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"City 40": Uma cidade secreta desenvolvendo arsenal atômico na União Soviética

Arsenal atômico: Uma cidade escondida e mais um segredo sobre o poderio bélico da Rússia. Cartaz: Divulgação

Percebe que se você quer conhecer ou descobrir algo mais estranho que a ficção, basta você relevar a realidade?

Vamos lá então falar sobre (mais) um dos segredos – pelo menos ficou escondido por vários anos – relacionados a antiga União Soviética.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA e a União Soviética secretamente lançaram programas de armas nucleares.

Em 1944 os Estados Unidos construíram uma cidade secreta e logo em seguida, com informações e planos roubados pelos russos, uma outra cidade também foi construída na URSS.

URSS: Prisioneiros do Gulag contruiram a cidade secreta por comutação de pena. Foto: International Network

Pronto. Cada potência possuía sua cidade secreta atômica. Ambas produziam plutônio para construção de armas nucleares.

Vamos descobrir tudo isso no documentário “City 40”, a história dessa cidade secreta russa que só foi descoberta para o mundo oficialmente nos anos 90, mais de 40 anos após o final da guerra.

Moradores próximos da região relatam que ouviam falar da cidade como um conto de fada de um outro mundo repleto de mistérios.

No documentário, conseguir contrabandear equipamentos de filmagem para dentro da cidade já se apresenta como primeiro desafio da equipe. 

Com muitas imagens de arquivo e relatos de antigos moradores é surpreendente testemunhar como um governo autoritário e um Estado bélico podem construir decisões que põe em risco a vida de muitas pessoas.

Arredores da cidade secreta: "A entrada de cidadãos estrangeiros é estritamente proibida sem permissão especial". Foto: Divulgação

Impressionante também se mostra como a busca por soberania nacional (nos autocratas) e posicionamento na corrida armamentista transforma radicalmente a realidade.

Nos piores períodos da URSS – fome, escassez, corrupção, violência policial – nada disso atingiu a cidade secreta de Chelyabinsk-40, depois conhecida como Ozersk para em seguida ficar conhecida como City 40.

Teatros, comércio, playgrounds, parques, museus, estádios e praças no mais perfeito funcionamento e tantas outros sinais de uma sociedade sem crises foram mantidos, enquanto a maior parte da situação do restante do país era exatamente o oposto.

Por lá, todos tinham emprego, boa remuneração, educação e qualidade e alimentos, realidade diferente do restante da URSS.

No clássico de Orlando Figes você descobre a miséria da vida na URSS de Stalin. Foto: Acervo

Os moradores de City 40 podiam visitar – com permissões rígidas e especiais – amigos ou parentes em outras cidades, mas nunca serem visitados.

E fora da cidade eram seguidos por espiões que disfarçados, engatavam uma conversa corriqueira pra constatar o que eles falavam sobre onde moravam. Nada fora da “mentira obrigatória e lícita” fornecida pelos líderes era permitido.

Vivendo num local que possuia uma fábrica de plutônio, obviamente, grande parte da população se contaminou e muitos morreram com câncer causado pela radiação.

Ex-agente russo contra o poder: Morte por envenenamento e suspeita de produto radioativo da cidade secreta. Imagem: International Network

Sem nenhuma preocupação ambiental ou mesmo até com a segurança individual de cientistas e funcionários, grande parte dos lagos da região foram contaminados com radiação. Isso teve consequências alarmantes.

Foram algumas gerações vivendo nesse cidade sem o conhecimento da sociedade local, muito menos da população mundial.

Investigadora: A ativista Nadezhda Kutepova buscou asilo na França fugindo das perseguições na Rússia. Fonte: PANKHURST

Hoje ainda existem cidades fechadas ou restritas na Rússia, Cazaquistão, Moldávia e nos Estados Unidos.

Em Ozersk, a City 40, não é mais necessário permissão especial para entrar, mas ainda mantém a estrutura que a permitiu ficar longe das vistas do mundo.

Até hoje seus moradores mantém uma espécie de orgulho de ali estarem contribuindo com a grandeza do país. Mesmo que isso custe a grandeza de suas sanidades e da própria saúde. (HD)