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Falta de verba e “herdeiros” ameaçam escolas de samba em Teresina

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A música "Não deixe o samba morrer", gravada em 1975 pela cantora Alcione, nunca se encaixou tão bem ao carnaval de rua de Teresina como agora. A capital do Piauí está há 2 anos sem desfile das escolas de samba, uma festa tradicional que teve início há mais de 50 anos. O principal motivo é a falta de recursos para financiar as agremiações da cidade, que no total somam 7.

A principal fonte de renda das escolas era o repasse de R$ 91 mil que a prefeitura de Teresina fazia. O recurso foi cortado em janeiro do ano passado. Na ocasião, o Executivo da capital alegou a crise financeira no país. “Nós trabalhamos, mas o que a gente ganha não dá para botar uma escola de samba na avenida, temos é prejuízo. Só tem uma escola que se viabiliza em Teresina, que é a Ziriguidum”, lamenta o presidente da Skindô, Jamil Said.

A preocupação do presidente da escola, fundada em 12 de julho de 1975, é que a tradição dos desfiles vá parar na lata do lixo. “Se Teresina não tomar uma providência, o carnaval vai acabar. Serão mais de 50 anos de carnaval jogados no lixo”, alerta, chamando atenção para o Corso também.

“Vai acontecer com o corso também. Já foi o maior e hoje é o menor. Falta comando da própria prefeitura. O evento cresce demais, juridicamente eles não podem tomar conta, aparece terceiros que querem ganhar dinheiro e aí sobra, no caso quem sobrou foram as escolas de samba”, critica.

Herança

Outro problema enfrentado pelas escolas de samba, segundo Jamil, é a dificuldade de se passar o legado das agremiações para as novas gerações. “Quem faz o carnaval de Teresina são os cinquentões, sessentões. Essas pessoas não estão deixando herdeiros para cuidar do carnaval. Se eles morrerem, enterra o carnaval de rua de vez”, afirma.

O apogeu do carnaval de Teresina se deu nas décadas de 70 e 80. Começou no bairro da Vila Operária, zona Norte da capital, e passou a ser feito na avenida Frei Serafim.  Anos depois os desfiles foram transferidos para a avenida Marechal Castelo Branco.

São grêmios recreativos em Teresina as escolas Brasa Samba, Mocidade Alegre, Sambão, Ziriguidum, Galo Tricolor, Unidos da Santana, além da própria Skindô.

Luz no fim do túnel

O prefeito de Teresina, Firmino Filho, sinalizou ao participar do Corso da capital no último final de semana, que as escolas vão sim retornar à avenida em 2019. Para isso, a PMT está estudando uma forma de normatizar a ajuda financeira para as agremiações. 

"Estamos debatendo com as escolas e aquelas que tiverem de fato uma vida com o Carnaval vão ter apoio da Prefeitura de Teresina. Não faz sentido existir escola de samba somente para receber dinheiro da prefeitura. Vamos lançar edital com condições para as escolas participarem", afirmou.

Segundo o gestor, a Prefeitura sozinha não pode arcar com o desfile das escolas de samba. "Carnaval é fruto da manifestação popular e não pode ser uma projeção do poder público. É o contrário, o poder público apoiar as iniciativas que são populares. Não se pode só esperar da Prefeitura", declarou.

 

Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com