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Distopia orwelliana: 'Round 6' segue matando e condenando no mundo real

Coral norte-coreano: Canções de obediência e ufanismo. Nada pode fora disso. Foto: David Guttenflder (National Geographic)

Um pouco antes no tempo, diante de um sucesso musical diziam: “Essa é pra tocar no rádio”. Agora diante desse outro sucesso (Round 6), digo diferente: “Essa é pra chocar no rádio... Na TV, no impresso e na internet”.

Não sei se estão pregando uma peça na gente – coisas difíceis de crer - mas segundo a Rádio Free Asia e outras fontes jornalísticas, um contrabandista foi condenado à morte (fuzilamento) por ter pirateado - vendendo em pendrives - para Coreia do Norte o seriado ‘Round 6’. (A Netflix não é permitida no país nortista)

'Round 6': Condenação. Assim como na realidade da Coreia do Norte, no seriado nada pode sair do controle. Foto: Divulgação

E isso vai bem mais adiante. Sete estudantes também sofrerão com sua audácia. Um deles que comprou o arquivo, recebeu uma pena de prisão perpétua. Os outros seis que somente assistiram à série, foram sentenciados a cinco anos de trabalhos forçados.

Ainda segundo a RFA, alguns professores e administradores da escola foram demitidos e banidos, sendo enviados ao exílio para trabalhar em minas distantes.

Pra quem conhece ou já leu os clássicos russos da literatura de testemunho – Arquipélago Gulag e Contos de Kolimá – sabe dos horrores que isso representa para o mundo ocidental. (Mas esse é uma discussão que requer mais tempo e linhas)

Soljenítsyn e Chalámov: Campo de trabalho forçado. Literatura das mais tenebrosas lembranças e acontecimentos na URSS. Foto: Acervo

O fato relacionado ao seriado sul-coreano, representa o uso de uma legislação norte-coreana chamada Eliminação do Pensamento e Cultura Reacionários. Ela penaliza o cidadão que assistir, portar ou distribuir conteúdos dos meios de comunicação capitalista, especialmente da Coreia do Sul ou Estados Unidos da América.

Não custa lembrar que ‘Round 6’ é uma série vista como uma crítica contundente ao capitalismo indiscriminado e selvagem, assim como a decadência imposta e inevitável que se aproveita do desespero alheio e leva suas vítimas à morte.

Documentário mostra artistas ocidentais na Coréia do Norte para troca de experiências. Estado de vigilância e medo. Cartaz: Divulgação

Na Coreia do Norte, até a própria crítica ao sistema econômico que seu governo abomina, condena as pessoas. O “pesadelo orwelliano” que ultrapassa sua essência. Um grau de totalitarismo acima do totalitarismo. (HD)