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'Curupira - O Demônio da Floresta'. O cinema de terror do Maranhão

Curupira: O folclore se mistura com o gênero de terror no cinema. Cartaz: Divulgação

Estreou recentemente o terror maranhense “Curupira – O Demônio da Floresta”. O folclore brasileiro aparecendo de forma aterrorizante para plateia.

Curupira, o ente de cabelos vermelhos, pés virados e protetor das matas e animais, também deixou suas pegadas invertidas recentemente na competente produção da Netflix, ‘Cidade Invisível’.

Curupiras: Na recente produção 'Cidade Invisível' (esquerda) e sua configuraçao folclórica (direita). Fonte: International Network 

Agora, no filme do diretor Erlanes Duarte, ele surge com muita influência do gênero ‘slasher’ (um dia posso fazer um breve retrospecto sobre o gênero) e sua maior característica: jovens se divertindo de alguma (e todas) as formas e se dando mal radicalmente.

Quem lembra aí de ‘Sexta-Feira 13’ e nosso tão carinhoso Jason Vorhees, citando uma das mais conhecidas criatura do gênero?

Os reis dos 'slashers' populares: Michael Myers, Freddy, Leatherface e Jason. Fonte: International Network

Estou muito ansioso pra assisti-lo por vários motivos. Gosto muito do gênero, cinema nacional deve ser prestigiado e é uma produção ousada que aposta num estilo pouco visto e discutido na imprensa tradicional.

Bati um papo com um dos protagonistas do filme. Al Danúzio. Como ele diz, ator do nordeste brasileiro em ascensão, já atuou em diversa peças de teatro, estudou atuação em Nova York e Los Angeles, trabalhou em novelas da Telemundo-NBC e já esteve no Piauí gravando a série Jenipapo - A Fronteira da Independência, onde interpreta o revolucionário Miranda Osório.

A impressão que tive dele, além de ser um cara gente boa, foi de um profissional dedicado e muito talentoso. Segue a entrevista.

Al Danúzio: Ímpeto, talento e profissionalismo. Receita do melhor artista. Fonte: Divulgação

Henrique Douglas - Como ator, onde começa sua paixão pela interpretação? Cinema ou teatro?

Al Danúzio - Começou no Teatro. Na verdade, na televisão como todo brasileiro, assistindo nossos atores. Mas na última década minha paixão por atuar está bem mais no Cinema.

HD - Na sua visão da arte interpretativa, quais seriam as diferenças marcantes para você como profissional entre interpretar para o teatro e para o cinema?

AD - Eu dou aula sobre isso inclusive. Tenho um Workshop todo voltado para como corpo responde no Teatro e no Cinema. Eu costumo resumir assim: Se você realmente sente, não importa onde... O público vai sentir também.

HD - Como foi o dia-a-dia e a convivência nos sets de “Curupira”?

AD - Super agradável. A produção da Raça Ruim e do Lengu Studius nos deixou sempre bem à vontade.

HD - A gente sabe que algumas vezes temos uma competição de egos, assim como diretores bem exigentes. Como foi sua experiência fazendo esse seu novo trabalho?

AD - Nada que reclamar. Só agradecer. Era um grande desafio gravar com poucos recursos e dentro do mangue. Nos unimos muito, e quando isso acontece, não sobra espaço pra ego. Erlanes foi fundamental nesse processo. Seu foco me ajudou a manter os atores focados também. Além de atuar fui o preparador de elenco do filme. Formamos um time, e por isso de certo.

HD - Que experiência de interpretação você deseja ter como ator?

AD - Atualmente Musicais. No teatro e no cinema. Já fui do elenco do Musical João do Vale, e fiquei na vontade de mais musicais.

HD - Existe algum personagem real ou fictício específico que você gostaria de fazer?

AD - Sim. Gonçalves Dias. Ando pesquisando há uns anos, e já estou desenvolvendo projetos sobre ele. Mas adorei fazer recentemente o revolucionário piauiense Miranda Osório. Foi incrível reviver a batalha do Jenipapo.

HD - E mais... Como interprete, prefere drama, comédia, aventura ou terror?

AD - Eu prefiro a verdade. Gênero é forma, e não essência da história. Minha preferência tá na essência, sempre.

HD - Que filmes os atores não deveriam deixar de ver por se tratar de performances que podem ser uma aula? Nacionais e internacionais?

AD - Álvaro Morte (La Casa de Papel), Bryan Cranston (Breaking Bad), Wagner Moura (Ó Pai, Ó; Tropa de Elite) e Silvero Pereira (Bacurau).