Cidadeverde.com

Animais sofrem com incêndios e altas temperaturas em Teresina; veja 6 dicas

Por Maria Romero
bicharada@cidadeverde.com

 

Água gelada? Banho todos os dias? O tempo quente e seco nos últimos meses do ano, em Teresina, afeta também os animais e muitos tutores buscam alternativas para deixar seus bichinhos mais confortávels. Este ano, foram registradas ainda centenas de focos de incêndio e a fumaça e a fuligem também afetam os pets. Contudo, nem todas as medidas são as mais recomendadas pelos profissionais. 

O médico veterinário Selmar Moreira falou ao blog Bicharada e deu dicas para aliviar os sintomas como calor intenso, desidratação e até mesmo queimaduras.

Veja se você está fazendo tudo certo e como pode tornar os dias dos animais menos desconfortáveis. 

Antes de qualquer coisa, caso seu animal apresente dificuldade para respirar e comportamento diferente neste período, o recomendado é uma visita imediata ao médico veterinário!

1. Água gelada e frutas congeladas:

Muitos tutores costumam oferecer água gelada e até frutas congeladas para os animais. O médico diz que não há exatamente um problema em oferecer o líquido em temperatura mais baixa, mas isso pode ter um efeito contrario caso torne-se um hábito: o animal pode deixar de beber a água em temperatura ambiente. 

"A gente mora em uma cidade muito quente. Quando você coloca a água gelada, rapidamente ela está em temperatura ambiente e ele não vai querer. Ele está com sede e não bebe, então pode desidratar. Eu particularmente não recomendo, porque pode ter uma reação contrária", explica.

Quanto às frutas, o médico recomenda apenas que se evitem as frutas cítricas, como laranja, tangerina e abacaxi. 

2. Roupinhas para animais: 

Selmar conta que os tutores de animais de pequeno porte costumam gostar de "vestir" os bichinhos. Porém, cães e os gatos não perdem calor como os seres humanos: eles não produzem suor para reduzir a temperatura corporal. Usar roupinhas para pets pode causar um enorme mal estar nos animais. 

"Principalmente os animais de pequeno porte, as pessoas têm mania de vestir com roupinhas, mas elas têm que ser usadas com muito critério, porque esquentam muito. Como eles perdem calor de outra forma, com roupinhas eles superaquecem com facilidade", diz.

3. Banhos diários: 

Embora pareça uma excelente alternativa para amenizar o calor dos pequenos, o médico alerta para os riscos de dar banho nos animais todos os dias e, principalmente, de manter os pelos úmidos.

"Como eles têm o corpo coberto de pelos, isso mantém um excesso de umidade que pode causar lesões de pele. Cães como o labrador e o golden retriever gostam muito de água, mas é preciso tomar um certo cuidado. Na hora que molhar o animal, o ideal é que seque o pelo. Se deixar úmido, pode atrair fungos, bactérias e causar dermatites", alerta

4. Horários dos passeios:

Além do calor excessivo, levar um animal para passear em um horário inadequado ou mesmo após a incidência solar diminuir, pode não ser uma boa ideia em Teresina, especialmente nesse período. Os tutores, sempre calçados, não percebem tanto, mas o solo pode manter uma temperatura muito alto durante um longo período e causar queimaduras nas patas dos animais. 

"Além de o cão, que é levado mais para passear, manter o corpo muito perto do chão e poder sentir muito calor, é preciso tomar muito cuidado. Se o horário for de muito calor e o asfalto e a calçada estiver muito quente, eles queimam as patas. Os animais são pacientes que não colaboram, eles não ficam quietos e esse local é de difícil tratamento", explicou.

5. Raças mais afetadas:

O médico disse ainda que é preciso ter cuidado especial com os animais braquicefácilos - que possuem cabeças e pescoços menores, como bulldogs e pugs. Estes animais são os mais propensos a sofrer com o calor, porque seus focinhos são achatados e a estrutura óssea da cabeça dificulta a respiração. 


Bulldog e Pug

"Esses animais precisam de uma atenção especial, é importante não deixar que passem muito calor e principalmente evitar que fiquem expostos a condições ruins do ar, porque eles e os animais idosos são os que mais sofrem com problemas respiratórios", explicou o médico. 

6. Fumaça e fuligem:

Com um índice de quase 300 ocorrências atendidas pelos bombeiros na capital piauiense, em apenas três dias, os animais estão bastante expostos a fumaça e fuligem de incêndios e queimadas. A recomendação é evitar o contato do animal com o ar poluído.

"A gente recomenda que animais de pequeno porte sejam colocados dentro de casa, para evitar o contato com a fuligem e a fumaça. Os grandes, que sejam mantidos num ambiente fechado e mantê-los sempre hidratados, com muita água disponvel e de boa qualidade. Ela não precisa ser gelada, mas fresca, que seja trocada duas ou três vezes por dia", comentou.

Em caso de contato de fumaça intensa com os olhos do animal, é importante lavar com soro fisiológico imediatamente. Manter o animal em local umidificado também pode aliviar os sintomas ruins do tempo seco. 

 

bicharada@cidadeverde.com