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Get Back - Todo triunfo, melancolia e a despedida da maior banda de rock do mundo

Get Back: Em cartaz todo triunfo de uma carreira e a melancolia da despedida: Cartaz: Disney. Divulgação

São quase oito horas de John, Paul, George e Ringo e muitas histórias sobre os bastidores da gravação do álbum Let it Be no documentário Get Back em cartaz no Disney+.

Um detalhe que passa pelo desconhecimento de muitos fãs é que Let It Be é considerado o último disco, mas Abbey Road sim, é que foi gravado por último, porém lançado antes! (Perceba que num dos episódios Paul toca rapidamente ‘She Came in Through the Bathroom Window’ de Abbey Road)

Sessão de fotos da icônica capa de Abbey Road (1969). Fotos: Iain Macmillan 

Antes de mais nada é bom saber que a qualidade desse lançamento conta, como diria Ringo, “com uma pequena ajuda de um amigo” que venera a banda com a máxima predileção: ‘Jackson himself’. Ele afirma categoricamente que “nunca gostou de outra banda”.

E que coisa né?, entre Jackson e os Beatles.

Quando cruzamos a máquina temporal da arte e descobrirmos que:

1) Os Beatles tentaram fazer um filme de O Senhor dos Anéis;
2) Tolkien se recusou a dar a permissão ao quarteto;
3) Anos depois Peter Jackson filma O Senhor dos Anéis. Jackson e os Beatles já estavam juntos lá trás sem sequer imaginar.

Jackson no set de 'O Senhor dos Anéis': Gandalf pode ter ajudado na mágica entre o diretor e os Beatles. Foto: Divulgação

Bem, sobre os episódios é um deleite pra fãs e amantes dos cabeludos de Liverpool. Inegável.

Muita gente falando, discutindo e compartilhando.

Efeito comparativo: não sinto o mesmo impacto causado, por exemplo, pela série Anthology lançada em 1995. Por que? Porque foi um estardalhaço causado pela possibilidade de ouvirmos músicas inéditas gravadas pela banda, ainda mais com a ausência física de Lennon.

Singles: Gravações de músicas inéditas dos Beatles no Anthology. Sem a presença física de John. Capas: Divulgação

Até ali (1995) tinha sido muito tempo sem falar com a população mundial em uníssono, sobre os Beatles. Lembro da ansiedade e da curiosidade em ver e ouvir pequenos trechos de músicas (mal gravadas) que não conhecíamos. A intimidade e qualquer possibilidade de apreciar as habilidades das vozes de John e Paul juntas era quase divino.

“Aaaah, muito longo esse Get Back. Quase oito horas de exibição” é uma das maiores reclamações que tenho ouvido. Cavalo batizado, tu assistiu o Anthology com 10 horas de duração e não reclamou, né?

Anthology (1995): O lançamento do documentário foi quase uma volta à beatlemania. 10 horas de material. Foto: Acervo

Pois bem, Get Back é tudo isso: melancolia, fratura, disposição, mágoa, triunfo, delicadeza, talento, despedida, ruptura, amizade, simplicidade, disputa, finitude, amor, intriga, construção, destruição, individualismo e recomeço. A música se mistura a tudo isso.

Perceba que a exaltação acima traz ao final mais tristeza do que júbilo. Eles já estavam alquebrados, não havia mais como ser o que eles e nós (fãs) imaginávamos, uma volta ao princípio.

Estão lá o processo de criação da banda, a manipulação perfeita do diretor entre áudio e imagem, o quase choro de Paul quando percebeu que ali era o fim, o reencontro com Billy Preston, Paul provocando Yoko – no show do telhado ele lembra Cynthia, ex de Lennon – e muitas alterações de sentimentos.

Amizades cindidas mas ainda um tanto de amor. Yoko onipresente e já anunciando a síndrome de Zagallo. "Tem que me engolir". Foto: Divulgação

Ringo pouco (ou nada) fala sobre as questões mais decisivas, Paul é incontrolavelmente controlador, John só tá de olha na boutique dela e George está como que desespiritualizado (Logo ele!).

Jackson traduz isso perfeitamente na sua edição primorosa (coisa de gênio da sensibilidade artística). Sim, realmente é extenuante porque (graças) são longos episódios, mas a viagem é real e prazerosa. Impressionante riqueza de detalhes.

Get Back revela os últimos dias do maior evento musical do planeta. Me refiro aos Beatles.

'Save The Last Dance For Me': Um último olhar antes da última dança. Não dá pra ser mais como antes. Foto: Divulgação

Dizem que o impossível é o possível que não se realizou.

Em pelo menos um milênio, duvido que haja algo como os Beatles ou que alguém algum dia seja algo parecido com o que esses rapazes foram ou representaram.

‘Por favor, SE satisfaça’ e ‘deixe estar’. (HD)