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Cães policiais do Piauí vão participar das Olimpíadas no Rio de Janeiro

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Por Graciane Sousa e Maria Romero
bicharada@cidadeverde.com

 

Passar tarde na companhia de Jack, Colt, Saymon, Duda, Titan e Uzi - os cães da Polícia Rodoviária Federal do Piauí - é uma experiência que não se esquece. Desde que pensamos em criar o blog, pensávamos nessa pauta: conhecer o treinamento e como vivem os cães policiais. Na tarde de conversa, na última quarta-feira (13), descobrimos que quatro deles vão participar da equipe policial das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Mas o que para os policiais e guias é trabalho, para eles é brincadeira.

Há um mito a respeito do treinamento de cães que é bastante reproduzido e que deve ser desfeito: os cães não são "viciados" em drogas, para que atuem nas operações de busca e apreensão com os policiais. O que acontece é apenas associação do cheiro da droga a um brinquedo que o animal goste muito - uma bolinha, uma pequena almofada ou o que mais o cão gostar. Quem manda é o animal.

O treinamento consiste em oferecer uma recompensa, como o brinquedo, uma brincadeira e carinho ao animal, sempre que ele encontrar o que o seu guia quer que ele encontre. O policial que já conhece seu cão, percebe quando ele reaje de forma diferente em determinados locais farejados. Normalmente o cão "raspa" com a pata o local onde está a droga. Quando o animal busca droga escondida em uma pessoa, ele é treinado para sentar-se diante dela, em vez de tocar com a pata. 

É dessa forma que os animais serão úteis durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, que acontecerão em agosto deste ano. A grande circulação de pessoas torna fundamental o combate ao tráfico de drogas e a presença de armas e munições dentro dos locais dos jogos e de presença de turistas e atletas. 

Rodrigo Almeida é um dos guias da PRF-PI e é também médico veterinário. O amor pelos cães aproximou o policial da cinotecnia - ciência que estuda os cães. O prefixo "cino" vem do grego "kyon", que significa cachorro. Ele conta que o treinamento não passa de uma brincadeira com o cão, mas que tem objetivos bastante específicos. Ele é guia de Jack, um cão de destaque no plantel da corporação.


Jack fareja uma arma escondida em um veículo


"Nosso treinamento acontece diariamente, é constante. Mas quem manda é o cão, não existe um tempo determinado para encerrar. Quando ele não está mais rendendo como no início do treino, nós deixamos ele descansar", disse.

Habilidades
 
Jack é o grande destaque do Grupo de Operações com Cães (GOC) da PRF e as habilidades do pastor belga malinois são impressionantes - e foooofas! Jack veio diretamente da Bélgica, ainda um filhotinho, para o canil da PRF do Ceará, há cerca de oito anos. Por diversos motivos, o canil do estado vizinho foi fechado e Jack veio para o Piauí há um ano. Aqui, Rodrigo deu seguimento ao treinamento do cão policial.

Ele é hoje o único no Piauí que faz buscas também por armas e munições: ele consegue farejar o odor da pólvora e da liga metálica usada nos armamentos. Dentre as habilidades, Jack fareja uma pequena trouxinha de pasta base de cocaína escondida entre enormes embalagens de produtos de cheiro forte, como o tíner. Veja aqui um vídeo em que Jack encontra um ponto de droga exatamente nessa situação, dentro de um veículo:

"Às vezes os traficantes fazem isso para tentar enganar os cães. Mas eles já conseguem diferenciar os odores e isolar os cheiros. Mesmo perto desse tipo de material, ele detecta a droga", explica o guia, orgulhoso.
 
Só para ter uma ideia, dois exemplos do poder do faro e do nível de treinamento recebido por Jack: em uma operação realizada em Teresina há uma semana, ele conseguiu farejar uma única cápsula, concretada na parede, a dois metros de altura. O vídeo de Jack raspando a local, indicando que achou alguma coisa, é a coisa mais fofa dos últimos tempos! Dá uma olhadinha:

Outra situação que impressionou o guia foi quando Jack começou a farejar as substâncias que compõem as drogas - como a acetona, por exemplo. "Ele começou a separar os cheiros tão bem que começou a reagir quando sentia o cheiro apenas da acetona. Ficamos impressionados", conta Rodrigo.

O alemão é uma das línguas mais usadas para adestramento, mas Jack, nosso amiguinho de quatro patas que foi importado da Bélgica por seu antigo guia, foi educado em francês. Já Colt e Titan, em alemão.


Cães selecionados
 
Assim como Jack, Titan e Colt são também pastores belgas malinois. Titan tem cerca de sete anos e Colt, quatro. Saymon, um labrador de pelagem completamente preta, completa o quarteto que está hoje na ativa no canil da PRF-PI.
 
Com dois cursos de cinotecnica, o policial Vieira Lima explica como os cães chegaram ao posto que hoje ocupam. Os policiais guias avaliam os cães desde que nascem, ainda dentro da ninhada. 
 
"O líder da 'matilha' naturalmente mostra que vai dominar, que tem habilidades diferentes. É esse cão que nós escolhemos, ainda filhote, um bebê mesmo. Começamos um treinamento com o cheiro das drogas em uma flanela, objetos que não machuquem o cão. Depois, vamos inserindo outros brinquedos"

Todo cão pode virar policial?

O guia Vieira explica que as células olfativas são mais aguçadas em cães com focinho alongado, como é o caso dos cães pastores, como o alemão e o belga malinois. Eles chegam a ter até 400 milhões de células olfativas, enquanto nós humanos temos em média 6 milhões - quanta diferença, né?.  

Porém, para ser admitido na corporação, o cão precisa também ter vocação e instinto de liderança. O que implica em dizer que nem todos os animais se adaptam ao trabalho policial. 

"Cada raça tem sua característica e aproveitamos o melhor de cada raça. Trabalhamos o cão que tem o instinto de caça e posse, exatamente, para que eles possam achar os brinquedos que são associados à droga. Eles são testados desde quando são filhotes e buscamos em cada ninhada aquele que mais de destaca, o chamado cão alfa, que é o mais independente e que vai domianr os demais. Nem todos os animais têm estes instintos proeminentes", explica Vieira.

Eles destacam que machos e fêmeas respondem igualmente ao treinamento. Contudo, as cadelas precisam ficar afastadas do trabalho durante o período do cio.  

Guias

Para trabalhar com os animais, os guias de cães farejadores participam de cursos na PRF. O número de profissionais treinados para a função é de apenas 28 em todo o país. 
 
Aposentadoria

Até o momento, apenas três cães chegaram à fase da aposentadoria no canil da PRF-PI. Zenaco um pastor belga de malinois que já morreu. Uzi - mista entre um pastor belga e um SRD (Sem Raça Definida); Duda, uma labradora de cor preta. 

O tempo máximo dos cães na ativa é de 10 anos, como é o caso da Uzi, que se aposentou há um ano, após uma década de bons serviços prestados à sociedade. A SRD ainda está sob os cuidados da coporação até achar um novo dono, que deve ser indicado pelo guia. 

Uzi e Zenaco - que também estava aposentado e morreu há pouco mais de uma semana - foram os primeiros animais do plantel. 

Já Duda teve a sorte de ser doada ao seu antigo guia, o inspetor Vieira Lima, que tem dois cursos de cinotecnia. A cadela participava ativamente das operações do GOC da PRF-PI, mas precisou ser afastada do trabalho bem antes do período indicado - aos 10 anos de idade - porque começou a perder a visão. Durante os anos de cadela policial, ela trabalhou na fronteira do Brasil com a Bolívia, chegando a morar por alguns anos no exterior. 

"Foi um problema congênito, ela aos poucos foi deixando de enxergar, então precisamos afastá-la com apenas oito anos. Ela continua bastante ativa, muito inteligente, mas enxerga pouco. Um veterinário que consultamos informou que ela hoje deve ter apenas cerca de 15% da visão”, lamenta Vieira. 


Homenagem póstuma

O canil da PRF-PI foi criado em 2007 e batizado com o nome de um policial rodoviário federral que morreu em Caxias-MA, durante colisão de um ônibus com a viatura policial em que ele estava. Felipe Santos Moura foi estagiário em Teresina e foi lotado no Maranhão. Ele ia para uma reunião administrativa no estado vizinho. 

No Piauí, apenas as polícias rodoviária federal e militar possuem canis. O Estado, inclusive, foi um dos três primeiros do país a treinar cães para o trabalho policial. Jack é um dos poucos cães do país treinados para farejar munições. 

 

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