagerado de bom senso adverte: Pragmatismo e humanismo não se excluem. 

Está gravado na história a minha experiência bissexual. 

Ao mesmo tempo que cantava pros meus pais que era gay na música gravada para o disco 'Independência e Rock', também cantei e me declarei para uma ‘princesinha’.

Você pode dizer que foi um ‘eu lírico’ e a experiência, abstrata.

Mas como diz Sidney Sheldon, "enquanto houver amanhã"... (HD)