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Chuva traz infestação de insetos voadores em Teresina

Infestação de 'bichinhos da chuva' no corredor de um condomínio em Teresina (Foto: Lislley Mendes)

É só a chuva ir embora e ficar aquele tempo friozinho que eles vêm batendo asas. Conhecido como "bichinhos da chuva", os insetos, literalmente, dão uma dor de cabeça, mas são inofensivos. De toda forma, a estudante Maria Emilly Rêgo teve que ir a uma consulta de urgência após um deles entrar no ouvido. 

"No fim da tarde, começou a aparecer muitos bichinhos em casa. Não vi ele entrando no meu ouvido porque estava dormindo. Mas, pela manhã, senti muito incômodo e um zumbido. Fui ao médico e ele retirou o inseto. Agora tenho que prestar mais atenção porque estão aparecendo muitos insetos devido ao tempo", disse a estudante que ficou cerca de 2 horas com o inseto no ouvido. 

O biólogo Marcus Bevilaqua, mestre em Entomologia e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), formado pela Universidade Federal do Piauí (Ufpi), explica que fora  pequenos incidentes, como ocorreu com a estudante Emilly, os insetos são inofensivos, pois não picam e não têm nenhuma substância tóxica.

Ao Bicharada, o especialista esclarece que os 'bichinhos da chuva'  nada mais são que cupins (aqueles com as asinhas mais fininhas), besouros ou formigas.

Cupim e uma formiga (Foto: reprodução internet)

"Eles são insetos de várias famílias diferentes. Podem ser formigas, cupins ou besouros. Com excessão dos potós, nenhum deles causam danos diretos às pessoas. E até mesmo o potó só causa algum dano quando é esmagado", explica Bevilaqua.

Uma curiosidade sobre o porquê de tanto "bichinho da chuva", o mestre em Entomologia conta que o que eles querem, nada mais nada menos, é  namorar. Geralmente, os insetos que entram nas casas são os machos que ganham asas para procurar as parceiras para reprodução.

"Todos esses insetos tem um comportamento similar nesse quesito que é chamado de revoada, que nada mais é quando saem de suas tocas ou colônias para reproduzir. Geralmente, os machos e fêmeas se acasalam durante a primavera e verão. Em Teresina isso é comum em épocas de chuva como final e início do ano. Esse comportamento serve para formar novas colônias tanto de cupins quanto de formigas", explica o mestre em Entomologia.

Marcus Bevilaqua é mestre em Entomologia e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Foto: arquivo pessoal)

"A época que coincide sempre com o fim da chuva tem a ver com a umidade que se eleva e eles têm receptores químicos nas antenas. Então, é normal quando chove, o tempo esfria um pouco, e aí eles percebem: opa, chegou a hora de namorar! assim, eles saem das colônias que nasceram e vão procurar novas parceiras para formar novas colônias", explica Bevilaqua.

REPELENTE É EFICAZ CONTRA OS 'BICHINHOS DA CHUVA'

Ele explica que repelentes não ajudam muito a afastar os insetos, pois ele não se alimentam de sangue humano. 

"A melhor forma de se prevenir deles é com telas nas janelas, como é a melhor forma de prevenir de qualquer inseto. Em casos de infestação, as pessoas só precisam ter paciência e deixar a natureza seguir o curso dela. Em poucos dias as revoadas acabam. É  só um pouco mais de trabalho na hora de limpar as casas", brinca o biólogo. 

LUZ BRANCA ATRAI MAIS OS 'BICHINHOS DA CHUVA'?

Marcus Bevilaqua esclarece que, geralmente, os 'bichinhos da chuva' são atraídos pelas luzes branca e amarela. Apagar a lâmpada diminui o aparecimento dos insetos, mas não os afastam totalmente. 

"Mesmo em casa escura e sem lâmpadas, eles podem aparecer se tiverem parceiros. Eles só querem acasalar", conclui o mestre em Entomologia.