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"Cãoterapeutas" ajudam no tratamento de crianças autistas em Teresina

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Por Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

Imagina um local colorido com trilha para passeio e também uma piscina de bolinhas. Esse é o 'local de trabalho' de Belinha e Lola, duas cadelinhas da raça shih-tzu, que são "cãoterapeutas". A terapia alternativa, que chegou recentemente em Teresina, tem auxiliado crianças com autismo e também acometidas por doenças graves como o câncer. 

A "cãoterapia" foi trazida ao Piauí pela fonoaudióloga Viviany Nogueira que há sete anos trabalha com crianças autistas e há oito meses resolveu inserir os cães no tratamento de seus pacientes.  

"Fiz um curso em Fortaleza-CE de terapia assistida por cães e educação assistida por cães e estou desenvolvendo esse trabalho desde janeiro. Tinha uma cadelinha em casa e queria envolver o amor e carinho dos cães em pessoas que precisam, sejam crianças autistas, que enfrentam um câncer ou até mesmo idosos. Adequei o cão aos benefícios para essas crianças ", disse a fonoaudióloga. 

A "caoterapia" consiste em atividades e intervenções assistidas por cães e envolve muito amor, estímulos e superação de dificuldades.

As crianças submetidas ao tratamento, primeiramente, passam por um processo de dessensibilização. 

"Crianças autistas têm dificuldades em socialização, algumas têm dificuldades motoras e na fala, linguagem, afetividade, a parte sensorial porque a criança autista não gosta de tocar em coisas molhadas, texturas. O cãozinho ajuda muito nisso, pois a criança ao receber uma lambida, por exemplo, vai se acostumando com aquela textura e isso ajuda na parte sensorial", explica Nogueira. 

A dessensibilização é feita através do toque no animal, passeios e até brincadeiras. Na 'caoterapia' valem até "puxadas de rabo e orelha", pois há um elo de amor entre o cãozinho e a criança.

"Faço uma avaliação com os pais, vejo as dificuldades da criança e faço a dessensibilização. A mãozinha da criança é colocada no cão, eles podem alimentá-los, colam figurinhas no cão, há o momento do passeio e das brincadeiras também. A Belinha e a Lola são muito dóceis e quando recebem um puxão de rabo ou de orelha não vão avançar na criança pois foram treinadas", explica Nogueira. 

Geralmente, as sessões de "cãoterapia" ocorrem uma vez por semana. A fonoaudióloga explica que crianças a partir da faixa etária de um ano e cinco meses podem fazer o tratamento que, segundo ela, apresenta resultados mais rápidos que a terapia convencional. 

A "cãoterapia" funciona por meio do Instituto Quatro Patinhas. Atualmente, as atividades são desenvolvidas no Parque Meus Filhos, na Avenida Raul Lopes, na zona Leste de Teresina, mas a ideia é levar a terapia alternativa também para hospitais, creches e abrigos. 

"A semana toda estimulando a criança através da terapia convencional, eu não tenho o mesmo ganho que tenho em um só sábado de cãoterapia. Vejo que a cãoterapia dá melhor resultado em menor tempo. Meu motivo maior é que as crianças falem, mas vejo que elas se desenvolvem em outros. É muito gratificante, é uma emoção ver a alegria no rostinho da criança e no cão também que fica muito alegre em participar quando pega a bolinha, quando passeia, quando é alimentado", acrescenta Viviany Nogueira.