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'Ai meu Deus. O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?' (Rita e Paulo)

2021 e aí sim, uma boa notícia: Extraordinária pesquisa sobre nossa música. Capa: Divulgação

Vejo (e até mesmo promovo) discussões sobre a música brasileira e suas relações com o que consideramos bom ou ruim.

Já ouvi especialista, apreciadores, profissionais de rádio, músicos e uma variação de pessoas que se relacionam com a música. Ouvi muitas opiniões sensatas, preconceitos disfarçados, teorias radicais e absurdas e como disse, minha própria consciência musical.

Agora um volumoso arquivo chega pra contribuir com a discussão. Uma das melhores formas de definir ‘História da Música Popular Brasileira’ de Rodrigo Faour é chamá-lo de magistral.

Rodrigo Faour no seu apartamento no RJ: um museu de raridades sobre a música brasileira. Foto: Divulgação

Uma verdadeira viagem sobre nossos instrumentos, estilos, cantos e ritmos que vai de 1500 até o começo da década de 1970. Primeiro de dois volumes.

Assim como o autor – entrevistei-o no começo dessa semana – não sou tão bairrista quando a assunto é música. Tenho minhas (maravilhosas) preferências, respeito a dos outros (Mentira! Tolero.) e me sinto um verdadeiro democrata (desgastado) quando a discussão é essa.

O autor faz questão de demonstrar que se exime de preconceitos e esclarece que o livro tem compromisso com a história. A análise fica por sua conta.

(Digo eu agora) O autor entrega um baita presente que deveria ser livro de cabeceira de radialistas e programadores musicais que trabalham com música brasileira – Precisa falar não, né?... Só sintonizar pra saber disso.

Uma vida dedicada a pesquisar: Outras obras essenciais do autor: Foto: Facebook Rodrigo Faour

Como disse, entrevistei o autor e logo no início fiz a pergunta de 1 milhão de reais: “Por que as programações musicais de rádios parecem que sofrem um efeito looping – as mesmas músicas nos mesmos horários todos os dias ou no máximo em turnos próximos? Estamos presos numa fenda temporal ou a música no Brasil anda bem ruim?”.

Ele não quis responder – confesso que achei um pouco pedante – pois justificou que esse assunto ele trata no segundo volume (ainda a ser lançado, mas já escrito) e não quis dar “spoiler”.

Qual melhor aprovação do que a própria música brasileria de sangue latino e carne e osso? Foto: Instagram Rodrigo Faour

Não sei se realmente fui adiantado ou se ele foi grosso mesmo. Espero que ele não se chateie caso leia essa coluna, porque ele só merece respeito e não foi essa minha intenção ao aplicar a pergunta.

Uma pequena grosseria não faz mal, né? (Pra não esquecer de combinar as perguntas antes, tá?)

"Quem não tem colírio usa óculos escuros": Melhor aprovação? Só conheço a do Ney. Foto: Rolling Stone online 

Penso que nossa relação com a música dialoga ferozmente com nosso (a): 1) repertório intelectual, 2) memória afetiva ou 3) preconceito estilístico. Basicamente esse é o tripé da formação de gosto do ouvinte.

E ninguém é dono da verdade, isso eu sei. Mas a música brasileira de verdade... Onde está? (HD)