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A qualidade e a tradição dos seriados: Velhas histórias e novos formatos

Ação, espionagem e política na tradição britânica: A estreia da AppleTV+ acerta em mais um seriado. Imagem: Divulgação

Vi pela primeira vez uma coisa e revi pela décima quarta vez outra.

O que vi: Slow Horses. O que revi: Kolchak – Os Demônios da Noite. Em comum, seriados que refletem suas épocas e muito bem produzidos.

Não precisa ser especialista no assunto para saber que esse formato audiovisual faz sucesso na TV há muito tempo. Basta ter memória.

Rapidamente me lembrei aqui de Jeannie é um gênio, Terra de Gigantes, Shazam, Xerife & CIA, Planeta dos Macacos, O Homem de Seis Milhões de Dólares e A Poderosa Isis.

Almanaque: A evolução dos seriados e uma viagem de informação, memória e nostalgia. Imagem: Acervo

E o movimento foi contínuo. Lembre-se que os anos 80 ofereceram momentos inesquecíveis na TV aberta. Magnum, Profissão: Perigo, Armação Ilimitada e Alf – O Eteimoso, pra falar de alguns.

Decerto houve uma retomada do interesse e da audiência desse formato no começo da década de 90 com o crescimento dos canais pagos, mas fica claro que se engana quem pensa que essa febre é recente.

Nos últimos tempos, essas produções ardorosamente se acasalaram com as novas formas de se ver TV. Primeiro – lá atrás - com os canais fechados e agora com o novo amante, o streaming.

Retomada: O começo dos anos 90 foi marcado pelas aventuras sinistras de Mulder e Scully. Imagem:Divulgação

E exatamente aí é onde temos a chance de ver momentos clássicos do gênero.

Kolchak – Os Demônios da Noite é uma espécie de filho de David Vincent em Os Invasores e avô de Fox Mulder em Arquivo X.

O personagem é um jornalista que se depara com casos estranhos no cotidiano do seu trabalho. São episódios que sempre vão em direção ao sobrenatural e a ficção científica.

Os Invasores e David Vincent: As noites da tv brasileira eram ameaçadas com uma invasão alienígena. Imagem: Divulgação

Compreendo que com a qualidade tecnológica das produções mais recentes, a experiência de assitir uma antiga série, claramente dá a sensação de ver algo ultrapassado, mas para além do saudosismo, a experiência de rever Kolchak demonstra toda a ousadia do seriado.

Uma verdadeira marca da década de 1970. Das roupas, do comportamento até a trilha sonora. A abertura e o encerramento dos episódios são característicos de obras que marcaram época e se tornaram populares.

Kolchak: Investigações sobrenaturais e inspiração para Arquivo X. Em DVD no Brasil. Imagem: Divulgação

Já na recente Slow Horses, a nova série da AppleTV+, temos Gary Oldman liderando uma equipe indesejada do MI5 – serviço de inteligência britânico – destinados a trabalhos irrelevantes num departamento de despejo, consequência de algum erro cometido em suas carreiras.

A série se baseia nos livros de thriller e espionagem do escritor Mick Herron, ainda desconhecido e não publicado no Brasil (fiz uma busca e não encontrei nada em português).

Mick Herron: Ainda desconhecido no Brasil, o mercado editorial deve publicar em breve. Foto: Divulgação

Com ótima ação, reviravoltas e o bom humor e o cinismo característico do gênero de espionagem britânico, além dos bons protagonistas, os dois primeiros episódios já lançados demonstram a qualidade do seriado.

Gary Oldman: Em Slow Horses, um agente ressentido, mal humorado e passado misterioso. Foto: Divulgação  

Para espectadores de forma geral, se existe uma diferença entre as primeiras eras dos seriados e a atual é que hoje não há tempo de espera por um novo título. Quem gosta, chega a acompanhar 6 ou 7 seriados ao mesmo tempo.

Um exemplo que quebra uma regra. A quantidade pode significar qualidade. (HD)