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José Motta desconstrói os modelos atuais de educação: falta inovar

Foto: Gabriel Paulino / Cidadeverde.com

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Piauí trouxe para o II Congresso das Cidades o professor e consultor José Motta, especialista em metodologias ativas de ensino, que atualmente é o head da Edtech na Beenoculus, principal start up da América Latina em desenvolvimento de soluções em realidade virtual para a Educação. 

Motta ministrou a palestra “Empreendedorismo no Século XXI: Uma Jornada de Liderança e Propósito”, no Auditório Opala. A palestra foi uma verdadeira desconstrução dos atuais modelos de educação, que deixam de preparar os jovens para o novo mundo. O professor mostrou as evoluções dos últimos 47 anos na área da tecnologia em contraponto à falta de inovação na área da educação.

“Quando eu tinha 10 anos, em 1982, eu estudava em uma sala de aula com cadeiras enfileiradas e o professor na frente, explicando. Até hoje, o formato das salas de aula não mudou. Não vejo alunos criando algo novo e esses alunos vão crescer e empreender, isso precisa mudar. Hoje não tem mais o ‘ou’. Hoje é o ‘e’. Você não escolhe: humano ou tecnológico. Você tem o humano e o tecnológico juntos. A gente junta o lápis e o celular”, refletiu.

José Motta alertou que a falta de inovação pode matar um negócio. “Se você leva uma vida em piloto automático, você pode ser trocado por uma máquina. Se você é previsível no mundo empresarial, precisa tomar cuidado”, disse.

O professor citou que nas empresas mais avançadas no mundo da tecnologia, como a Google, os títulos não são tão importantes quanto as “soft skills”, que significa saber lidar com gente, saber se relacionar com outra pessoa e em time, se comunicar e ser criativo. “Das 10 competências exigidas na Google, oito são socioemocionais. A inteligência artificial veio para ficar e isso é fato, mas ela só resolve, não sente, não tem consciência, porque isso é essencialmente humano, mas é preciso interagir para desenvolver competências socioemocionais. Isso não se ensina na escola”, destacou.

O educador ressaltou que é preciso trabalhar em equipe, com pessoas diferentes, porque uma equipe multidisciplinar facilita as inovações. “Se você faz uma equipe com pessoas que pensam como você, pouquíssimas inovações vão sair daí, é preciso ter inteligências múltiplas e isso também não é contemplado nas escolas. Você tem 40 alunos numa turma, com inteligências múltiplas, mas fazem a mesma prova. Aí o mercado exige que a gente saiba trabalhar em time, mas na hora da prova, o aluno fica sozinho, não pode perguntar nada, não pode usar o celular, falar com o colega, mas o mundo exige que a gente saiba se comunicar”, ponderou o especialista.

José Motta afirma que o cérebro humano aprende 95% ensinando, 80% fazendo, 70% discutindo, 30% observando, 20% ouvindo e 10% lendo. “Nos meus 47 anos de vida, vi muita coisa mudar na tecnologia, mas não vejo as escolas fazendo coisas fenomenais. Ainda vejo professor mandando aluno desligar o celular, o invés de usar o celular para incrementar a aula”, lamentou o professor.

Jordana Cury

jordanacury@cidadeverde.com