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Katharina Blum: A destruição de uma reputação num clássico que denuncia a "imprensa marrom"

Cartaz espanhol da obra cinemaográfica inspirada no livro de Heinrich Böll. Imagem: International Network

Katharina Blum poderia ser (ou é) outras como Madame Bovary, Anna Karenina, Fanny Hill ou Jane Eyre.

Comparação excessiva? Tranquilo. Para aqueles que sabem ao que me refiro, falo de um amor que desestabiliza . Fugaz (em alguns casos), porém avassalador (em todos).

Desestabiliza feio, não aquele suave passo em falso dado no batente baixo ou acordar de leve espasmo do tropeço dentro do sonho, mas sim um total eclipse do coração.

Estou escrevendo sobre “A Honra Perdida de Katharina Blum” de Heinrich Böll.

O livro tem essa recente e caprichosa edição pela editora Carambaia. Imagem: Divulgação

Temos o livro e o filme. O livro é de 1974 e atualmente possui uma digna reedição da Carambaia. O filme data de 1975.

De madrugada dei uma zapeada na tela e a hora de descanso se transformou em (cansativo) ócio criativo - aquilo que alguns chamam de vagabundagem, mas que diferencia esses "vagabundos" de quem até produzindo, nada faz.

A protagonista tem sua vida virada do avesso em todos seus setores por causa de um amor maldito (bendito pra ela, né?). Estamos em plena guerra fria na Alemanha Ocidental e o homem a quem Katharina ama é procurado por alguns crimes.

Katharina: Uma mulher simples e sua vida arrasada por um Estado policialesco e uma mídia sensacionalista. Imagem: Divulgação

Alguns pontos: aqui a concorrência vilanesca envolve os meios de comunicação (imprensa) que produzem campanhas difamatórias contra uma indefesa Katharina (quem pode contra a máquina?);

Vaias para os professores de comunicação que na sala e na douta ignorância, repetem ad aeternum o filme do Jim Carrey (nem falo o nome pra não ter raiva dessa insistência) e a mesma coisa acontece com as incessantes sessões de “O Enigma de Kaspar Hauser”;

Por último, nossa!, como a Alemanha Ocidental não perdia em nada para o Estado policialesco e torturante da parte Oriental.

Um grande filme, além de muito atual nesses tempos de jornalismo tendencioso e irresponsável (que alguns chamam de “alta performance” hahahaha) distorcendo a realidade. (HD)