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A incrível história de um jornalista sedutor e enganador. E não somos todos?

Sobre jornalistas: "Inatingível imparcialidade, duvidosa isenção e a inalcansável verdade". Foto: Acervo

Penso que os dois maiores motivos que levam alguém a escrever uma biografia ou é porque tem uma simpatia, admiração ou no mínimo algum interesse pelo biografado ou simplesmente porque foi contratado pra esse dever.

E aqui uma coisa vai se sobrepor a outra.

Há pouco tempo, resenhei em meu Instagram um livro chamado “O Jornalista e o Assassino”, e ontem, vi que a jornalista e colunista de um importante jornal paulista, Karla Monteiro também o fez na sua coluna.

Pra mim não foi importante chegar primeiro, mas estar sintonizado. Ganhamos todos.

Karla é autora de uma recente – e excelente - biografia de Samuel Wainer, um dos grandes jornalistas brasileiros e suspeito que sua escolha decorra do fato de gostar e respeitar sua profissão. (Suspeito que o artigo de Karla também tenha a ver com isso)

Trabalho de pesquisa que pode se qualificar como uma biografia definitiva. Capa: Divulgação

E aí podemos chegar em “O Jornalista e o Assassino”. Além de um livro de qualidade espantosa, deveria ser lido por todos, especialmente jornalistas.

O livro trata de uma fabulosa análise sobre a relação entre entrevistado e entrevistador ou escritor e biografado, feita pela jornalista Janet Malcolm diante de um caso de enredo surpreendente.

Janet narra os acontecimentos verídicos que cercaram a vida de Joe McGinniss e Jeffrey MaCDonald, um jornalista e o outro um médico condenado pelo assassinato da esposa e duas filhas. O jornalista e o assassino do título.

A história descreve um litígio judicial em que o assassino processa o jornalista por causa de um livro escrito sobre o caso. Durante quatro anos, jornalista e réu conviveram, se tornaram muito amigos e ao publicar o livro, nada foi como esperava o assassino.

Primeiro a conquista, depois a traição: O livro fatal que não foi escrito como esperava o protagonista. Capa: Reprodução

A ética e seus limites são postos em debate de forma contundente. 

A tradição do jornalismo literário em plena forma na escrita de Janet com um texto vigoroso. Um verdadeiro “romance policial verídico”. A ética no jornalismo e a liberdade de imprensa discutidos de forma inteligente e didática.

Ela escrevia desde de 1963 para o The New Yorker, infelizmente falecida recentemente. 

A versão nacional nos brinda com um posfácio brilhante de outro apaixonado por jornalismo, Otávio Frias Filho. (HD)