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Ativistas invadem palco de peça que utilizava galos em cena: 'Maus-tratos'

Um grupo de ativistas veganos subiu ao palco de uma peça para protestar pelo uso de galos em um espetáculo apresentado em Santos, no litoral de São Paulo. A peça  "4", do diretor argentino Rodrigo García, era exibida ao público pela segunda vez na cidade durante o Mirada, Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. O teatro do Sesc foi multado em R$ 2 mil por infração de uma Lei Municipal.

No vídeo, gravado na última sexta-feira (9), é possível ver um dos atores pegando o animal do chão do palco e o colocando dentro de suas roupas. Em seguida, retira a ave e a segura pelos pés, que estavam calçados com sapatos. Enquanto isso, uma das ativistas grita da plateia. "Isso não é teatro. Isso é maus-tratos aos animais". 

Momentos depois disso, uma outra mulher invade o palco e tenta resgatar as aves.

O espetáculo foi escolhido para abrir o festival na última quinta-feira (8). Grupos veganos souberam que a peça utilizava quatro galos em cena. O uso de animais selvagens ou domésticos em qualquer espetáculo é proibido em Santos por uma Lei Municipal de 2004.

Dafne Jaune, que organiza o grupo Vox Vegan, contou que ativistas se reuniram na porta do teatro na sexta-feira. "Alguns de nós ficaram do lado de fora esperando uma resposta da fiscalização da Prefeitura de Santos, tentando barrar o espetáculo. Não tínhamos ideia do que ia acontecer durante a peça, e duas pessoas do grupo estavam lá dentro", afirma.

A peça foi interrompida no momento da invasão e o Sesc autuado por descumprir a lei. Segundo Andrea Vieira Setúbal, fiscal ambiental e chefe da Seção de Fiscalização da Vida Animal na cidade, o problema foi identificado na quinta-feira (8).

"Falei com os responsáveis pelo espetáculo e passamos uma intimação. Conversamos para ver se havia uma outra maneira da peça ser realizada, sem a presença dos animais", relembra. Segundo a fiscal, produtores da peça disseram que não havia tempo para pensar em uma alternativa.

Em nota, o SESC São Paulo, organizador do MIRADA, afirmou que entende que é importante toda discussão estimulada por um processo artístico e cultural.

Sobre a utilização de animais em cena no espetáculo “4”, que ocorreu na abertura do festival, estamos alinhados com a produção do espetáculo, que atesta que os animais não passam por nenhum tipo de dopagem, mas sim, são adestrados para tal fim, recebendo as melhores condições de tratamento e saúde, desde sua procedência até os bastidores da montagem, onde contam com um cuidador especial integrado à equipe.

Ainda afirmou: Diante destas informações e amparados por orientação oferecida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, não só nesta como em edições anteriores do festival, acreditamos que todas as medidas foram adequadamente tomadas para a realização do espetáculo, preservando a integridade dos animais que deste participam.

Por fim, ressaltamos que acolhemos todos os pontos de vista expressados pelo público, favoráveis ou contrários em relação ao ocorrido, e no que diz respeito ao fazer teatral. Assim, garantimos que questionamentos artísticos como esse possam continuar a trazer reflexões para a sociedade.

 

Fonte: G1.