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Gilson Paranhos defende concurso público de projetos e envolvimento da comunidade

Fotos: Gabriel Piaulino/Cidadeverde.com

O arquiteto e urbanista Gilson Paranhos defende a realização de concursos públicos de projetos para dar uma resposta mais eficiente, com soluções concretas e transformadoras para a sociedade.  Referência em assistência técnica em habitação de interesse social, Paranhos foi um dos palestrantes do último dia do Congresso das Cidades nesta quarta (08). 

Paranhos explicou que o “concurso público de projetos é a única maneira de contratar um projeto e conseguir fazer que ele tenha qualidade, pois a maioria das contratações que não são feitas por meio de concursos estão apenas no papel escrito”. 

Para ele, as licitações é uma forma de “contratar papel” e o que está escrito no papel pode ser mentiroso, ou seja, o ideal seria contratar o projeto porque ao licitar você está dando apenas um “cheque em branco” a qualquer empresa vencedora de uma licitação.

Esse tipo de contratação também ajuda a dar uma resposta mais transformadora aos moradores de uma cidade. “As pessoas não podem ficar esperando uma semana, um mês, três meses. A sociedade quer uma resposta urgente e com qualidade, o projeto tem que ser executado melhor do que a pessoa fizesse para ela mesma porque estamos falando de dinheiro público”, disse. 



Um das ideias desenvolvidas por Paranhos enquanto comandava a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal foram os “Postos Avançados” nas comunidades.   Nesses postos pelo menos um assistente social, um arquiteto urbanista, um arquiteto edificações e um engenheiro vão “sentar” e ouvir os moradores. Esse diálogo irá entender melhor as reais demandas das comunidades e dos seus moradores. 

Ele defendeu outros dois projetos que podem ser facilmente reproduzidos em outras cidades, como os projetos voluntários e as ações urbanas comunitárias, pois a ideia não é apenas ouvir as pessoas, mas envolver a comunidade e demais atores para agilizar a execução de obras. 

“Nós brasileiros gostamos de reclamar de tudo, mas não gostamos de fazer nada. Se fizermos uma fila de reclamação e outra de soluções concretas, a de reclamações será muito maior. Eu reclamo do prefeito, do deputado, do senador, do presidente da República, mas quando eu vou avaliar o que fiz durante o dia eu não fiz nada. Então, nós precisamos inverter esse processo se quisermos ter uma qualidade de vida melhor”, disse Paranhos. 


Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com