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"Cada memória é uma história que, por algum motivo, a gente não deixa ir embora"

Na cena de abertura de "Jovem Adulto", Charlize aplica o inesperado no rádio do carro: Teenage Fanclub. Foto: Divulgação

Licença pra uma breve introdução. 

Ontem fui surpreendido por um sudenga musical. Tava voltando de uma gravação em estúdio de uma música nova da minha banda.

Era quase meia-noite e liguei o rádio do carro - como a Charlize Theron na imagem acima. Numa sequência para mexer com todos os baús de segredos e possibilidades, daqueles que ficam escondidos e empoeirados num cantinho (já) quase inalcançável de uma ‘memória esquecida’, tocou Foolish Beat (Debbie Gibson) e Careless Whisper (George Michael)...

Amigo ou amiga, se você já era projeto de gente nos anos 80 e não ouviu esse disco, só sinto! Capa: Divulgação

Aí vem várias coisas, né? (Rindo aqui) Primeiro dá uma saudade de “você nem sabe o quê”, mas é um sentimento que descarrega uma adrenalina repentina na mesma intensidade da rigidez da realidade que imediatamente bate à porta e separa passado e presente.

Na mesma hora você se sente um personagem de filme romântico dos anos 80 naquelas famosas e (pra muitos) inesquecíveis cenas de melancolia amorosa que intercalam cenas dos amantes separados.

(Não se preocupe, eles irão ficar juntos no final, segundo a "bíblia do jovem enamorado" escrita por John Hughes, pai dos filmes românticos anos 80)

Final inesquecível: John Hughes não falha. Um minuto tristeza... Minuto seguinte amor total. Cena: Namorada de Aluguel (1987)

Pensei logo numa máquina do tempo, mas não só. Pensei... “Teria coragem de usá-la?”. 

Uso = Vou buscar refúgio. Tô infeliz e antes era melhor. Caso sério!

Não uso = Deixa eu aqui nessa vida que me chega até agora. Mas vem cá... Sou um covarde mesmo, né?

Mas saiba que mais cedo ou tarde o passado lhe busca e encontra. Principalmente se ainda for presente.

Clube dos Cinco (1985): Outro caso de um final amorosamente clássico com música e soco no ar da vitória. Foto: Divulgação

Chegamos... Hoje pela manhã soube que o A-Há vai comemorar 35 anos do sensacional disco “Hunting High and Low” com várias datas remarcadas aqui no Brasil em 2022.

Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba receberão os noruegueses. Todos os shows no mês de março.

35 anos de 'Take on Me': Todas as datas acima estão remarcadas para o mês de março em 2022. Cartaz: Divulgação

Acho que não custa ressaltar que o vocalista Morten Harket também possui uma sólida carreira solo. Escute sua discografia e confirme mais ainda seu talento. (Letter from Egypt é uma bela canção)

Mas como estamos falando de A-Ha e seu revival, perceba que existem muitos motivos para comemorar o disco de 1985. Ter num lançamento só ‘Take on Me’, 'Train of Thought’, ‘The Sun Always Shine on TV’ e a música que dá nome ao disco, não é pouca coisa mesmo.

Muito mais se lembrarmos que foi o ano de lançamento de músicas como Broken Wings (Mister Mister), The Heat is On (Glen Frey), Nikita (Elton John), One More Night (Phil Collins), Lover Why (Century), The Boy With The Torn in His Side (The Smiths), Say You Say Me (Lionel Ritchie), Tarzan Boy (Baltimora), Shout (Tears for Fears) e We Are The World (USA for Africa). 

Competição bruta essa, hein?

Um carossel de sucessos: Aí fica você reclamando dos anos 80 quando temos 2021. Efeito Tiririca. Imagem: International Network

Só pra efeito de informação, também tivemos nos anos 80, histórias de amor com garotos(a) maduros em “O Reencontro” de Lawrence Kasdan e aí sim depois, com garotos(a) garotos(a) em “O Clube dos Cinco” e mais outros que merecem presença aqui.

O Reencontro (1983): Talvez um pouco mais amargo que os contos de John Hughes, mas ainda tão intenso. Cartaz: Divulgação

Filmes ou músicas. Existem coisas melhores pra contar nossas histórias de amor e fúria?

Vamos cantar com os noruegueses: ‘Take on me/ Take me on’ (Me aceite/ Venha na minha) (HD)

Ps: Escrevi esse texto ouvindo a trilha sonora de "A Garota de Rosa-Shocking" (Pretty in Pink).