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Cavalo resgatado não resiste a maus-tratos e morre de sede e fome

Por Graciane Sousa

Assim como nós que assinamos o blog, internautas também se solidarizaram com a situação do cavalo vítima de maus-tratos resgatado nesta quarta-feira (13), no Parque Brasil, na Zona Norte de Teresina. Desde que fizemos o post, o Bicharada recebeu emails e ligações telefônicas de leitores interessados em saber notícias do bicho. Entramos em contato com o Centro de Controle de Zoonoses de Teresina e tivemos a triste notícia que o animal morreu ainda na tarde de ontem. 

"Ele veio a óbito por volta das 15h. Estava muito magro, debilitado e ferido. O animal, visivelmente, sofria maus-tratos e moradores nos disseram que o cavalo vinha puxando uma carroça já muito mal, cambaleando, quando caiu com o peso que carrega. O dono simplesmente teria tirado a carroça e ido embora, abandonando o animal", explica o veterinário Romualdo Spíndola, do Centro de Zoonoses. 

O médico destaca que não foi possível detectar a causa da morte do animal, que apresentava lesões nas patas dianteira e traseira. "O cavalo pode ter morrido de desidratação, fome, anemia ou mesmo outra doença", reitera.

O veterinário lamenta ainda o tratamento dado a burros, jumentos e cavalos, animais usados em veículos de tração. 

"Os donos destes animais não cuidam da alimentação dos bichos, não se preocupam com medicação, vermifugação ou outros cuidados. Os animais adoecem e os carroceiros abandonam. Não cuidam. Só querem explorar e ganhar dinheiro à custa dos bichos. E quando o animal morre, eles vão atrás de outro bicho para explorar", desabafa Spíndola. 

Assim como esse cavalo, outros animais de grande porte recolhidos pela Zoonooses são levados para um curral público, no Parque Alvorada, próximo ao Residencial Zilda Arns, Zona Norte de Teresina. No local, os bichos recebem cuidados até serem adotados ou devolvidos aos donos. Atualmente, cerca de 10 animais entre burros e jumentos vivem neste abrigo.

"O trabalho da Zoonoses consiste em capturar animais de pequeno porte que estão soltos nas ruas. Eventualmente quando recebemos denúncia de algum bicho acidentado ou agredido, fazemos o resgate e o levamos para o currral. Lá, eles ficam sendo tratados até aparecer o dono ou alguém que queria adotar. Sempre temos o cuidado de perguntar para quem vai quer adotar, como vai o animal será tratado. Por exemplo, os dois burros que abrigamos, atualmente, têm boa saúde, mas ficaram com sequelas após terem as patas quebradas. Com isso, não podemos deixar uma pessoa levá-lo para explorar em qualquer atividade que seja, pois eles não suportam e isso seria maus-tratos. Nesse caso, eles só podem ser liberados para serem criados no quinta de casa", explica Romualdo Spíndola. 

Ainda sobre maus-tratos, o veterinário conta sobre um outro caso chocante envolvendo animais. Também na manhã de ontem, um cavalo foi esfaqueado até a morte por seu antigo dono, na Usina Santana, Zona Sudeste de Teresina. Provavelmente, mais um caso impune. Em situações como esta, o Batalhão de Polícia Ambiental é a autoridade responsável em apurar o caso que, geralmente, só é levado adiante quando o autor da agressão contra o bicho é flagrado maltratando o animal. 

 

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