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Blog da Clara

Joyce te amo

Estava escrito no ônibus inteiro: Joyce te amo
assim, sem ponto, nem vírgula e sem explicação.
E não porque não fosse cauteloso o autor da mensagem, pois fez questão de escrever em todos os bancos do início ao fim, e na altura dos pés e da cabeça, por exagero ou precaução. 
Joyce te amo Joyce te amo Joyce te amo
Não havia fuga, era amor pra todo lado, e assim sem pausa, e o ônibus lotado respirando ofegante, suando e pingando, Joyce te amo
Faz pouco tempo puseram nos ônibus um certo aviso de etiqueta, que alerta: Não escreva no ônibus, há lugar melhor para expressar sua arte.
Talvez o autor da mensagem, que não foi feita de caneta, nem qualquer coisa de tinta, mas talhada, talvez como Joyce no seu coração, não tivesse lugar melhor para expressar sua arte. 
Ou talvez não fosse arte, fosse só amor.
O amor não acabou, li num livro, só anda de automóvel. 
Amor que paga passagem também dá o troco?
Amor de transporte público, à luz do dia, parado no trânsito. O Rio de Janeiro anda tão engarrafado...
Mas amor abre caminhos!
Ou fecha atalhos.
Joyce te amo Joyce te amo
Atrás de mim e da senhora preferencialmente sentada
Joyce te amo Joyce te amo
passando pelo Catumbi, e chegará a Ipanema.
Amor de longo alcance!
Nem tanto. Que toda viatura, depois de dar suas voltas, sempre acaba encontrando o seu ponto final.