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Saneamento enquanto investimento econômico é tema do Congresso das Cidades

Foto: Reprodução/Aegea

O Congresso das Cidades 2019 vai conciliar a pauta do saneamento básico, entrave para centenas de cidades brasileiras, como fator de desenvolvimento econômico e social. Para traçar um panorama nacional sobre o tema para os prefeitos, o evento traz nesta terça (07) o engenheiro civil Hamilton Amadeo, diretor-presidente da Aegea, uma das maiores empresas do ramo no Brasil.

Segundo Amadeo, os investimentos no setor de saneamento básico no país têm decrescido em relação ao PIB desde 2015 e o país não avançou nas metas fixadas pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), criado em 2013. Uma das metas estabelecidas pelo plano é a universalização dos serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto no Brasil até 2033. De acordo com o engenheiro, caso o investimento médio registrado nos últimos anos se mantenha essa meta só seria atingida em 2053.

“Em minha apresentação abordarei questões sobre esse atual quadro do saneamento básico do país, fazendo um chamado para mudanças. Comentarei ainda sobre as atuais discussões que estão ocorrendo no legislativo sobre a Medida Provisória 868, que pretende reformar o setor, a fim de torná-lo mais competitivo e garantir novas fontes de investimento. Por fim, reforçarei como a iniciativa privada pode contribuir para a evolução do setor, inclusive, em parceria com empresas públicas”, adiantou.

Hamilton acredita que iniciativas como o Congresso das Cidades possibilitam a conexão de atores públicos e privados para uma mobilização em torno da agenda do saneamento básico no país. “Nessas ocasiões conseguimos muni-los (prefeitos) de informações sobre o quadro do saneamento no país, as necessidades estratégicas, além de apresentar casos de sucesso que têm demonstrado como é possível alcançar a universalização com os recursos disponíveis hoje”.

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Desafio nacional

Segundo o diretor-presidente da Aegea, o desenvolvimento dos municípios passa por ações estruturantes na área de saneamento básico. “Bem ou mal, cerca de 83,3% da população possui acesso à água encanada, enquanto 48% do esgoto produzido no país não passa pela rede coletora de esgoto e menos da metade disso é tratada da maneira adequada. O Brasil enfrenta hoje um quadro muito sério em que cerca de 4,4 milhões de pessoas convivem com um cenário de defecação aberta”, alertou.

Especificidade local

Para o diretor-presidente, cada cidade requer uma abordagem em suas ações. Em Teresina, a Aegea é a empresa concessionária que gere o fornecimento de água, desde 2017. Hamilton explica que o B-R-O BRÓ foi um fator determinante para a atuação local.

“Nos debruçamos sobre o tema e os desafios que esses meses de altas temperaturas e tempo seco acarretava para a população. A partir de análises, pudemos implementar um plano de ação específico para o período e que possibilitou o pleno atendimento e melhoria da qualidade de vida dos teresinenses”, explica.

Primeiros passos

Os prefeitos e suas equipes de gestores devem compreender o potencial de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos a partir do investimento em infraestrutura básico. “Saneamento reduz a ocorrência de doenças, contribui com a assiduidade escolar e aumenta a produtividade, valoriza os imóveis, gera emprego e torna os mercados mais atrativos para o turismo e para atividades industriais. Tudo isso gera um ciclo virtuoso de crescimento”, pontuou Hamilton.

Valmir Macêdo
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