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25 anos de um disco cheio de tradição, talento e muito sentimento

Uma turma de lendários artistas cubanos conquistando o Carneige Hall em Nova York. Eternizados em filme. Foto: Divulgação

Lá pelos idos anos 90 eu trabalhava numa loja de discos e foi quando ouvi pela primeira vez uma música de características latinas que vinha embalada por aquela língua que tão bem canta boleros e combina com o amor (e não que não se possa amar em línguas diversas).

Àquela época, de mim, a sisudez do idiota musical já tinha se despedido sem nenhuma saudade e além do mais, como eu poderia achar romântico esse espanhol que embeleza as emoções e desamarra as cordas do descompasso das paixões se continuasse um beócio?

Versões, guajiras, boleros e uma educação musical digna de 'Seu Mendes' e 'Dona Bárbara'. Capa: Divulgação

Durante a infância já tinha tomado várias doses de Trio Los Panchos, Los Tres Diamantes e principalmente Trio Irakitan, quando - entre um Bidê ou Balde e um Del Amitri - me apareceram aqueles bravos e brilhantes velhinhos Ibrahim Ferrer, Eliades Ochoa e Compay Segundo seguidos de uma constelação de astros da música cubana retomando um período musical pré-castrista.

25 anos de Buena Vista Social Club: quando os artistas tem talento usam a música e os corpos no lugar certo. Foto: Acervo

Esses cubanos se juntaram e deixaram para o embalo afetuoso da população global, todo seu talento no disco “Buena Vista Social Club” que agora completa 25 anos.

Nem precisavam ter ganho o Grammy Latino à época de seu lançamento para ser reconhecido mundialmente como uma experiência sonora que traz ‘dor, ardor e felicidad’.

Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo no filme de Wim Wenders. Foto: Divulgação

Os violões, congas, maracas, pianos e bongôs entregam melodias que parecem compassadas pelo coração, ora aflito, ora tranquilo, porque é sempre sobre amor que falam.

O disco virou filme que deu o destaque merecido para o Buena. Dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders, testemunhamos ensaios e um antológico show em Nova York.

Wim Wenders tranformou em filme a lendária reunião de artistas cubanos. Foto: Acervo

Meu destaque (sempre) vai para Ibrahim Ferrer e sua ‘Dos Gardenias’

Nessa ocasião de aniversário, a obra ganha uma reedição com mais 19 gravações inéditas.

Temos então mais 19 razões onde já não faltava nenhuma. (HD)