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"Help, Eu Preciso de Alguém" - Beatles contra a pirataria

Relançamento: Mais um presentinho especial para os fãs dos Beatles. Foto: Divulgação

Era fim dos idos anos 80 e comecinho dos 90, internet por aqui começava a dar seus saltos e os discos alternativos (piratas, né véi?) papocavam de todos os lados por aí. Claro que aqui em Teresina você não encontrava pra negociar. Tinha que comprar de fora.

Mas era uma boa porção de gente mostrando que informação é poder. Ganhavam muita grana com isso. Mais bem informados, importavam, copiavam e vendiam ou fabricavam mesmo.

Gostava de uma banda? Certamente teria material pirateado em algumas das melhores lojas do ramo, principalmente em São Paulo (a minha loja preferida era a ‘London Calling’ na Galeria do Rock).

Jack Sparrow e eu: Lados B do álbum Grand Prix do Teenage Fanclub. Meus tempos de London Calling. Foto: Acervo

Sendo preciso, o esquema era assim: como a gente comprava pelos correios, muitos donos de loja, compravam originais estadunidenses ou europeus, faziam cópias piratas e eles mesmos vendiam. Muitas vezes você não sabia que se tratava de um pirata. Como é que você reclamava?

Se fosse presencialmente também não tinha essa! Os preciosos piratas estavam expostos nas prateleiras ou vitrines da loja na tua cara. 

Ah, material dos Beatles existiam aos montes.

Claro que a indústria cultural não pode perder... Chega atrasada, mas não perde...

Quer saber como? Em matéria dos Beatles, a série Anthology (especial de TV e discos duplos) e as gravações especiais da BBC (disco duplo) tornaram oficial o que antes era comercializado de forma ilegal (discos piratas).

A indústria cultural não pode perder. Antes ilegal, agora legal. Foto: Acervo

Mas existiam toneladas de material sobre os Beatles ainda não explorados. Bastava por exemplo, ser assinante da revista ‘Revolution’, publicada pelo fã clube de mesmo nome, uma das maiores associações em torno dos Beatles no mundo todo.

Lá tinha até anuncio de como adquirir as amadas ilegalidades!

"Bootleg" é o nome bonitinho pra pirataria. Foto: Acervo

E era incrível como antes a gente ficava completamente amalucado ao ouvir uma versão alternativa, um ‘outtake’, um ensaio com vozes abafadas e instrumentos levemente desafinados ou simplesmente um bate papo entre os cabeludos de Liverpool.

Era como se a gente estivesse descontraindo junto com eles. Uma mágica que resiste até hoje!

Não sinto mais tanto essa paixão. Sabe como é casamento com mais de 15 anos, né?

Marco A. Mallagoli: criador de um dos maiores fã clubes dos Beatles. Foto: Divulgação

Historinha da memória só pra falar que saiu um LET IT BE Super Deluxe, um relançamento que tem como diferença uma nova remixagem e remasterização (e nesse caso, faz uma enoooorme diferença pros apaixonados).

E os belos extras são exatamente um pouco daquilo que falei lá em cima.

Através da revista Revolution ouvi pela primeira vez o show do "rooftop". Foto: Acervo

Tem até uma relação bem bacana do Brasil com os Beatles: a voz da brasileira Lizzie Bravo nos backings de ‘Across The Universe’.

Músicas em processo de construção, brincadeiras entre os rapazes e um pouco de tudo aqui que fez a alegria pirateira de todo bom moço ou moça que procurava emoções escondidas singrando o mar de uma gravação qualquer dos Beatles.

E esse ano ainda vai ter mais. Não é Peter Jackson? (HD)