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Animais são sacrificados com crueldade em abatedouros clandestinos no Piauí

Em Teresina, existem apenas cinco abatedouros privados que são inspecionados rigorosamente pela Superitendência de Desenvolvimento Rural (SDR). Enquanto os demais são clandestinos, onde ainda é comum a prática de matar o animal com pancadas na cabeça. Muitos animais de pequeno porte, principalmente ovinos, caprinos e suínos, ainda são abatidos de forma irregular, o que acaba ocasionando um sofrimento ainda maior nos bichos.

O gerente da Vigilância Sanitária (Gevisa), Francisco Cesário, diz que a fiscalização acontece de forma rigorosa, mas localização de alguns desses abatedouros clandestinos dificulta o trabalho. 

"Há fiscalização, mas temos muito abatedouros, às vezes em locais de difícil acesso, que fogem da nossa fiscalização.  Mas a vigilância sanitária, por determinação do Ministério Público, desde o início do ano, está terminando o processo para disponibilizar abatedouros oficializados, ou seja aqueles que têm o Serviço de Inspeção Municipal (SIM)", disse o gerente da Gevisa.

Ele conta que, nestes abatedouros, são utilizados procedimentos que minimizariam o sofrimento animal. 

"Há todo um processo de abate que inclui o atordoamento, uma espécie de choque. Após o abate é inspecionada toda a carcaça do animal. Então, a carne é colocada em uma câmera frigorífica e são destinados aos pontos de revenda. Noss abatedouros clandestinos, isso é feito de maneira rudimentar, eles são do tempo em que se dá uma pancada com machado na cabeça do animal", diz Cesário. 


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Ativistas protestam contra eutanásia em animais abandonados

Fotos: Reprodução/ Facebook

Um protesto contra a eutanásia em animais foi realizado em frente ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na manhã desta segunda-feira (18), em Teresina. Vestidos de preto e com camisas com a palavra LUTO, membros Federação de Defesa Animal do Piauí se manifestaram contra a morte de cães e gatos que, de acordo com  Roseli Klein, presidente da federação, em alguns casos são sacrificados apenas para controle populacional ou porque são abandonados com alguma enfermidade que tem cura. 

"A eutanásia em animais deve seguir um protocolo do Ministério da Saúde. É permitido quando os animais têm calazar ou quando estão sofrendo com alguma patologia irreversível. Porém, muitas vezes esse procedimento acontece sem necessidade. Por exemplo, quando o cão o gato envelhece e acabam adoecendo com mais frequência, e por isso são abandonados. Que tipo de educação as pessoas que fazem isso estão dando para seus filhos? Quer dizer que depois que a pessoa envelhece, fica imprestável? Procuramos fazer sempre este elo com humanos, comparando com a crueldade a qual são submetidos os animais. Hoje a gente veio vestido de preto em respeito aos animais, demonstrando luto por milhares de vidas que são eutanasiadas", disse a médica veterinária. 

A veterinária acredita que a redução do número de mortes por eutanásia passa também por conscientização da população. Durante a visita técnica, representantes da federação também observaram as instalações do Centro de Zoonoses, que passou por reforma no ano passado. 

"Percebemos que mudaram o chão, azulejaram as paredes, as fêmeas ficam separadas dos machos e tem um canil só para a adoção e as pessoas têm ido ao local adotar os bichinhos. Precisamos de mais melhorias e a prefeitura precisa investir mais. Outro ponto que melhorou, foi a sala para eutanásia, que antes era aberta e agora é fechada e climatizada. Além do que, os animais que vão ser sacrificados não ficam na frente dos demais. Foi um diálogo tranquilo e de bom senso com a diretora do Centro de Zoonozes", reitera Klein. 

A presidente da federação ressalta que a situação irá melhorar, significativamente, com um novo Centro de Controle de Zoonoses, que deverá ser construído na Santa Maria da Codipi, também na Zona Norte de Teresina. 

"O CCZ está preparado para atendimento clínico, ou seja, a pessoa pode levar um animal enfermo e doente, mas se ele precisar de cirurgia, tem que ser transferido, pois lá não tem estrutura. Nossa expectativa é que esse novo Centro seja melhor estruturado", reitera. 

A Federação de Defesa Animal do Piauí reúne ONgs de todo o Estado que lutam em defesa dos direitos dos animais. Além de representantes da Apipa, Guardiões dos Direitos Animais, Anjos dos Animais Abandonados e professores, a mobilização contou com a presença da vereadora Teresa Britto. 

 

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Cães policiais do Piauí vão participar das Olimpíadas no Rio de Janeiro

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Por Graciane Sousa e Maria Romero
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Passar tarde na companhia de Jack, Colt, Saymon, Duda, Titan e Uzi - os cães da Polícia Rodoviária Federal do Piauí - é uma experiência que não se esquece. Desde que pensamos em criar o blog, pensávamos nessa pauta: conhecer o treinamento e como vivem os cães policiais. Na tarde de conversa, na última quarta-feira (13), descobrimos que quatro deles vão participar da equipe policial das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Mas o que para os policiais e guias é trabalho, para eles é brincadeira.

Há um mito a respeito do treinamento de cães que é bastante reproduzido e que deve ser desfeito: os cães não são "viciados" em drogas, para que atuem nas operações de busca e apreensão com os policiais. O que acontece é apenas associação do cheiro da droga a um brinquedo que o animal goste muito - uma bolinha, uma pequena almofada ou o que mais o cão gostar. Quem manda é o animal.

O treinamento consiste em oferecer uma recompensa, como o brinquedo, uma brincadeira e carinho ao animal, sempre que ele encontrar o que o seu guia quer que ele encontre. O policial que já conhece seu cão, percebe quando ele reaje de forma diferente em determinados locais farejados. Normalmente o cão "raspa" com a pata o local onde está a droga. Quando o animal busca droga escondida em uma pessoa, ele é treinado para sentar-se diante dela, em vez de tocar com a pata. 

É dessa forma que os animais serão úteis durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, que acontecerão em agosto deste ano. A grande circulação de pessoas torna fundamental o combate ao tráfico de drogas e a presença de armas e munições dentro dos locais dos jogos e de presença de turistas e atletas. 

Rodrigo Almeida é um dos guias da PRF-PI e é também médico veterinário. O amor pelos cães aproximou o policial da cinotecnia - ciência que estuda os cães. O prefixo "cino" vem do grego "kyon", que significa cachorro. Ele conta que o treinamento não passa de uma brincadeira com o cão, mas que tem objetivos bastante específicos. Ele é guia de Jack, um cão de destaque no plantel da corporação.


Jack fareja uma arma escondida em um veículo


"Nosso treinamento acontece diariamente, é constante. Mas quem manda é o cão, não existe um tempo determinado para encerrar. Quando ele não está mais rendendo como no início do treino, nós deixamos ele descansar", disse.

Habilidades
 
Jack é o grande destaque do Grupo de Operações com Cães (GOC) da PRF e as habilidades do pastor belga malinois são impressionantes - e foooofas! Jack veio diretamente da Bélgica, ainda um filhotinho, para o canil da PRF do Ceará, há cerca de oito anos. Por diversos motivos, o canil do estado vizinho foi fechado e Jack veio para o Piauí há um ano. Aqui, Rodrigo deu seguimento ao treinamento do cão policial.

Ele é hoje o único no Piauí que faz buscas também por armas e munições: ele consegue farejar o odor da pólvora e da liga metálica usada nos armamentos. Dentre as habilidades, Jack fareja uma pequena trouxinha de pasta base de cocaína escondida entre enormes embalagens de produtos de cheiro forte, como o tíner. Veja aqui um vídeo em que Jack encontra um ponto de droga exatamente nessa situação, dentro de um veículo:

"Às vezes os traficantes fazem isso para tentar enganar os cães. Mas eles já conseguem diferenciar os odores e isolar os cheiros. Mesmo perto desse tipo de material, ele detecta a droga", explica o guia, orgulhoso.
 
Só para ter uma ideia, dois exemplos do poder do faro e do nível de treinamento recebido por Jack: em uma operação realizada em Teresina há uma semana, ele conseguiu farejar uma única cápsula, concretada na parede, a dois metros de altura. O vídeo de Jack raspando a local, indicando que achou alguma coisa, é a coisa mais fofa dos últimos tempos! Dá uma olhadinha:

Outra situação que impressionou o guia foi quando Jack começou a farejar as substâncias que compõem as drogas - como a acetona, por exemplo. "Ele começou a separar os cheiros tão bem que começou a reagir quando sentia o cheiro apenas da acetona. Ficamos impressionados", conta Rodrigo.

O alemão é uma das línguas mais usadas para adestramento, mas Jack, nosso amiguinho de quatro patas que foi importado da Bélgica por seu antigo guia, foi educado em francês. Já Colt e Titan, em alemão.


Cães selecionados
 
Assim como Jack, Titan e Colt são também pastores belgas malinois. Titan tem cerca de sete anos e Colt, quatro. Saymon, um labrador de pelagem completamente preta, completa o quarteto que está hoje na ativa no canil da PRF-PI.
 
Com dois cursos de cinotecnica, o policial Vieira Lima explica como os cães chegaram ao posto que hoje ocupam. Os policiais guias avaliam os cães desde que nascem, ainda dentro da ninhada. 
 
"O líder da 'matilha' naturalmente mostra que vai dominar, que tem habilidades diferentes. É esse cão que nós escolhemos, ainda filhote, um bebê mesmo. Começamos um treinamento com o cheiro das drogas em uma flanela, objetos que não machuquem o cão. Depois, vamos inserindo outros brinquedos"

Todo cão pode virar policial?

O guia Vieira explica que as células olfativas são mais aguçadas em cães com focinho alongado, como é o caso dos cães pastores, como o alemão e o belga malinois. Eles chegam a ter até 400 milhões de células olfativas, enquanto nós humanos temos em média 6 milhões - quanta diferença, né?.  

Porém, para ser admitido na corporação, o cão precisa também ter vocação e instinto de liderança. O que implica em dizer que nem todos os animais se adaptam ao trabalho policial. 

"Cada raça tem sua característica e aproveitamos o melhor de cada raça. Trabalhamos o cão que tem o instinto de caça e posse, exatamente, para que eles possam achar os brinquedos que são associados à droga. Eles são testados desde quando são filhotes e buscamos em cada ninhada aquele que mais de destaca, o chamado cão alfa, que é o mais independente e que vai domianr os demais. Nem todos os animais têm estes instintos proeminentes", explica Vieira.

Eles destacam que machos e fêmeas respondem igualmente ao treinamento. Contudo, as cadelas precisam ficar afastadas do trabalho durante o período do cio.  

Guias

Para trabalhar com os animais, os guias de cães farejadores participam de cursos na PRF. O número de profissionais treinados para a função é de apenas 28 em todo o país. 
 
Aposentadoria

Até o momento, apenas três cães chegaram à fase da aposentadoria no canil da PRF-PI. Zenaco um pastor belga de malinois que já morreu. Uzi - mista entre um pastor belga e um SRD (Sem Raça Definida); Duda, uma labradora de cor preta. 

O tempo máximo dos cães na ativa é de 10 anos, como é o caso da Uzi, que se aposentou há um ano, após uma década de bons serviços prestados à sociedade. A SRD ainda está sob os cuidados da coporação até achar um novo dono, que deve ser indicado pelo guia. 

Uzi e Zenaco - que também estava aposentado e morreu há pouco mais de uma semana - foram os primeiros animais do plantel. 

Já Duda teve a sorte de ser doada ao seu antigo guia, o inspetor Vieira Lima, que tem dois cursos de cinotecnia. A cadela participava ativamente das operações do GOC da PRF-PI, mas precisou ser afastada do trabalho bem antes do período indicado - aos 10 anos de idade - porque começou a perder a visão. Durante os anos de cadela policial, ela trabalhou na fronteira do Brasil com a Bolívia, chegando a morar por alguns anos no exterior. 

"Foi um problema congênito, ela aos poucos foi deixando de enxergar, então precisamos afastá-la com apenas oito anos. Ela continua bastante ativa, muito inteligente, mas enxerga pouco. Um veterinário que consultamos informou que ela hoje deve ter apenas cerca de 15% da visão”, lamenta Vieira. 


Homenagem póstuma

O canil da PRF-PI foi criado em 2007 e batizado com o nome de um policial rodoviário federral que morreu em Caxias-MA, durante colisão de um ônibus com a viatura policial em que ele estava. Felipe Santos Moura foi estagiário em Teresina e foi lotado no Maranhão. Ele ia para uma reunião administrativa no estado vizinho. 

No Piauí, apenas as polícias rodoviária federal e militar possuem canis. O Estado, inclusive, foi um dos três primeiros do país a treinar cães para o trabalho policial. Jack é um dos poucos cães do país treinados para farejar munições. 

 

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